Foto: mediotejo.net

Como usual, abraços, beijinhos e palavras simpáticas não foram negadas por Marcelo Rebelo de Sousa a quem ganhava coragem e saltitava na sua frente, esperando que o seu pedido fosse correspondido, durante a sua visita a Abrantes. Antes da caminhada do Largo 1º de Maio até ao MIAA, o Presidente da República teve tempo para observar a iluminação natalícia, acenar e cumprimentar com quem se foi cruzando na rua, e, dentro da dinâmica em hora de ponta na cidade, nunca perdeu o ritmo, chegando pelo caminho a permitir umas quantas selfies esperadas durante horas – caso de um aluno da ESTA que ali aguardava desde a hora de almoço – bem como partilhar os seus prognósticos e considerações sobre a seleção portuguesa e o Mundial de Futebol.

VIDEO/REPORTAGEM/VISITA DE MARCELO A ABRANTES:

Não deixou de visitar o quiosque à entrada do 1º de Maio e comprar uma raspadinha, que depressa ofereceu à sua ajudante de campo, afirmando ter “pouca sorte nestas coisas”, mas arrancando um sorriso do proprietário, que lhe pediu uma fotografia, registando o momento para a posteridade.

Antes de entrar no MIAA, Marcelo fez mais uma visita extra programa e percorreu praticamente todas as salas da Biblioteca Municipal António Botto, numa visita em andamento rápido, surpreendendo funcionários e utilizadores jovens que por ali se encontravam a estudar, tendo passado a pente fino as prateleiras da sala de adultos, enumerando e procurando as diversas áreas científicas.

Passou pela estante dedicada à Política, e chegado ao canto dedicado ao Direito, desafiou os responsáveis pela divisão da cultura quanto à bibliografia que ali estaria ao dispor do público. Percorreu com os olhos cada título, e logo afirmou que teria de oferecer algum dos seus livros para integrar o catálogo, situação que pediu que ficasse anotada pela sua ajudante.

Segue-se para a visita ao Museu Ibérico de Arqueologia e Arte, contando com Fernando António Batista Pereira enquanto guia, juntando à técnica Filomena Gaspar. Marcelo Rebelo de Sousa demorou-se, embevecido, na zona dedicada à Escultura da Idade Média, com a imagem do século V da Virgem do Leite, de João Afonso.

Amante confesso de Arte e História, Marcelo Rebelo de Sousa foi-se demorando em cada detalhe das exposições permanentes, com projeto de museologia de Luiz Oosterbeek e Fernando António Batista Pereira, em parceria com o Serviço de Património e Museus do Município de Abrantes, visitando e querendo sempre saber mais, enquanto debatia os detalhes com Batista Pereira e Filomena Gaspar.

Percorreu cada obra, escultura e objeto exposto, dos oito núcleos dedicados à Escultura Romana; Pré-História; Idades do Bronze e do Ferro; Antiguidade; Tesouro; Arte da Idade Média e Idade Moderna; Escultura da Idade Média e do Renascimento em Abrantes.

Até que transitou para a coleção de pintura de Maria Lucília Moita, vulto importante para Abrantes e herdeira do naturalismo em Portugal, sendo aqui acompanhado dos filhos da pintora. Na assinatura do livro de honra do MIAA, o Presidente da República foi inclusive agraciado com uma obra da artista.

Pôde ainda debruçar-se pelas demais coleções ali patentes, nomeadamente acompanhando o Mestre José Pimenta, de Rio de Moinhos, percorrendo as suas obras e ficando intrigado e espantado com as “arqueologias” de Heitor Figueiredo.

Enquanto colecionador de arte, o Presidente da República também se deixou impressionar pela coleção de arte contemporânea de Fernando Figueiredo Ribeiro, questionando sobre o que motivou a aquisição desta e daquela peça.

A visita ao MIAA fez-se de grande presença de autarcas locais, representantes das mais diversas instituições e organismos concelhios, numa grande azáfama e boa disposição. Tiradas as fotos de grupo, e antes de partir para a rua, onde iria fazer questão de cumprimentar quem mais encontrasse e percorrendo estabelecimentos da cidade, houve tempo reservado para uma breve conferência de imprensa perante as dezenas de jornalistas presentes e que o acompanhavam na sua visita à região.

