Na reunião de executivo desta quarta-feira, 2 de julho, tal como na última sessão da Assembleia Municipal de Torres Novas, que se realizou na segunda-feira, 30 de junho, o presidente da Junta de Assentiz, Leonel Santos, manifestou publicamente a sua preocupação com a situação que a freguesia vive no domínio da saúde: a população continua sem médico de família, estando apenas disponível a modalidade de teleconsulta.
Na sua intervenção, o autarca questionou diretamente o presidente da autarquia, Pedro Ferreira, sobre a ausência prolongada de médicos em algumas localidades. “Eu tenho que perguntar ao senhor presidente se não se sente incomodado com a situação na minha freguesia, relativamente à saúde?”
Cronologia dos acontecimentos
A população reclama a colocação de um médico de família desde 2022, mas, apesar das múltiplas promessas, continua sem acesso a cuidados de saúde primários. Foi colocada uma médica na freguesia em outubro de 2023, mas foi embora dois meses depois, alegando falta de pagamento. A médica que se seguiu tem estado permanentemente de baixa médica. O presidente da Junta de Freguesia voltou a alertar esta semana para o problema, pedindo agora a intervenção da Secretária de Estado da Saúde.
notícias do mediotejo.net
Agosto 2022 – Abaixo-assinado reivindica cuidados de saúde de proximidade em Assentiz
Junho 2023 – População de Assentiz reclama na Assembleia Municipal por médico de família
Agosto 2023 – Câmara de Torres Novas disponibiliza apoios financeiros e fiscais para médicos de família que queiram exercer no concelho
Agosto 2023 – População realiza protesto, recebendo a garantia da colocação de um médico até 1 de outubro
Dezembro 2023 – Médica foi embora por alegada falta de pagamento
Março 2024 – População continua sem médico de família. CMTN anuncia que a ULS passará a assumir os pagamentos no âmbito do projeto
Fevereiro 2025 – Médica que assumia as consultas nesta extensão de saúde tem estado a faltar desde dezembro e a apresentar atestados médicos
Março 2025 – Assentiz com serviço de telemedicina para “minimizar” falta de médico
Julho 2025 – Presidente da Junta alerta novamente para a falta de cuidados primários há mais de seis meses (apenas a funcionar em teleconsulta, e nem sempre)

De acordo com Leonel Santos, também a localidade de Casais de Igreja está há vários meses sem médico, enquanto Fungalvaz já não dispõe de qualquer serviço de saúde. Em Assentiz há só teleconsulta, “e nem sempre”, frisou. “E eu pergunto se o senhor presidente não se sente incomodado com a inércia daquela gente?”, reforçou Leonel Santos.
Pedro Ferreira admitiu não ter ainda uma solução concreta, mas garantiu estar a pressionar as entidades competentes.
“Em relação à saúde, ainda não tenho resposta para lhe dar, apenas tenho feito pressão junto da administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo e, portanto, quero acreditar que me irão dar mais algum esclarecimento”, afirmou.

Pedro Ferreira recordou ainda que a autarquia aderiu ao projeto Bata Branca, uma iniciativa que permite o reforço dos cuidados de saúde através da contratação de médicos pagos com fundos municipais. “Estamos a pagar uma quota-parte para alguns médicos” e “alguma coisa está a falhar nesse contexto”, considerou.
“Portanto, também não queremos estar a pagar sem ver por efeitos práticos bem-sucedidos”, acrescentou.
O presidente da Junta de Assentiz voltou a alertar esta quarta-feira, 2 de julho, durante a reunião do executivo municipal, para a falta de cuidados de saúde na sua freguesia, momento em que anunciou ter solicitado uma reunião com a Secretária de Estado da Saúde.
“Já pedi uma reunião com a senhora Secretária de Estado para me ajudar a desbloquear esta situação que se arrasta há demasiado tempo”, afirmou.
O presidente da Junta sublinhou que a situação é particularmente injusta, tendo em conta que outras freguesias com menos população têm médicos quatro ou cinco dias por semana, enquanto Assentiz não tem qualquer médico fixo. “Vou pedir uma ajuda à senhora Secretária de Estado nesse sentido, para ela saber também como é que as coisas estão a ser geridas cá na minha freguesia”, acrescentou.
O vereador com o pelouro da Saúde, Joaquim Cabral, reconheceu a gravidade da situação na freguesia de Assentiz e garantiu que a autarquia tem feito tudo o que está ao seu alcance para minimizar o problema da falta de médicos.
“Ainda há bocado falei com o doutor Flávio da ULS Médio Tejo, que me disse que efetivamente não temos médico lá”. Segundo o vereador, as consultas em Assentiz estão a decorrer por telemedicina, com intenção de reforço, mas reconheceu: “Sabemos que essa não é a resposta que deve existir.”

O município, explicou, chegou a um acordo com a ULS para garantir a presença de uma médica de medicina geral e familiar na freguesia, através do projeto Bata Branca, que prevê o pagamento de horas extra por parte da Câmara. No entanto, a médica atribuída está atualmente de baixa, o que impede a concretização do serviço.
“Efetivamente ela está lá, faz parte do quadro, só que está de baixa e não resolve o problema das pessoas. E nós precisamos é dos problemas das pessoas resolvidos”, afirmou.
Joaquim Cabral acrescentou ainda que foram equacionadas consultas presenciais através de prestação de serviços, e que se aguarda uma resposta nesse sentido. Lamentou também que a única vaga aberta recentemente para medicina geral e familiar em Torres Novas não tenha sido preenchida, sublinhando: “Este é um drama que temos.”
