Foto: mediotejo.net

Na margem direita do rio Tejo, aos pés da freguesia de Ortiga, concelho de Mação, foi inaugurada oficialmente a Rota das Pesqueiras e Lagoas do Tejo. Um percurso misto, entre passadiços em madeira e trilhos pedestres, recente projeto turístico do concelho que tem o intuito de melhorar e incentivar a fruição do património natural local, voltando as pessoas para o rio e aproximando-as da história e tradição da comunidade ribeirinha de Ortiga. Esta rota, agora concluída com os seus ajustes finais e que ganhou um miradouro panorâmico vigilante, é ainda uma homenagem às gentes que viveram das lides da pesca e que dali tiraram sustento para as suas famílias.

O projeto, da autoria do atelier Modo Associados Arquitetura e Engenharia, de Sardoal, representa um investimento de 300 mil euros, tendo sido comparticipado por fundos comunitários em 85%.

Numa manhã cinzenta, bastante ventosa, a chuva não se quis fazer convidada e isso facilitou a singela cerimónia inaugural que contou com presença de diversos representantes de entidades e instituições concelhias, e presidida por Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação, e contando com a presença de Isabel Damasceno, presidente da CCDR Centro, e de Miguel Pombeiro, secretário executivo da CIM do Médio Tejo.

Foto: mediotejo.net

O Tejo corria com um caudal composto, o que tornava a tela mais agradável. Depois de descerrada a placa, e tempo para reconhecer as mais-valias deste investimento e a riqueza do território e património que Mação quer, com esta nova rota, evidenciar.

Vasco Estrela admitiu-se emocionado com este feito, sendo que este era um projeto que lhe era caro, algo que pretendia deixar feito enquanto dirigisse os destinos da autarquia maçaense. E conseguiu. Desde 2014 que o projeto estava ponderado, e também havia da população a vontade de mostrar a sua vivência de proximidade com o rio, numa relação em que sempre tem tratado o Tejo por tu.

“Disse inúmeras vezes isto: que achava que a população do concelho de Mação vivia muito de costas voltadas para o rio Tejo, com exceção da população de Ortiga. Tinha e mantenho esta intenção, e espero que a Câmara Municipal no futuro possa continuar nesta senda de aproximação do rio e da população. Estes passadiços vão ao encontro deste objetivo”, notou.

Foto: mediotejo.net

Este projeto, sublinhou o autarca, foi feito de e para as pessoas, e não deixando de tecer agradecimentos aos proprietários de terrenos que esta rota atravessa.

“Penso que este é um projeto abrangente, que envolveu várias pessoas, várias entidades, e que a partir de agora fica efetivamente disponível para a população do concelho de Mação, para a população da região da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e de todo o país. É mais um motivo de atração do concelho de Mação, de promoção, junto a um rio que infelizmente tem, várias vezes, sido falado pelas más notícias. Que este singelo projeto possa contribuir para que o rio seja conhecido pelas boas razões”, acrescentou.

Por fim, o autarca deixou claro que esta obra é “uma homenagem às pessoas que vivem e viveram do rio Tejo e que fizeram do rio, das margens, das pesqueiras, forma de terem o seu sustento e de poderem criar e educar os seus filhos. Estamos também hoje, muito em particular, a homenagear as pessoas de Ortiga, a quem presto também a minha homenagem e digo que, realmente, são diferentes também por esta particularidade e o concelho de Mação tem muita honra na história que aqui foi construída ao longo de muitos e muitos anos”.

ÁUDIO | Vasco Estrela, presidente da CM Mação

Por sua vez, a presidente da CCDR Centro, Isabel Damasceno, começou por dizer que “este projeto insere-se num projeto mais abrangente apresentado pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo” e que este tipo de investimentos têm sido conseguidos “graças à solidariedade da Europa” por via de fundos comunitários.

Reconheceu “a visão” da CIMT por ter apresentado um projeto “tão completo e tão interessante, explorando a riqueza natural que este território do Médio Tejo tem”, destacando como “riquezas naturais ímpares” os rios Tejo e Zêzere.

