A construção de um novo aeroporto que sirva a região de Lisboa é um assunto dominante da governação do país há 53 anos. Já foram dadas como certas, e anunciadas com toda a pompa e circunstância, 17 alternativas de localização. O montante gasto em estudos, avaliações e projetos só nas últimas três décadas já ultrapassou os 70 milhões de euros – daria, por exemplo, para construir quatro pontes sobre o Tejo na nossa região, quando essa decisão tem vindo a ser adiada desde os anos 1990 e o governo continua a debater qual será a melhor opção a concretizar até 2030, entre Tramagal (Abrantes) ou Constância, deixando as suas promessas com a Chamusca por cumprir.
“Agora é que é”, ouve-se uma e outra vez. Em junho deste ano o ministro das Infra-estruturas chegou a anunciar a escolha Montijo + Alcochete, mas António Costa revogou a decisão de Pedro Nuno Santos, invocando a necessidade de um consenso com o PSD (que acabara de eleger um novo líder).
Esse consenso ainda não foi alcançado. Mas no passado dia 23 de setembro os líderes dos dois principais partidos anunciaram uma “convergência”: realizar mais obras no aeroporto Humberto Delgado e criar duas comissões (uma técnica independente e outra de acompanhamento) com um coordenador-geral, que fará uma avaliação ambiental estratégica sobre as localizações em cima da mesa – a “opção Santarém”, desconhecida até há poucas semanas, faz parte de duas das cinco soluções possíveis. Os trabalhos destas comissões vão decorrer durante um ano e a decisão final deverá ser conhecida no final de 2023.
Entretanto, os autarcas da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT) e da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), que agregam os 21 municípios do distrito de Santarém, conheceram a 29 de setembro os detalhes deste projeto de investidores privados, que junta Humberto Barbosa, dono da Barraqueiro e antigo acionista da TAP, a Carlos Brazão, do grupo Magellan 500, ex-quadro da Cisco.
No final da reunião, foi emitida uma breve nota. “Os autarcas, sabendo que ainda não existe nenhuma tomada de posição pelo Governo sobre esta matéria, estão obviamente com grandes expectativas, considerando que esta localização foi uma das escolhidas no âmbito da avaliação ambiental estratégica do futuro aeroporto, segundo a resolução do Conselho de Ministros. Caso se confirme, será um grande investimento para a região e para o nosso país. Um projeto desta envergadura, que servirá o país e a região, alavancará não só um desenvolvimento ímpar e diferenciador, como também potenciará o desenvolvimento do turismo, a oferta de emprego, expansão de negócios e outros mercados.”
Em recente reunião de executivo, e como o mediotejo.net noticiou, o presidente da Câmara Municipal de Torres Novas revelou que já se tinha conhecimento deste projeto há três anos, nomeadamente o presidente do município de Santarém, mas os investidores pediram, naturalmente, sigilo.
A localização, em duas freguesias do concelho de Santarém que fazem fronteira com Torres Novas, Alcanena, Golegã e Chamusca, terá sido decidida com base num primeiro – e determinante – critério: ficar a mais de 75 km do aeroporto Humberto Delgado, que é a área de exclusividade da atual concessionária (Vinci/ANA). A zona de São Vicente do Paul e Casável, em Santarém, fica a 80 km. Além disso, é uma zona com pouca densidade populacional e terrenos agrícolas sem áreas de proteção ambiental problemáticas, tendo a estação ferroviária do Entroncamento a poucos minutos e, mesmo ao lado, a Auto Estrada do Norte (A1).
E Tancos, deixou de ser uma opção? A CIMT defende há vários anos junto do governo que um aeroporto em Tancos, aproveitando a infra-estrutura militar existente, seria estruturante para “alavancar a dinâmica económica de toda região e o potencial turístico dos milhões de passageiros que se dirigem a Fátima”.
Para o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, os dois projetos não são incompatíveis. “Concordo plenamente com este investimento [em Santarém]. O que interessa de facto é existir um aeroporto para a região, que possa privilegiar quer a questão das mercadorias, quer objetivamente a questão de passageiros. E de facto ficando [o aeroporto] a 10/15 minutos de Vila Nova da Barquinha, todos os territórios adjacentes terão uma mais valia, se ele for construído”, disse Fernando Freire ao nosso jornal. O autarca não descarta a possibilidade de ser construído um aeroporto regional em Tancos, sublinhando que este sempre foi um processo “completamente díspar” da questão do novo aeroporto para servir Lisboa.
