A requalificação da Igreja Matriz de Sardoal já consta do orçamento municipal de Sardoal para 2025, até por ser “um dos assuntos mais importantes” para o concelho, segundo o presidente da Câmara, Miguel Borges. A necessidade urgente de recuperação daquele património dos finais do século XIV, com graves problemas de conservação, não só do edifício como do património integrado e móvel, é uma realidade, agora também nas mãos do Conselho Económico Paroquial.
A Paróquia do Sardoal lançou, por isso, um peditório à população com o objetivo de conseguir juntar o montante necessário para a requalificação da Igreja Matriz. Questionado sobre como está a decorrer o processo de angariação de fundos, o padre António Castanheira, presidente da direção do Centro Social Interparoquial de Abrantes, disse ao nosso jornal que “o processo de angariação de fundos para suportar a componente da paróquia está a decorrer em diversas iniciativas: oferta livre dos paroquianos em conta bancária específica, iniciativas de convívios e quermesse, também, peditório porta a porta junto de famílias e empresas. Todas estas iniciativas tem grande apoio dos paroquianos e população não só da vila, como também dos lugares da freguesia”.
Destacou “o particular empenho do Conselho Económico Paroquial” em todo o processo. Esclarece que a verba necessária “ainda não está alcançada, pois está a meio do valor”, porém, quanto às verbas necessárias “estamos a fazer todo o esforço para que nada falte”, garante.

Quanto ao contrato de comodato, celebrado por 20 anos, entre o Município de Sardoal e a Fábrica da Igreja, diz que, agora, “a condução de todo o processo de projeto e de candidatura do mesmo ao ITI pertencem ao Município. A gestão do tempo e respetivos prazos é do controlo do Município”.
Relativamente à data expectável para o início das obras, o padre António Castanheira afirma depender “do processo concursal e de todas as vicissitudes que tantas vezes os mesmos acarretam. Seria razoável o início ainda durante o primeiro semestre de 2025”.
Da parte da autarquia, o presidente da Câmara Municipal, Miguel Borges, sempre defendeu a requalificação da Igreja Matriz como uma “prioridade” tendo vincado a necessária “valorização” no sentido de “evitar da degradação de um monumento”.
“Urge que a sua deterioração não continue pondo em risco a História, a Cultura do nosso País”, afirmou, recordando as obras de arte que a Igreja encerra, “não só as obras do Mestre Sardoal mas outras também são de grande importância, de grande valor, não só municipal mas até valor nacional. Deveria haver uma maior proatividade em relação a estas matérias”, defendeu.
Recorda-se que em 2020 o Turismo de Portugal rejeitou a candidatura da Fábrica da Igreja Paroquial do Sardoal ao Programa “Valorizar”, no âmbito da requalificação da Igreja Matriz, por considerar não ser património do interesse turístico nacional.
Mas, presentemente, no contrato do Instrumento Territorial Integrado está plasmado um conjunto de investimentos para o concelho de Sardoal, que ascendem a cinco milhões de euros, para executar até 2027, no qual consta a tão aguardada reabilitação da Igreja Matriz de Sardoal.
Nesse âmbito mereceu garantia parcial de financiamento, na ordem dos 375 mil euros, para um investimento global na ordem dos 500 mil euros.






O templo é o elemento patrimonial mais importante do concelho. A igreja foi construída nos finais do século XIV ou século XV. Possui elementos de várias épocas, Gótico, Renascimento, Barroco até ao Neoclássico. Do século XVI, os elementos mais importantes são seguramente as tábuas do Mestre do Sardoal. O altar-mor em talha dourada, do período Barroco Joanino, e os painéis de azulejos de Gabriel del Barco são outros elementos a destacar.
A Igreja Matriz da Paróquia de São Tiago e São Mateus que possui três naves e a Capela lateral dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, onde estão as Tábuas do Mestre Sardoal, deixadas por Vicente Gil e Manuel Vicente, é uma das mais importantes heranças culturais e artísticas do concelho de Sardoal.
A importância da oficina do Mestre do Sardoal para a História da Arte Portuguesa centra-se na transição do estilo gótico para o renascentista, designados por “Primitivos Portugueses”.
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