Pé ante pé, assim se percorreram os cerca de 10,5 quilómetros que constituem o Trilho Panorâmico do Tejo – um recente produto turístico do concelho de Vila Nova da Barquinha – naquele que foi um passeio interpretativo que visou assinalar o primeiro aniversário do percurso.
Nem a conjugação de baixas temperaturas com nevoeiro e um céu cinzento conseguiram demover os mais de 150 participantes que participaram na atividade, e que tiveram assim a oportunidade de desfrutar deste percurso linear pontuado por diversos locais de interesse histórico, contando com o rio Tejo como fiel companheiro e com o verde da natureza como paisagem constante.
Em permanente vigia encontrava-se o imponente Castelo de Almourol, ex-libris barquinhense, que mesmo entre nevoeiro deslumbra com o seu esplendor. A abrilhantar o passeio, foram vários os apontamentos históricos feitos – entre lavadeiras na Fonte da Galiana, frades no Convento do Loureto ou cavaleiros templários no Cais de Tancos – que deliciaram os participantes.
Entre estes encontrava-se Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, que, em jeito de balanço, disse ao nosso jornal que o trilho tem sido “um sucesso pela sua frequência e essencialmente pela visitação que se faz”.
“O primeiro ano foi excelente, recentemente foi capa de uma revista nacional (…) e toda a envolvência, quer do rio Zêzere, da sua foz, passando por Paio de Pele (Praia do Ribatejo), pela ponte de Eifell, pela Fonte da Galiana, Castelo de Almourol, até Tancos, tem suscitado muita curiosidade, muita gente a querer voltar a fazê-lo e de facto para o território importa de sobremaneira publicitá-lo, promovê-lo e divulgá-lo, porque só se ama aquilo que se conhece”, disse o autarca.
Fernando Freire evidenciou ainda o cuidado que se tem tido com a manutenção e conservação do trilho, “no sentido de a visitação se fazer mais perene e mais contínua” e que este “está aí para o futuro, e de facto com perspetivas de boa afluência”.
Além da muita histórica envolvente ao percurso, Freire destaca ainda a fauna e a flora que é possível apreciar ao longo do trajeto, entre espécies de árvores como freixos, carvalhos, choupos e um tipo de fauna “completamente ímpar”, onde as várias cegonhas bastante visíveis em Praia do Ribatejo encantam quem não conhece o local.
Mas também a “questão ribeirinha, toda a envolvência do próprio rio, da própria comunidade que vive o rio e sente o rio – e estou a falar de comunidade animal – é um fascínio de facto e também uma paz e um sossego inolvidável”, considera o líder do município barquinhense.
As cheias que atingiram o concelho e a região também chegaram ao Trilho Panorâmico do Tejo, no entanto os únicos estragos existentes “tiveram a ver com alguns detritos que foram colocados junto das respetivas margens, tivemos o cuidado de em tempo de cheias o cortar, ou seja de o considerar intransitável. Recentemente fizemos a sua limpeza e neste momento está pronto a ser, no fundo, usufruído”.
“O que interessa é fruir desta paisagem, da envolvência e também de toda a sua fauna e a sua flora”, resumiu, em jeito de convite, Fernando Freire.
“Essencialmente um trilho de dificuldade mínima, temos de facto paisagens únicas sobre o rio, quer sobre o Zêzere quer sobre o Tejo, e para além disso também podemos acompanhar toda a envolvência em termos de gastronomia. Temos também muita restauração, neste momento está a decorrer o Mês do Sável, aproveitar também para saborear um bom sável – já que a lampreia tem sido escassa – mas de facto visitem os territórios, sintam os territórios e amem os territórios, é esta a mensagem”, afirmou Fernando Freire.
Trilho Panorâmico do Tejo, um percurso rico tanto em património natural como histórico
Unindo a terra dos sorrisos à vila poema, o trilho permite aos que nele se aventurarem passar por locais icónicos como a Ponte de Praia do Ribatejo – passando-se debaixo da primeira ponte ferroviária feita em Portugal por Maison Eiffel – encontrando-se depois um pouco à frente as antigas fábricas e serrações de madeira de Manuel Vieira da Cruz e Filhos e Tomás da Cruz, que tiveram uma importância ímpar no desenvolvimento desta freguesia.