Marcelo Rebelo de Sousa fez um balanço da visita à rede de museus do concelho, mas a conversa ainda deu para falar de temas nacionais, caso da nomeação de Évora enquanto Capital Europeia da Cultura 2027 e para saber que irá assistir ao próximo jogo do Mundial a partir de Cabo Verde, esperando que Portugal carimbe passagem às meias-finais, ganhando a Marrocos.

O governante afirmou que, por si, prolongaria a visita, por ser adepto de museus. Quanto ao MIAA disse ser um museu diverso e que “cobre tudo”, da Pré-história aos dias de hoje, cabendo ali além da coleção municipal, muitas outras coleções privadas, dando relevância a artistas locais, e outros de renome nacional e internacional.

Elogiou ainda a museologia da rede cultural abrantina, referindo serem os espaços “muito atuais”, acrescentando que viu ali “do mais avançado” que tem visto neste âmbito.

ÁUDIO | Marcelo Rebelo de Sousa em curta entrevista aos jornalistas, após conclusão da visita ao MIAA, abordando ainda a escolha de Évora enquanto Capital Europeia da Cultura e adiantando que irá assistir ao próximo jogo do Mundial a partir de Cabo Verde, onde estará em visita.

Já para Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, este momento representa “motivação”, relembrando que há um ano não foi possível contar com a presença do Presidente da República na inauguração do MIAA, mas também a comunidade não pôde estar presente de forma representativa derivado dos constrangimentos da pandemia.

“É um sinal de esperança a presença do representante máximo do Estado. É um grande orgulho e de grande satisfação, e é algo que nos pode motivar a fazer mais e melhor”, notou.

Valamatos fez referência ao grande investimento do município na rede de museus e na cultura, referindo-se que estará prestes a ser inaugurado o MAC – Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida, no antigo Edifício Carneiro, fechando assim “a constelação de museus de Abrantes” com esperança de que os museus possam ser motivo de muitas visitas a Abrantes, reforçando a presença cultural tanto na cidade como em toda a região.

Áudio | Manuel Jorge Valamatos, presidente da CM Abrantes, referiu-se à visita de Marcelo Rebelo de Sousa cumprindo com o convite que ficou pendente após a inauguração do MIAA, em 2021.

Antes da visita ao MIAA, no cimo da cidade, dentro da fortaleza de Abrantes, Marcelo igual a si próprio seguia a passos certeiros e rápidos em direção ao destino, guiado pelo presidente de Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, que ia matando a curiosidade do governante nas múltiplas questões sobre o património que alcançasse ou até sobre a forma como a crise energética já estaria a afetar o município.

O tempo foi de visita à Rede de Museus do concelho de Abrantes, e por isso, à entrada no Panteão dos Almeida, Marcelo Rebelo de Sousa logo se deixou levar pela visita guiada de Filomena Gaspar, arqueóloga e técnica superior do serviço de museus do Município de Abrantes. E alheando-se, numa bolha, foi bebendo do conhecimento que lhe foi sendo transmitido, mas não sem partilhar as suas observações, as suas dúvidas e inquietações perante o património exposto.

O Presidente da República elogiou a modernidade dada àquele museu, após o trabalho que o converteu em Panteão dos Almeida e que tem agora uma série de “transparências”, como frisou, que tornam atrativa a fruição daquele espaço, que inclusive foi recentemente galardoado em prémios de arquitetura internacionais.

No fim, uma surpresa estava reservada para a receção a Marcelo Rebelo de Sousa, com atuação do jovem músico e professor João Vaz, que na guitarra portuguesa fez soar excertos da obra de Custódio Castelo. A satisfação do Presidente da República foi tal que, instantaneamente, convidou o jovem abrantino para atuar no próximo jantar da Casa Civil da Presidência, que decorrerá no Museu da Marinha, pedindo explicitamente que João Vaz vá até Lisboa “tocar exatamente o que aqui tocou hoje”. O músico mostrou-se surpreendido com o convite ao qual acedeu, igualmente entusiasmado e grato pelo gesto do governante.

