A Câmara de Sardoal submeteu no dia 6 de março a candidatura à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro para o apoio financeiro à requalificação da Igreja Matriz de Sardoal, um investimento global de 520 mil euros. O concurso para a empreitada foi já publicado em Diário da República.
O preço base da empreitada de reabilitação situou-se em cerca de 520 mil euros [522.570, 19€]. Porém, há uma cláusula que determina que a obra só iniciará depois do instrumento financeiro estar aprovado.
O município disponibilizará 375 mil euros através do Instrumento Territorial Integrado (ITI) num investimento global superior a 520 mil euros. A Fábrica da Igreja terá de disponibilizar os restantes 125 mil euros para a requalificação da Igreja Matriz de Sardoal.
No dia 27 de janeiro de 2025, o Conselho Económico da Paróquia da Freguesia de Sardoal divulgou as contas relativas à angariação de fundos para as obras da Igreja Matiz, sendo o saldo a 31 de dezembro de 2024 de 66.851,10 euros.
“O objetivo ainda não está totalmente atingido, mas conta com um valor significativo e acredito que até ao momento da empreitada o valor será conseguido”, afirmou Miguel Borges, presidente da autarquia.
O presidente da Câmara espera agora que a candidatura seja aprovada “o mais rapidamente possível” até porque “há urgência” na requalificação da Igreja Matriz “e a CCDR têm essa consciência”, acrescentou, esperando que a obra ainda seja iniciada em 2025, “mesmo que o meu mandato já tenha terminado”.
Miguel Borges cumpre o seu terceiro e último mandato como presidente da Câmara Municipal de Sardoal, não se podendo recandidatar por força da lei de limitação de mandatos. Mas diz que “o mais difícil já está. O processo é irreversível. Foi uma luta de mais de 10 anos”, lembra.
Da parte da autarquia, o presidente da Câmara sempre defendeu a requalificação da Igreja Matriz como uma “prioridade” tendo vincado a necessária “valorização” no sentido de “evitar da degradação de um monumento”.
O município realizou com a Igreja um contrato de comodato por 20 anos e disponibilizou 375 mil euros através do ITI.
“Urge que a sua deterioração não continue pondo em risco a História, a Cultura do nosso País”, afirmou o autarca, recordando as obras de arte que a Igreja encerra, “não só as obras do Mestre Sardoal mas outras também de grande importância, de grande valor, não só municipal mas até valor nacional. Deveria haver uma maior proatividade em relação a estas matérias”, defendeu.
Recorda-se que em 2020 o Turismo de Portugal rejeitou a candidatura da Fábrica da Igreja Paroquial do Sardoal ao Programa “Valorizar”, no âmbito da requalificação da Igreja Matriz, por considerar não ser património do interesse turístico nacional.
O templo é o elemento patrimonial mais importante do concelho. A igreja foi construída nos finais do século XIV ou século XV. Possui elementos de várias épocas, Gótico, Renascimento, Barroco até ao Neoclássico. Do século XVI, os elementos mais importantes são seguramente as tábuas do Mestre do Sardoal. O altar-mor em talha dourada, do período Barroco Joanino, e os painéis de azulejos de Gabriel del Barco são outros elementos a destacar.
A Igreja Matriz da Paróquia de São Tiago e São Mateus que possui três naves e a Capela lateral dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, onde estão as Tábuas do Mestre Sardoal, deixadas por Vicente Gil e Manuel Vicente, é uma das mais importantes heranças culturais e artísticas do concelho de Sardoal.
A importância da oficina do Mestre do Sardoal para a História da Arte Portuguesa centra-se na transição do estilo gótico para o renascentista, designados por “Primitivos Portugueses”.
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