Cheias em Vila Nova da Barquinha, junto ao Castelo de Almourol. Fotografia: Paulo Jorge de Sousa/Arquivo mediotejo.net

As cheias que assolaram o país e a região no passado mês de dezembro não deixaram o concelho de Vila Nova da Barquinha incólume, especialmente junto à zona ribeirinha, no cais de Tancos e no cais de Almourol, onde até as placas sinaléticas turísticas foram levadas pela corrente.

O dano mais relevante, no entanto, ocorreu no cais sul de Almourol, o qual “ficou completamente destruído, estando-se a falar de um prejuízo no valor de cerca de cem mil euros”, revelou Fernando Freire (PS), presidente da autarquia, à comunicação social.

Os danos neste cais, inaugurado há dez anos, ocorreram “essencialmente” devido “à questão das instabilidades, e também porque tinha uma estrutura muito em aço”, algo que já não sucede no cais do lado norte, o qual tinha sido reparado há dois meses, tendo ali sido colocados flutuadores, explicou Fernando Freire.

ÁUDIO | Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha

Segundo o autarca, o grande problema, tal como já reportou à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), é que existe uma variação de caudal significativa. “De repente temos dois metros acima do leito normal do rio, e depois de repente temos dois metros abaixo do rio, o que tem a ver com a questão das descargas completamente aleatórias por parte das barragens”, ou seja, com a produção de eletricidade.

“De repente temos dois metros acima do leito normal do rio, e depois de repente temos dois metros abaixo do rio, o que tem a ver com a questão das descargas completamente aleatórias por parte das barragens”, ou seja, com a produção de eletricidade

Estes danos no cais de Almourol foram provocados pelas cheias decorrentes das chuvas intensas de dezembro, e da violência das correntes que se fizeram sentir. “Felizmente o cais de Tancos, que também é novo, colocado no ano passado, resistiu a esta intempérie, mas o outro que já tinha cerca de dez anos de idade, não resistiu e ficou destroçado no fundo, empenado… completamente destruído”, explicou o autarca.

Já quanto ao Trilho Panorâmico do Tejo – interditado por questões de segurança – Fernando Freire referiu situações “pontuais”, nomeadamente com uma parte de um passadiço na margem direita do Zêzere que ficou alagado mas que não sofreu danos, até porque a grande parte da força das água vinha no sentido do Tejo.

“Tudo o que temos de fazer é limpeza, houve queda de pedras, obstruções dos trilhos, mas tudo são coisas sem valor significativo. Relevante, em termos de despesa, é o cais sul de Almourol”.

No trilho Panorâmico do Tejo não foram registados prejuízos avultados, sendo no entanto necessárias algumas ações de limpeza. Foto: CMVNB

O valor de cem mil euros apontado pelo líder do município barquinhense tem por referência valores de 2021, aquando da aquisição do cais de Tancos, sendo que a autarquia – tal como tem sido feito noutras zonas do país, nomeadamente Lisboa, Porto e Alto Alentejo – vai inventariar os prejuízos e enviar para a administração central, em busca de alguma comparticipação por parte do Estado.

Questionado pela comunicação social quanto à possibilidade de uma ação conjunta por parte dos municípios da região afetados através da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), Fernando Freire disse que já falou inclusivamente com Vasco Estrela (PSD), presidente da Câmara Municipal de Mação – tendo em conta os estragos sofridos nos passadiços de Ortiga – pelo que esse “é um assunto que vamos levar à Comunidade Intermunicipal para que também discutamos todos entre todos, façamos um inventário das respetivas despesas para remetermos para a tutela estas situações”.

“Uma ação concertada terá muito mais peso do que eventualmente um ato isolado”, entende Fernando Freire.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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