Foto: mediotejo.net

Isabel Damasceno sublinhou a importância deste projeto abrangente com “lógica de integração” e que pretende “ir interligando as ideias que vão surgindo em cada um dos concelhos” ribeirinhos do Médio Tejo.

A presidente da CCDR Centro reconheceu este tipo de projetos como forma de tornar os territórios “diferentes”, e que “é importante que cada terra, região, território, faça realça as suas particularidades e diferenças”.

ÁUDIO | Isabel Damasceno, presidente da CCDR Centro

Em representação da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, Miguel Pombeiro, felicitou o autarca maçaense “pelas qualidades da intervenção, mas também pela sua perseverança” em concluir este projeto.

O secretário executivo da CIM Médio Tejo relembrou o projeto mais vasto, de rotas e percursos da região, num investimento global que supera os 2 milhões de euros em fundos comunitários.

Foto: mediotejo.net

“Está em plena execução, foi uma das candidaturas que demorou mais tempo a arrancar”, disse, destacando “o caráter único do Médio Tejo na questão do património natural”, enumerando os rios e linhas de água do território, do Tejo ao Zêzere, do Nabão ao Alviela, o Almonda e o Ocreza.

“Linhas de água muito relevantes e todas elas revelam um potencial muito grande para intervenção e fruição. É nesse contexto que o Médio Tejo se tem empenhado”, concluiu.

ÁUDIO | Miguel Pombeiro, secretário executivo da CIM do Médio Tejo

Junto ao Bairro dos Pescadores, ou do que resta deste, ali imortalizado mas também na memória de quem outrora percorria esta margem direita do Tejo, agora é possível ao longo de cerca de 1,3 km atravessar de forma acessível os passadiços e explorar a envolvente das pesqueiras e lagoas do Tejo, até ao Morro da Boavista, onde se instalou um miradouro que permite uma vista desafogada sobre o outro lado do rio, avistando-se os campos férteis da freguesia de Alvega, já no concelho vizinho de Abrantes.

O local, intervencionado em coerência com o seu estado puro para promover maior conforto, segurança e comodidade aos caminhantes e visitantes, permite agora que miúdos e graúdos de todas as idades e sejam quais forem as suas capacidades, possam percorrer este local e usufruir da tranquilidade, das sensações, aromas e cheiros, e dos sons que a natureza e a vivência local proporcionam.

Foto: mediotejo.net

Desde o som das aves que esvoaçam a cruzar os céus, o som dos carros a passarem na ponte da barragem hidroelétrica, o vento a passar entre as árvores e a água que corre no rio, e até a sorte de coincidir com a passagem dos comboios na Linha da Beira Baixa, tudo completa esta imagem, qual postal que se leva na bagagem para mais tarde recordar a viagem.

O percurso faz-se ao longo do Tejo, em que o rio é o fio condutor de uma visita com direito a miradouro sobre o curso de água, sobre as mais de 20 pesqueiras tradicionais e de ligação às Lagoas do Tejo. Tudo isto aos pés de Ortiga e sempre de olhos postos no rio.

Para a viagem ficar completa, pode-se usufruir do Núcleo Museológico de Ortiga, inaugurado em 2020, mas sem antes passar pela praia fluvial e o Parque de Campismo de Ortiga, a alguns metros dali.

Foto: mediotejo.net

Já no museu, encontra-se uma coleção de peças ligadas às artes da pesca e à comunidade ribeirinha de Ortiga, perpetuando as suas vivências e tradições. O Rio Tejo é o elemento central deste espaço museológico, onde não falta ainda o tradicional barco picareto, que assume o seu lugar no trono.

A experiência completa-se com a oferta gastronómica, onde os dois restaurantes da freguesia de Ortiga e os restantes do concelho poderão oferecer pratos típicos, nomeadamente de peixe do rio e, por esta altura, até decorre o Festival da Lampreia – onde o Arroz de Lampreia à moda de Mação faz jus à fama e atrai romarias de norte a sul do país para degustar uma iguaria sui generis, que ou se ama, ou se odeia.

ENTREVISTA a Vasco Estrela, autarca maçaense, sobre a importância deste projeto para o desenvolvimento local e valorização do património

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Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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