Visita em 2020 da então secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, à Igreja Matriz de Sardoal, e de Pedro Machado, então presidente da Turismo do Centro, hoje secretário de Estado do Turismo. Foto arquivo CMS

Segundo o orçamentado, para uma primeira fase de intervenção ao nível do edificado, a Fábrica da Igreja Paroquial do Sardoal terá de disponibilizar 125 mil euros para as obras, sendo que o município poderá avançar com os restantes 375 mil euros através de uma candidatura ao ITI, e que terá de ser realizada até final de 2024.

Há muito que é considerada urgente a recuperação da Igreja Matriz de Sardoal que se encontra muito degradada. Um património dos finais do século XIV, com graves problemas de conservação, não só do edifício como do património integrado e móvel. Pode ser desta que a requalificação da Igreja Matriz de Sardoal, com um custo de 500 mil euros, seja uma realidade.

Da parte da autarquia, o presidente da Câmara Municipal, Miguel Borges, sempre defendeu a requalificação da Igreja Matriz como uma “prioridade” tendo vincado a necessária “valorização” no sentido de “evitar da degradação de um monumento”.

“Urge que a sua deterioração não continue pondo em risco a História, a Cultura do nosso País”, afirmou, recordando as obras de arte que a Igreja encerra, “não só as obras do Mestre Sardoal mas outras também são de grande importância, de grande valor, não só municipal mas até valor nacional. Deveria haver uma maior proatividade em relação a estas matérias”, defendeu.

Recorda-se que em 2020 o Turismo de Portugal rejeitou a candidatura da Fábrica da Igreja Paroquial do Sardoal ao Programa “Valorizar”, no âmbito da requalificação da Igreja Matriz, por considerar não ser património do interesse turístico nacional.

Mas, agora, no contrato do Instrumento Territorial Integrado (ITI) está plasmado um conjunto de investimentos para o concelho de Sardoal, que ascendem a cinco milhões de euros, para executar até 2027, no qual consta a tão aguardada reabilitação da Igreja Matriz de Sardoal.

Nesse âmbito mereceu garantia parcial de financiamento, na ordem dos 375 mil euros, para um investimento global na ordem dos 500 mil euros.

“O Município disponibiliza, dentro daquilo que são os seus valores nos Instrumentos Territoriais Integrados, 375 mil euros”, mas faltam 125 mil euros para o investimento total, lembrou Borges.

Perante essa “falta”, o dono da obra, ou seja, a Paróquia de Sardoal, através do padre Silvano Vasconcelos, lançou um pedido de ajuda para obter o valor “remanescente” junto dos sardoalenses manifestando “preocupação” relativa à Igreja Matriz e “ao estado de degradação a que chegou”.

“É muito urgente, uma intervenção!”, considera o pároco, em declarações ao nosso jornal, assegurando que “a paróquia, enquanto instituição, não consegue enfrentar o enorme encargo que as obras de conservação e restauro significam”.

Em causa está uma intervenção que atinge, como referido, meio milhão de euros, numa primeira fase, e que contempla as coberturas, reparação e consolidação de todas as paredes exteriores e interiores, e respetivas infraestruturas do imóvel.

O padre Silvano fala “numa verdadeira ‘corrida contra o tempo’, a fim de não deixar escapar esta oportunidade” solicitando “a melhor compreensão e comparticipação” de “empresários, emigrantes, amigos ou filhos” do Sardoal, na “salvaguarda do património que nos foi legado, e que nos cabe preservar para, não só usufruir, mas também o legar, às gerações vindouras. Esta hora é decisiva”, declara.

Questionado sobre a reação da comunidade a tal solicitação e se está confiante que a Paróquia atinja o objetivo de recolher donativos no montante de 125 mil euros, respondeu ao nosso jornal que “desde que o assunto foi colocado, em debate aberto, na Paróquia do Sardoal, no início do passado mês de junho, que a comunidade tem dado sinais muito positivos de colaboração em algumas iniciativas, que visam angariar fundos para esta causa”.

Segundo o padre Silvano, “mais iniciativas se preveem realizar, com a entrada em funcionamento, da nova equipa do conselho económico paroquial. O objetivo é divulgar e despertar em todos aqueles que se identificam com o seu património, para a importância de atuar, nesta hora da História. Acredito que, a ‘alma sardoalense’, fará e dará o seu melhor, para estar à altura daquilo que é seu, por via da herança recebida”.

Relativamente à data até à qual podem ser realizados os donativos, o padre explica que a Paróquia tem “como principal meta, o final do presente ano civil, para angariar 125.000,00 euros, a fim de podermos validar a candidatura a que nos propomos”.

No entanto, “a dinâmica de angariação de fundos não vai terminar, pois, para além desta primeira fase, que vai contemplar intervenções estruturais da Igreja Matriz, seguir-se-á uma segunda fase, que se ocupará do muito património artístico, a exigir uma profunda intervenção de conservação e restauro”, acrescenta.

Sobre um eventual “outro caminho”, no caso da Paróquia não conseguir a referida verba monetária, designadamente através da Diocese de Portalegre-Castelo Branco ou recorrendo ao Episcopado ou até mesmo ao Vaticano, o padre Silvano Vasconcelos considerou “prematuras” outras hipóteses, que não afastou serem colocadas “a seu tempo”.

Por agora, “focamo-nos em trabalhar, e fazer tudo quanto estiver ao nosso alcance, para atingir a meta pretendida”, declarou.

Os interessados em apoiar a Paróquia poderão “fazer o seu donativo, presencialmente, ou por transferência bancária, junto da Caixa Geral de Depósitos, para o seguinte IBAN – PT50 0035 0760 00008688 530 34”, lê-se ainda no comunicado assinado pelo padre.

O templo é o elemento patrimonial mais importante do concelho. A igreja foi construída nos finais do século XIV ou século XV. Possui elementos de várias épocas, Gótico, Renascimento, Barroco até ao Neoclássico. Do século XVI, os elementos mais importantes são seguramente as tábuas do Mestre do Sardoal. O altar-mor em talha dourada, do período Barroco Joanino, e os painéis de azulejos de Gabriel del Barco são outros elementos a destacar.

A Igreja Matriz da Paróquia de São Tiago e São Mateus que possui três naves e a Capela lateral dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, onde estão as Tábuas do Mestre Sardoal, deixadas por Vicente Gil e Manuel Vicente, é uma das mais importantes heranças culturais e artísticas do concelho de Sardoal.

A importância da oficina do Mestre do Sardoal para a História da Arte Portuguesa centra-se na transição do estilo gótico para o renascentista, designados por “Primitivos Portugueses”.

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A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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