Igreja Matriz de Sardoal. Fotografia: CMS

Em visita pastoral o bispo de Portalegre/Castelo-Branco visitou Sardoal onde o executivo municipal deu conta da requalificação da Igreja Matriz de Sardoal ser “um dos assuntos mais importantes” para o concelho. A necessidade urgente de recuperação daquele património dos finais do século XIV, com graves problemas de conservação, não só do edifício como do património integrado e móvel, voltou a ser abordada em reunião de executivo.

“A requalificação da Igreja Matriz deveria ser uma prioridade dentro daquilo que é a recuperação, a valorização e o evitar da degradação de um monumento, urge que a sua deterioração não continue pondo em risco a História, a Cultura do nosso País. Recordo que muitas das obras que lá estão, não só as obras do Mestre Sardoal mas outras também são de grande importância, de grande valor não só municipal mas até valor nacional, e deveria haver uma maior proatividade em relação a estas matérias”, afirmou o presidente da Câmara Municipal, Miguel Borges (PSD).

Igreja Matriz de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

Recorda-se que em 2020 o Turismo de Portugal rejeitou a candidatura da Fábrica da Igreja Paroquial da freguesia de Sardoal ao Programa “Valorizar”, no âmbito da requalificação da Igreja Matriz, por considerar não ser património do interesse turístico nacional.

Mas, agora, no contrato do Instrumento Territorial Integrado (ITI) está plasmado um conjunto de investimentos para o concelho de Sardoal, que ascendem a cinco milhões de euros, para executar até 2027, no qual consta a tão aguardada reabilitação da Igreja Matriz de Sardoal. Nesse âmbito mereceu garantia parcial de financiamento, num investimento global na ordem dos 500 mil euros.

“O Município disponibiliza, dentro daquilo que são os seus valores nos Instrumentos Territoriais Integrados, 375 mil euros” mas faltam 125 mil euros para o investimento total, diz Miguel Borges.

Para o presidente “parece lógico” que “quem tem de tratar desses 125 mil euros será o dono do imóvel, seria a Igreja. […] parece mais do que justo. Foi essa sensibilização que tentei dar ao senhor bispo. Tudo está a ser pensado”, porém, “a candidatura tem de ser feita até final deste ano”, alerta. Caso contrário esses 375 mil euros do Município de Sardoal “serão encaminhados para outros projetos”.

Miguel Borges considera “uma pena”, caso a “oportunidade” para a requalificação da Igreja Matriz de Sardoal não seja aproveitada.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE SARDOAL, MIGUEL BORGES

Do lado da oposição, o vereador do Partido Socialista, Pedro Duque, disse concordar com o apoio municipal considerando uma medida “equilibrada”.

Visita em 2020 da então secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, à Igreja Matriz de Sardoal. Créditos: CMS

O templo é o elemento patrimonial mais importante do concelho. Foi construída nos finais do século XIV ou século XV. Possui elementos de várias épocas, Gótico, Renascimento, Barroco até ao Neoclássico. Do século XVI os elementos mais importantes são seguramente as tábuas do Mestre do Sardoal. O altar-mor em talha dourada, do período Barroco Joanino, e os painéis de azulejos de Gabriel del Barco são outros elementos a destacar.

A Igreja Matriz da Paróquia de São Tiago e São Mateus que possui três naves, rosácea e do lado esquerdo, a Capela lateral dedicada ao Sagrado Coração de Jesus onde estão as Tábuas do Mestre Sardoal, deixadas por Vicente Gil e Manuel Vicente, é uma das mais importantes heranças culturais e artísticas do concelho.

A importância da oficina do Mestre do Sardoal para a História da Arte Portuguesa centra-se na transição do estilo gótico para o renascentista, designados por “Primitivos Portugueses”.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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