Santarém poderá ser mesmo uma opção a Montijo ou Alcochete? O governo diz que sim. “Durante o processo em que se estava a trabalhar nesta metodologia surgiram informações sobre uma potencial localização que o Governo entendeu poder ter mérito suficiente para integrar a avaliação ambiental estratégica”, revelou o ministro Pedro Nuno Santos a 23 de setembro, quando questionado sobre o facto de a opção Santarém ter sido incluída nas cinco localizações que vão ser estudadas pela nova comissão técnica independente, aprovada em Conselho de Ministros.
Segundo o ministro Pedro Nuno Santos, as localizações que vão ser estudadas incluem soluções únicas e soluções duais: o aeroporto Humberto Delgado fica como aeroporto principal e Montijo como complementar; Montijo adquire progressivamente o estatuto de aeroporto principal e Humberto Delgado fica complementar; Alcochete substitui integralmente o aeroporto Humberto Delgado; Humberto Delgado mantém-se como principal e Santarém será complementar; ou Santarém substitui integralmente Humberto Delgado.
Com um custo aproximado de mil milhões de euros, a ser financiado inteiramente por privados que prevêem o retorno através das tarifas aeroportuárias, o aeroporto de Santarém ganha cada vez mais defensores. Além de evitar um maior endividamento do país (Montijo e Alcochete contemplam, acrescidamente, uma nova ponte sobre o Tejo com ligação ferroviária) é a única solução que não apresenta, para já, problemas de impactos ambientais.
Santarém poderá ser também uma solução mais rápida para dar apoio ao saturado aeroporto Humberto Delgado. Os promotores anunciaram que, se for necessário, poderá começar como um aeroporto regional, com uma só pista, garantindo já daqui a três anos capacidade para 10 milhões de passageiros. À medida que a construção fosse avançando, evoluiria para nacional e internacional, com três pistas e capacidade para 100 milhões de passageiros por ano.
Os promotores defendem ainda que, além de servir Lisboa, promovendo o desenvolvimento económico na zona Centro (e gerar emprego direto e indireto para cerca de 170 mil pessoas), este aeroporto poderá constituir-se também como um importante centro logístico para a Europa.
*Com Agência Lusa.

A ligeireza com que se fala em construir aeroportos (num país de 89.000km2 que já tem 39) é preocupante.
Oiçam quem sabe em vez de quem lucra com o assunto!
Sem dúvida que desenvolveria uma zona económica e socialmente deprimida. Além de , presumo, teria custos inferiores ,e em termos de segurança, seria bastante melhor que as opções à volta de Lisboa. E o interior do país, rapidamente se modificaria para muito melhor. Mas , para mal do país , não vão permitir . É o que temos.
Em Beja não se criaram também os 170 000 empregos?
O investimento já esta feito…..
Investimento feito? Não brinque comigo. A infraestrutura não tem nem 1% do que é necessário construir para que “aquilo” se torne mum verdadeiro aeroporto internacional… depois… ah, depois… falta a ligação a Lisboa em Alta Velocidade ferroviária, que só essa custa tanto como mais um aeroporto.
Esse não dá 💰💰💰lucro .
Está concluído.
Não mudo uma vírgula ao que sempre defendi. Um aeroporto construido com base no tempo , de raíz, com visões largas e de futuro a funcionar no mais curto espaço de tempo , mas sempre tento em vista a sua grandeza para grandes aviões, pista com possibilidades de alterações e actualizações no tempo.
Um aeroporto de Lisboa.. na Golegã? Mas está tudo doido? Só pode…
Sem impacte ambiental???
Ao lado da Reserva Natural do Paul do Boquilobo. Reserva mundial da Biosfera. Sítio Ramsar.
Anedotas…
É uma loucura fazer um aeroporto de Lisboa… a mais de 80 km de distância.
O novo aeroporto deveria ficar na zona Oeste de Lisboa, algures entre Sintra e a Ericeira. Aí faria sentido, teriam eventualmente de fazer uma ligação à linha ferroviária de Sintra e à linha ferroviária do Oeste, e claro à A21 e à A16 e estava feito.
