Câmara aprova contrato de comodato para obras "urgentes" na Igreja Matriz de Sardoal. Foto: DR

Após a assinatura do contrato de comodato, a Fábrica da Igreja, como proprietário da Igreja Matriz de Sardoal, cede o imóvel a favor do Município de Sardoal para que a requalificação daquele património seja uma realidade através do Instrumento Territorial Integrado (ITI) e respetivos fundos comunitários, num investimento de 500 mil euros, sendo a Fábrica da Igreja responsável pela componente nacional, no valor de 125 mil euros. O Município disponibiliza 375 mil euros através do ITI com a candidatura a ser realizada até final de 2024.

Com o agora aprovado contrato de comodato – este tipo de contrato serve para emprestar algo com valor material a outrem, durante um período de tempo, e garantir que o mesmo lhe seja devolvido no estado em que foi emprestado – a Câmara Municipal será “a dona da obra”, explica o presidente Miguel Borges (PSD).

Isto porque o dinheiro disponibilizado pela União Europeia, através dos ITI, “é para ser gasto pelo município” acrescenta o presidente da Câmara, sendo o contrato de comodato a forma encontrada para que a gestão do imóvel passe para a autarquia.

“Permite a utilização dos dinheiros públicos devidos ao município, uma parte desse dinheiro, que possamos ser nós a avançar com todos os procedimentos, acompanhar […] sempre com a salvaguarda que a Igreja terá aqui o seu papel importante”.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE SARDOAL, MIGUEL BORGES

Entretanto, a Paróquia do Sardoal lançou um peditório à população com o objetivo de conseguir juntar o montante necessário para a requalificação da Igreja Matriz, cujo edifício e património está muito degradado e a necessitar de uma intervenção.

Segundo o executivo municipal a requalificação da Igreja Matriz de Sardoal é “um dos assuntos mais importantes” para o concelho. Uma necessidade urgente de recuperação daquele património dos finais do século XIV, com graves problemas de conservação, não só do edifício como do património integrado e móvel.

“A requalificação da Igreja Matriz deveria ser uma prioridade dentro daquilo que é a recuperação, a valorização e o evitar da degradação de um monumento, urge que a sua deterioração não continue pondo em risco a História, a Cultura do nosso País. Recordo que muitas das obras que lá estão, não só as obras do Mestre Sardoal mas outras também são de grande importância, de grande valor não só municipal mas até valor nacional, e deveria haver uma maior proatividade em relação a estas matérias”, tem vindo a afirmar o presidente.

Recorda-se que em 2020 o Turismo de Portugal rejeitou a candidatura da Fábrica da Igreja Paroquial da freguesia de Sardoal ao Programa “Valorizar”, no âmbito da requalificação da Igreja Matriz, por considerar não ser património do interesse turístico nacional.

Mas, agora, no contrato do ITI está plasmado um conjunto de investimentos para o concelho de Sardoal, que ascendem a cinco milhões de euros, para executar até 2027, no qual consta a tão aguardada reabilitação da Igreja Matriz de Sardoal. Nesse âmbito mereceu garantia parcial de financiamento, num investimento global na ordem dos 500 mil euros.

O templo é o elemento patrimonial mais importante do concelho. Foi construída nos finais do século XIV ou século XV. Possui elementos de várias épocas, Gótico, Renascimento, Barroco até ao Neoclássico. Do século XVI os elementos mais importantes são seguramente as tábuas do Mestre do Sardoal. O altar-mor em talha dourada, do período Barroco Joanino, e os painéis de azulejos de Gabriel del Barco são outros elementos a destacar.

A Igreja Matriz da Paróquia de São Tiago e São Mateus que possui três naves, rosácea e do lado esquerdo, a Capela lateral dedicada ao Sagrado Coração de Jesus onde estão as Tábuas do Mestre Sardoal, deixadas por Vicente Gil e Manuel Vicente, é uma das mais importantes heranças culturais e artísticas do concelho.

A importância da oficina do Mestre do Sardoal para a História da Arte Portuguesa centra-se na transição do estilo gótico para o renascentista, designados por “Primitivos Portugueses”.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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