Périplo de Marcelo pela rede de museus de Abrantes deu-se em Tramagal, no Museu MDF

O périplo iniciou-se pela vila de Tramagal, onde visitou o Museu Metalúrgica Duarte Ferreira, tendo Marcelo lembrado que foi o próprio quem entregou o prémio de Melhor Museu do Ano ao Museu MDF, conquistado em 2018, sendo esta a sua primeira visita ao espaço, que elogiou, lamentando não haver mais trabalhos similares na preservação da memória e legado industrial nacional. Antes, o chefe de Estado já havia fintado o protocolo e a agenda definida, tendo feito questão de ir visitar a exposição alusiva ao centenário do TSU, patente no salão do TTl.

Presidente da República fez questão de ir visitar a exposição do centenário do Tramagal Sport União. Foto: CMA

O Museu MDF, inaugurado no Tramagal a 01 de maio de 2017, um investimento na ordem dos 500 mil euros, dos quais 90 mil comparticipados por fundos comunitários, não só conquistou o prémio de Museu do Ano em 2108, como foi ainda distinguido com uma menção honrosa na categoria “Investigação”, pelo trabalho coordenado pela jornalista Patrícia Fonseca e publicado no livro “1879-1997 – Metalúrgica Duarte Ferreira, uma história em constante metamorfose”.

Livro que o presidente da Câmara de Abrantes já tinha reservado como oferta para o Presidente da República e que lhe ofereceu de imediato, quando este perguntou se não havia um livro que retratasse a história da metalúrgica e de toda a sua envolvência económica, política, desportiva e social, oferta que agradeceu e folheou logo ali, revelando o seu interesse.

Marcelo recebeu o livro “1879-1997 – Metalúrgica Duarte Ferreira, uma história em constante metamorfose”. Foto: CMA

O equipamento histórico e cultural visa preservar e divulgar uma parte do património da MDF, importante indústria nacional do século XX que ajudou a escrever a história do Tramagal, e a memória do pioneiro da metalomecânica em Portugal, Eduardo Duarte Ferreira (1856-1948), um Museu que o Presidente da República visitou pela primeira vez e que elogiou.

Tendo lembrado que foi o próprio quem entregou o prémio de Melhor Museu do Ano ao Museu MDF, em 2018, Marcelo destacou a “temática” e a “criatividade” numa “matéria que é muito rara, que é a da indústria”, lamentando que mais não existam mais museus e tratamento histórico industrial. “Nem museus nem história recente”, observou, apontando os exemplos da CUF, e dos setores da siderurgia, metalomecânica ou do vidro.

Nascido em Tramagal em 1856 no seio de uma família muito humilde, o fundador da fábrica, Eduardo Duarte Ferreira, começou por se dedicar ao fabrico de alfaias agrícolas, em especial charruas, estando a sua pequena forja unipessoal na génese daquela que viria a ser uma das maiores unidades industriais portuguesas, tendo adotado como seu símbolo comercial e de marca uma borboleta.

Foi uma tarde de alvoroço pelo concelho que culminou no centro histórico da cidade, em que as condições atmosféricas desfavoráveis se faziam anunciar, mas ainda assim permitindo o cumprimento de uma visita aguardada há um ano, por ocasião do primeiro aniversário após a abertura de portas do MIAA à comunidade.

Recorde-se que o MIAA – Museu Ibérico de Arqueologia e Arte, em Abrantes, foi inaugurado a 8 de dezembro de 2021, numa altura de pandemia. Resultado da requalificação do Convento de S. Domingos e dum investimento de 6,3 milhões de euros, foi aberto ao público cerca de 15 anos depois do início do projeto. Na inauguração, presidida pelo autarca Manuel Jorge Valamatos, esteve presente a então ministra da Cultura, Graça Fonseca, e a ministra da Agricultura, ex-presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Antunes. 

A celebrar o primeiro aniversário, neste feriado de dia 8 de dezembro, o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes estará aberto ao público, com entradas gratuitas, oferecendo três visitas guiadas:

10h30 -12h30 – Exposições Permanentes de Arqueologia e Arte;

14h30 – 15h30 – Exposição Rio, com a presença do Mestre Pimenta

16h00 – 17h00 – Exposição Permanente de Maria Lucília Moita.

Saiba mais sobre o MIAA:

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

Jéssica Filipe

Atualmente a frequentar o Mestrado em Jornalismo na Universidade da Beira Interior. Apaixonada pelas letras e pela escrita, cedo descobri no Jornalismo a minha grande paixão.

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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