Ao contrário da localização a Norte de Santarém, aquela zona Oeste de Lisboa é um destino turístico em si, e serviria de verdade a população, a indústria e os serviços do lado Oeste de Lisboa. Sem falar que com acesso à A21 e à linha do Oeste ainda iria deixar agradada as populações dos distritos de Lisboa, Leiria e Coimbra. A linha do Oeste teria de ser remodelada, mas era algo que poderiam ir fazendo com tempo.
Só um aeroporto a Oeste de Lisboa tem possibilidade real de ser um sucesso comercial pela sua maior proximidade a Lisboa em si, como àquela zona que por si mesma já é turística, e tem milhões de pessoas na mesma ali próximas tanto para utilizarem o aeroporto, como para trabalharem lá.
Um aeroporto a Norte de Santarém é possível? Sim. Mas será viável economicamente? É muito duvidoso, só se for com um esquema que li ou ouvi de cobrarem uma taxa nos voos para o actual aeroporto de Lisboa… dessa mesma forma poderia abrir um hipermercado no Monte do Salto, ali para o Alentejo, financiado por uma taxa paga pelos clientes dos super e hipermercados em Lisboa e assim teria um hipermercado de sucesso mesmo que tivesse vazio a maior parte do tempo… mas iria gerar muitos empregos localmente… o que era uma coisa boa, certo?
É uma loucura fazer um aeroporto de Lisboa… a mais de 80 km de distância.
O novo aeroporto deveria ficar na zona Oeste de Lisboa, algures entre Sintra e a Ericeira. Aí faria sentido, teriam eventualmente de fazer uma ligação à linha ferroviária de Sintra e à linha ferroviária do Oeste, e claro à A21 e à A16 e estava feito.
Ao contrário da localização a Norte de Santarém, aquela zona Oeste de Lisboa é um destino turístico em si, e serviria de verdade a população, a indústria e os serviços do lado Oeste de Lisboa. Sem falar que com acesso à A21 e à linha do Oeste ainda iria deixar agradada as populações dos distritos de Lisboa, Leiria e Coimbra. A linha do Oeste teria de ser remodelada, mas era algo que poderiam ir fazendo com tempo.
Só um aeroporto a Oeste de Lisboa tem possibilidade real de ser um sucesso comercial pela sua maior proximidade a Lisboa em si, como àquela zona que por si mesma já é turística, e tem milhões de pessoas na mesma ali próximas tanto para utilizarem o aeroporto, como para trabalharem lá.
(P.S.: escrevi outros comentários, mas o anti-spam parece estar a bloquear automaticamente.)
Ok, afinal não bloqueou, ou então foi aprovado manualmente.
Para mim, que se faça o aeroporto o mais breve possível. Seja onde for, há mais de 50 anos que existe essa intenção. Gastamos mais de 70 milhões de euros em estudos ambientais e outros, mas nada. Se fizermos as contas ao que deixamos de ganhar, possivelmente, estaríamos a falar de fundos que dariam para pagar a construção de 2 ou 3 aeroportos. É triste que a nossa política continue a alimentar interesses privados. Somos mesmo um país mesquinho, pequeno e com falta de visão. Os nossos filhos e netos vão mais tarde questionar este património que não lhes soubemos acrescentar. E como a história é um reflexo do futuro, acho que o seu pensamento irá ser influenciado pela forma promíscua de quem não quiz fazer o que devia em tempo útil. Objetivos coletivos e inovadores, irão continuar a ser derrubados em prole dos interesses de meia dúzia de grandes empreendedores, onde só se equacionam os avultados lucros individuais.
O aeroporto da Portela nunca será encerrado!
Acho que é preciso desde já compreender isso. O que era necessário era acabar com figo maduro e por os aviões privados em Tires e os de carga em Alverca.
O aeroporto Humberto Delgado poderia assim ter capacidade para 40 milhões de passageiros, o que a meu ver é mais do que suficiente.
Se quiserem fazer um aeroporto para a região centro, por mim tudo bem, mas não será um aeroporto de Lisboa.
Para quê que precisamos de ter um aeroporto com capacidade para 100 milhões de pessoas?
Somos só 10 milhões e só 20 milhões de turistas nos visitam todos os anos. Estamos a equiparar-nos à França, que é visitada por 90 milhões de turistas ano?
São tudo megalomanias para alimentarem o nosso complexo de inferioridade.