Rodrigo Castelo e Ana Mendes Castelo. Foto: GUIA MICHELIN 2025

Os restaurantes Marlene, em Lisboa, e Blind, no Porto, conquistaram a primeira estrela Michelin, tornando as ‘chefs’ Marlene Vieira e Rita Magro as primeiras mulheres a receberem esta distinção na segunda edição da gala exclusivamente nacional. A primeira ‘chef’ portuguesa a receber uma estrela Michelin foi Maria Alice Marto, em 1993, com o restaurante Tia Alice, em Fátima, o que torna as duas ‘chef’ agora distinguidas as primeiras mulheres a receber esta distinção nos últimos 30 anos. 

O restaurante “Ó Balcão”, do chef Rodrigo Castelo, manteve a estrela Michelin conquistada em 2024, integrando a exclusiva lista de 38 espaços com este galardão (ver listagem em baixo). No ano passado, Santarém voltou a entrar no mapa do guia turístico, onde constam os restaurantes mais famosos do mundo, com a cozinha deste chef novamente distinguido que apostou, em 2013, em converter uma velha taberna da cidade num espaço de culto gastronómico, honrando as raízes ribatejanas.

Falar de “Ó Balcão” é falar de partilha: os sabores, as memórias e a tradição de ser português, assim se definem naquele espaço gastronómico de Santarém. Por isso, afirmam que “no Ó Balcão, não espere menos do que uma experiência onde as tradições do Ribatejo são materializadas a cada momento”.

Por exemplo, no Charuto de Abóbora com Escabeche de Coelho, Macaron de Foie de Pato e Taco de Javali com Feijão e Malagueta Fermentada, ou ainda na Fataça, com Dashi de Algas com Arroz de Berbigão, algumas das sugestões que pode encontrar no restaurante.

As escolhas de Rodrigo Castelo também podem ser encontradas no restaurante “A Velha”, em Abrantes, que teve o chef como consultor na criação da carta.

Chef Victor Felisberto. Créditos: DR

Fica também em Abrantes o restaurante “Casa Chef Victor Felisberto”, que renovou pelo sexto ano consecutivo o galardão Bib Gourmand, uma distinção reservada pelos inspetores do centenário guia francês a locais com “refeições extraordinárias” por um preço médio abaixo dos 45 euros.

Este é o único Bib Gourmand na região do Médio Tejo, existindo 37 restaurantes em Portugal com esta distinção, na edição de 2025.

O chef Victor Felisberto, que tem no seu currículo duas Estrelas Michelin atribuídas pelo seu trabalho em Andorra e Inglaterra, abriu o seu próprio restaurante em Abrantes, em 2018. Destaque para as carnes cozinhadas a baixa temperatura em forno de lenha e para a originalidade das sobremesas, designadamente o fondant por exemplo de abóbora com gelado de baunilha.

Estes são os restaurantes premiados da região, mas o chef Louis Anjos, de Alcanena, manteve uma Estrela Michelin, sendo assim distinguido pela quarta vez, pelo seu trabalho no restaurante Al Sud, em Odiáxere, no Algarve.

O Chef Louis Anjos, natural de Minde, formou-se na Escola de Hotelaria de Fátima e conquistou esta Estrela MICHELIN para o restaurante Al-Sud, em Lagos. Fotografia: DR

O G Pousada, restaurante conduzido pelos irmãos Geadas, em Bragança, e onde trabalha o jovem chef de Tramagal, Jaime Casimiro, e também o tramagalense Nuno Ramalho, recentemente contratado, também manteve uma Estrela Michelin. O ‘G’ conquistou uma estrela em 2018 e nunca mais a perdeu.

Jaime Casimiro no restaurante G, em Bragança. Créditos: G

O Guia Michelin apresentou na terça-feira, 25 de fevereiro, na cidade do Porto, a sua nova seleção de restaurantes para 2025. Portugal continua a não ter um restaurante três Estrelas e nenhum dos restaurantes com uma Estrela subiu ao patamar superior das duas.

Segundo os inspetores do Guia Michelin, a aposta em receitas clássicas lusitanas é mais evidente no Norte do País, já que no Sul há maior influência de tendências internacionais, como nos restaurantes Ocean e Vila Joya, que este ano também renovam as suas duas Estrelas Michelin.

A seleção portuguesa de 2025 do Guia Michelin desafia a descobrir 46 restaurantes com Estrelas (8 com duas Estrelas e 38 com uma Estrela), sendo um, como referido, no distrito de Santarém.

A seleção do Guia Michelin Portugal 2025 inclui:
2 Estrelas Michelin: 8 restaurantes
1 Estrela Michelin: 38 restaurantes (8 novos)
Estrela Verde: 6 restaurantes (1 novo)
Bib Gourmand: 28 restaurantes (5 novos)
Recomendados: 116 restaurantes (35 novos)

No que diz respeito ao Bib Gourmand, que distingue os restaurantes com a melhor relação qualidade/preço, esta edição do Guia Michelin premiou cinco novos estabelecimentos: Canalha e Pigmeu (Lisboa), Contradição (Bragança), OMA (Porto) e Terruja (Alvados). O que os restaurantes Bib têm em comum é o seu estilo de confeção simples, reconhecível e fácil de comer.

Em baixo a lista completa de todas as Estrelas Michelin de Portugal, apresentadas por número de Estrelas e por ordem alfabética de cidade.

Albufeira – Vila Joya
Funchal – Il Gallo d’Oro
Leça da Palmeira – Casa de Chá da Boa Nova
Lisboa – Alma
Lisboa – Belcanto
Porches – Ocean
Porto – Antiqvvm
Vila Nova de Gaia – The Yeatman

Almancil – Gusto by Heinz Beck
Braga – Palatial
Bragança – G Pousada
Cascais – Fortaleza do Guincho
Funchal – Desarma
Funchal – William
Guimarães – A Cozinha
Lagoa – Bon Bon
Lagos – Al Sud
Lisboa – 2Monkeys
Lisboa – Arkhe
Lisboa – CURA
Lisboa – Eleven
Lisboa – Encanto
Lisboa – EPUR
Lisboa – Feitoria
Lisboa – Fifty Seconds
Lisboa – Grenache
Lisboa – Kabuki Lisboa
Lisboa – Kanazawa
Lisboa – Loco
Lisboa – Marlene
Lisboa – SÁLA de João Sá
Lisboa – YŌSO
Passos de Silgueiros – Mesa de Lemos
Portimão – Vista
Porto – Blind
Porto – Euskalduna Studio
Porto – Pedro Lemos
Porto – Le Monument
Porto – Vila Foz
Reguengos de Monsaraz – Herdade do Esporão
Santarém – Ó Balcão
Sintra – Lab by Sergi Arola
Sintra – Midori
Tavira – A Ver Tavira
Vila do Conde – Oculto
Vila Nova de Gaia – Vinha

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A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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