Igreja de Santa Maria do Castelo, Panteão dos Almeida, Abrantes. Créditos: CMA

Na atribuição do prémio na categoria “Interior | Exhibition & Museum”, o júri destaca o facto de “toda a intervenção ter sido concebida para ser completamente reversível e minimalista para evitar competir com a grandeza histórica do existente”, acrescentando que a “exposição temática, no interior desta igreja histórica portuguesa, explora a intersecção entre uma arquitetura etérea e minimalista, com uma arquitetura existente com mais de 800 anos, acreditando que estas duas realidades podem coexistir e potenciar-se”, releva a autarquia em comunicado.

Nesta edição dos prémios estiveram a concurso 705 projetos de 56 países, e o Panteão dos Almeida venceu na categoria de “People Choice Award 2022”, após decisão por voto aberto do público, numa eleição que contou com uma participação recorde de mais de 135 mil votos de todo o mundo.

Foto: CMA

Os “Loop Design Awards” são um prémio internacional que premeia o que de melhor se faz em todo o mundo na Arquitetura, Design de Interiores, Paisagismo, Design de Produto, Fotografia de Arquitetura e Vídeo de Arquitetura. Conta com um painel de 44 jurados, multidisciplinar, e que integra conceituados arquitetos, fotógrafos, editores e designers da Europa, América do Norte, América do Sul, Ásia e Oceânia.

A museografia e a arquitetura expositiva do Panteão dos Almeida esteve a cargo do atelier Spaceworkers, com design de Paulo Passos (Napperon), tendo sido inaugurada a 14 de junho de 2021, Dia da Cidade de Abrantes.

O Panteão dos Almeida integra a rede de Museus de Abrantes, que inclui o Museu MDF – Metalúrgica Duarte Ferreira, em Tramagal (que recebeu o Prémio Museu do Ano da APOM em 2018); o MIAA – Museu Ibérico de Arqueologia e Arte; o Quartel – Galeria Municipal de Arte; e o MAC – Museu de Arte Contemporânea, cuja requalificação se encontra em fase de conclusão.

O Panteão dos Almeida abriga vários túmulos, entre os quais os dos Condes de Abrantes (sécs. XV e XVI), destacando-se os túmulos em estilo gótico florido flamejante, uma estrutura retabular quinhentista, azulejos hispano-mouriscos, e exemplares de frescos ou pinturas murais, que datarão do século XVI.

Espaço museológico que o município transformou em 2021, tendo sido reinaugurado há um ano, trata-se de uma capela anterior à nacionalidade, que depois evoluiu para igreja medieval. Foi transformada significativamente por opção de D. Diogo Fernandes de Almeida, no século XV, que tornou a igreja muito semelhante à que existe nos dias de hoje, com instalação de túmulos da Família Almeida – muito próxima de alguns reis de Portugal, caso de D. João II e D. Manuel I. Criaram aqui o seu panteão, com túmulos de estilo gótico, à semelhança do que sucedeu no Mosteiro da Batalha.

Os sucessores da família estão nos túmulos de estilo renancentista e manuelino, mais clássico. Santa Maria do Castelo também tem azulejos e frescos que se assumem como elementos significativos do património integrado.

A igreja foi transformada em Museu Regional Dom Lopo de Almeida em 1921. Cem anos depois deu lugar a este espaço requalificado como Panteão dos Almeida.

No mês passado o Panteão já havia recebido a distinção “Gold Winner” na categoria de “Interior Design – Exhibits, Pavilions & Exhibitions” nos Muse Design Awards, nos Estados Unidos.

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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