Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal da Barquinha Foto: mediotejo.net

“Concordo plenamente com este investimento. O que interessa de facto é existir um aeroporto para a região, que possa privilegiar quer a questão das mercadorias, quer objetivamente a questão de passageiros. E de facto ficando [o aeroporto] a 10/15 minutos de Vila Nova da Barquinha, todos os territórios adjacentes terão uma mais valia, se ele for construído”, disse Fernando Freire (PS), presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, sobre o possível aeroporto a construir em Santarém. O autarca não descarta a possibilidade de ser construído um aeroporto regional em Tancos, sublinhando que este sempre foi um processo “completamente díspar” da questão do novo aeroporto para servir Lisboa.

A questão aeroportuária foi levantada pelo deputado Paulo Constantino (PS) na última sessão de Assembleia Municipal de 30 de setembro, que questionou sobre o novo eventual aeroporto de Santarém, e em que medida este podia colocar em causa do projeto da CIMT e do município para o aeroporto em Tancos.

Fernando Freire começou por referir que esteve presente na reunião entre o grupo promotor do aeroporto em Santarém e a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) – onde estiveram presentes as 13 autarquias da região – tendo o projeto sido apresentado por Carlos Brazão (engenheiro) e Alberto Castanho Ribeiro, pertencente ao grupo Barraqueiro, “uma entidade dedicada à questão dos transportes”.

ÁUDIO | Fernando Freire (PS), presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha

