O socialista Pedro Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, disse “não tolerar” que Torres Novas – e os restantes concelhos limítrofes ao possível novo aeroporto em Santarém – não participe na Comissão de Acompanhamento para a decisão da localização do novo aeroporto, relembrando que o território está sob responsabilidade das autarquias.
Estas declarações foram proferidas na reunião de executivo de 26 de outubro, tendo Pedro Ferreira começado por lembrar a aprovação de moções que têm decorrido nos concelhos da zona de envolvência do projeto do aeroporto de Santarém, que é contemplado em duas das cinco localizações em análise pela Comissão de Acompanhamento dos trabalhos da Comissão Técnica, nomeada pelo governo.
Na resolução aprovada em Conselho de Ministros e publicada em Diário da República a 14 de outubro, refere-se que “para garantir o acompanhamento e a independência dos trabalhos da Comissão Técnica, é criada uma Comissão de Acompanhamento, presidida pelo presidente do CSOP [Conselho Superior das Obras Públicas, Carlos Mineiro Aires] e composta pelos presidentes das Câmaras Municipais de Alcochete, Benavente, Lisboa, Loures, Montijo e Santarém, pelos presidentes do CNADS, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, do CRUP, do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, I. P. (LNEC, I. P.), e da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, por um magistrado judicial jubilado designado pelo Presidente do Supremo Tribunal Administrativo, pelos Bastonários das Ordens dos Engenheiros e dos Economistas, por sete personalidades indicadas pela Academia das Ciências de Lisboa, por uma personalidade indicada pela Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente e por uma personalidade indicada pela Confederação do Turismo de Portugal”.
Recorde-se que, no final de setembro, o Governo aprovou também uma proposta de lei para alterar o poder dos municípios de vetar obras de interesse nacional, como aconteceu com o projeto do aeroporto no Montijo, que não obteve um parecer favorável de todas as autarquias envolvidas.
Dizendo-se “aborrecido”, o presidente da Câmara de Torres Novas reiterou que não faz sentido – “nem toleramos, tão pouco” – que os “municípios que poderão vir a ser afetados positiva ou negativamente” pela construção de um aeroporto na região não estejam “dentro da Comissão de Acompanhamento que vai trabalhar com o Governo para escolher” a localização, afirmou o autarca.
O líder do município torrejano afirmou que, tanto na ótica do município, como da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, os efeitos da localização do aeroporto em Santarém serão positivos, sendo que, se o projeto arrancar, parte da estrutura irá ficar “encostada” a uma parte do concelho de Torres Novas, nomeadamente Alcorochel.
Dos concelhos que vão estar na área do aeroporto – Alcanena, Golegã, Santarém e Torres Novas – só o município de Santarém é que está representado na referida comissão de acompanhamento. “Não toleramos isso, estão a esquecer-se que o território está sob a nossa responsabilidade”, vincou Pedro Ferreira.
O autarca adiantou ainda que “Torres Novas também irá tomar uma posição junto do Governo para que esteja representada com o seu presidente – assim como Alcanena e Golegã (…), que devem fazer parte, obviamente, desta comissão de acompanhamento”.
“Estamos preocupados [e queremos] participar na comissão porque se vier o aeroporto da forma como nos foi apresentado, e que poderá tocar junto à freguesia de Alcorochel, sem criar problema ambientais ou outros, obviamente que é um passo importantíssimo de desenvolvimento económico e que nós queremos estar a acompanhar e estar muito atentos” a todo o processo, disse ainda Pedro Ferreira.
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Não entendo. Porquê Torres Novas e outros concelhos citados, e não outros não citados, na área de influência, hipoteticamente, do no novo Aeroporto ? Será “cegueira” pela nossa “quintinha” ? Isto é, as “vaidades” a quererem fazer-se valer. Valha-nos Deus assim não vamos lá.