Tomar. Foto: Arlindo Homem

A Câmara Municipal de Tomar aprovou a prorrogação do Plano de Pormenor da futura Zona Industrial de Vale dos Ovos por mais três anos, num plano que é “mais um instrumento de gestão de território” que visa melhorar “as condições de atratividade económica e empresarial” do concelho, referiu Hugo Cristóvão (PS), vice-presidente da autarquia. O ponto foi aprovado pela maioria socialista, com três votos contra por parte dos vereadores do PSD, que fizeram uma declaração de voto.

Foi durante a reunião de Câmara de 10 de janeiro que o Plano de Pormenor de Vale dos Ovos, que objetiva a execução de um novo parque industrial, foi prorrogado por mais três anos. O vereador Hugo Cristóvão referiu na sua intervenção que este Plano de Pormenor é uma “intenção expressa” no novo Plano Diretor Municipal (PDM) e que se começou a trabalhar nele já há algum tempo.

“É claro que nós tentámos começar a trabalhar neste plano há algum tempo, precisamente quando tínhamos da nossa parte, município, já esse trabalho PDM produzido, e por um lado, com alguma ingenuidade, acreditando que aquela fase posterior com responsabilidade das entidades seria mais reduzida”, começou por explicar o vereador socialista.

Hugo Cristóvão referiu ainda que depois durante algum tempo não foi possível avançar “muito mais” do que aquilo que é o ponto de situação atual, que é o de pedir pareceres preparatórios a um conjunto de entidades para a elaboração técnica deste plano, “que tem essencialmente que ver com infraestruturas, de eletricidade, gás, água e saneamento, tudo aquilo que é necessário para dar suporte não só à zona abrangida pelo Plano, que será o novo Parque Empresarial, mas também à sua envolvência, e às comunidades na sua envolvência”, explicou o edil.

ÁUDIO | HUGO CRISTOVÃO (PS), VEREADOR CM TOMAR:

São esses pareceres, os quais já foram solicitados às entidades mas que o município ainda não recebeu e que são essenciais para que se possa avançar para o passo seguinte, com o autarca a explicar que, “de qualquer forma”, também não era possível avançar muito mais até ao momento, uma vez que o PDM ainda estava para entrar em vigor.

“E portanto este Plano é mais um instrumento de gestão do território com que pretendemos avançar. Neste caso é um totalmente novo, para também melhorar aquilo que são, neste caso, as condições de atratividade económica e empresarial do nosso concelho”, finalizou Hugo Cristóvão.

Os vereadores eleitos pelo Partido Social Democrata votaram contra a proposta, apresentando uma declaração de voto. Foto: PSD Tomar

Os eleitos do PSD, por sua vez, não se mostraram convencidos. Foi a vereadora Lurdes Ferromau Fernandes quem interveio, começando por lembrar alguns pressupostos da deliberação aprovada a 7 de janeiro de 2019, entre os quais que se “constituía grande objetivo do mesmo a criação de um espaço de acolhimento de atividades económicas, o que tanto faz falta no nosso concelho. Espaços atrativos e vantajosos para a fixação de empresas, constituindo-se como indutor de competitividade do território e do concelho quer em termos económicos como sociais”, pelo que “de facto o PSD não pode estar mais de acordo com estes pressupostos”.

“Contudo”, ressalvou a vereadora eleita pelo Partido Social Democrata, “a realidade que nos é presente traduz uma falta de inoperância e de eficácia desta Câmara na condução de matérias estratégicas para o nosso concelho. Se não vejamos uma deliberação que já fez três anos e que é deixada sem continuidade”, acrescentando que se se analisar, existiram 32 meses desde essa deliberação em que não aconteceu nada.

ÁUDIO | LURDES FERROMAU FERNANDES (PSD), VEREADORA CM TOMAR:

“Para além disto, o que nos é proposto hoje, esta proposta de deliberação que vem a reunião de câmara – feita fora de prazo, pois já passou o dia 7 de janeiro, já passaram os três anos – o que demonstra falta de organização e falta de profissionalismo. O PSD vai votar conta, com declaração de voto”, declarou a vereadora.

Também Tiago Carrão, vereador do PSD, mostrou o seu descontentamento com este processo através de um artigo de opinião que fez chegar ao nosso jornal, onde refere que após três anos “em que pouco ou nada se fez para concretizar o Plano de Pormenor de Vale dos Ovos” se está “de volta à casa de partida”.

“Mas, desta vez, acabaram-se os ‘créditos’ e esta é a última oportunidade, caso contrário, será determinada a caducidade do procedimento e cai por terra uma das grandes prioridades da gestão socialista, a zona industrial de Vale dos Ovos”, escreveu o jovem autarca para quem a razão da necessidade de prorrogação parece evidente:

“Após a aprovação do procedimento, a 7 de janeiro de 2019, só em outubro de 2021, a 3 meses de acabar o prazo, é que foi enviado um pedido de informação sobre as infraestruturas existentes ou previstas a empresas como a Tejo Ambiente, a Tagus Gás e as telecomunicações”, refere Tiago Carrão.

Apesar dos votos desfavoráveis do PSD (3), o ponto acabou por ser aprovado pela maioria do Partido Socialista (4), pelo que a prorrogação foi aprovada por mais três anos, vigorando assim até 7 janeiro de 2025.

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Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo. Ávido leitor, não dispensa no entanto um bom filme e um bom serão na companhia dos amigos.

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