Ainda por terras praienses o Cais de Pai Avô, agora reabilitado, e abrigo para os barcos que navegam nas águas do Tejo é digno do nota, bem como a fonte da Galiana, encontrada mais à frente, local histórico de Praia do Ribatejo, que outrora servia para lavar a roupa e como “rede social”, cuja idade avançada não permite saber a sua identidade, sabendo-se no entanto que por ali já passavam os frades do Convento do Loreto, outro local histórico enquadrado no percurso.
Até, vai-se passando pelo meio da natureza, entre freixos, carvalhos, choupos e túneis de canas que nos convidam à passagem e a descobrir um pouco mais do que a natureza nos tem para oferecer. Em certas partes, destapa-se a vista para um Castelo de Almourol idílico, com uma paisagem que parece ter sido retirada de um dos melhores filmes de fantasia.
É, aliás, essa a cereja no topo do bolo deste percurso, ou não fosse o Castelo de Almourol o símbolo maior do concelho barquinhense. Além de ser um dos monumentos medievais mais emblemáticos digno de visita e de apreciação da sua figura, o Castelo de Almourol é também ele rico em património cultural, sendo objeto de várias lendas e histórias.
Também a freguesia ribeirinha de Tancos é trespassada por este trilho, pelo que é possível desfrutar da beleza da sua zona baixia, do Cais d’ El Rei e da vista soberba para o Arripiado, localidade do concelho da Chamusca que se eleva na margem oposta do rio.
Mais perto do coração da vila barquinhense, encontra-se a oficina do Calafate, onde se pode ainda vislumbrar uma canoa do mestre José Marques, sendo que, já dentro de Vila Nova da Barquinha, num dos pontos de partida ou chegada do percurso, se encontra o Barquinha Parque (Parque Ribeirinho) com cerca de 7 hectares e que alberga o Parque de Escultura Contemporânea, espaço que conquistou o Prémio Nacional de Arquitetura Paisagista em 2007. É neste parque que se podem apreciar 11 peças de arte de grandes dimensões de autores como Joana Vasconcelos ou Rui Chafes .Ali bem perto existe também um outro espaço dedicado à arte – a Galeria do Parque – com exposições de arte contemporânea com curadoria da Fundação EDP.
O local de confluência, onde os rios Tejo e Zêzere se tocam e encontram, na ponta contrária à do Barquinha Parque, é outra paisagem ímpar a ser apreciada do trilho e em especial dos miradouros agora colocados.
São portanto várias as descobertas a fazerem-se ao longo deste trilho, que prima igualmente pela tranquilidade que transmite, o silêncio e a natureza reinam ao longo da maioria do percurso.
O trilho em si, aliás, não era totalmente desconhecido para as gentes da terra e visitantes mais atentos, tendo sido primeiramente lavrado pelo Grupo de Cicloturismo Barquinhense em diferentes trilhos separados, como o de Luiz Vaz de Camões, Galiana, Castelo e da Lampreia. Agora, no entanto, o município uniu esses trilhos num só, o qual foi renovado e dotado de outras estruturas e maior segurança.
A intervenção feita foi mínima, numa tentativa de se preservar o património natural, pelo que o trajeto dispõe apenas de escadas, passadiços, corrimãos ou miradouros nas zonas de maior necessidade e indispensáveis à segurança dos aventureiros.
O objetivo é também que o trilho funcione como elemento de atração para outras produtos turísticos do concelho como a Igreja Matriz de Tancos, o Parque de Escultura Contemporânea, ou o Centro de Interpretação Templário.
Fazendo as maravilhas dos apreciadores de caminhadas e de ciclistas, o trilho foi inaugurado em fevereiro 2022, num investimento de cerca de 300 mil euros realizado pela Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha (comparticipado a 85% por fundos comunitários).
O percurso, que pretende vir a ligar-se com outros ao longo dos concelhos de Constância e Abrantes até à Rota das Pesqueiras e Lagoas do Tejo, insere-se numa iniciativa intermunicipal, o projeto Rotas e Percursos do Médio Tejo, da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Pode consultar aqui o folheto do mesmo.

























Que lindo ver valorizar este património cultural e ambiental <3
Sou Italiana, estou a morar em Vila Nova da Barquinha , acho que estos alrededores sejam muito interessantes e , sobretudo, Portugal não pode se limitar em Lisboa.
Grande valor turístico tem o Ribatejo, , precisa valorizar sus tesouros cultural e artísticos , pérolas como Tomar e Convento de Cristo, Abrantes, Almoroul…..Parabéns pela iniciativa!
È possível participar no projeto?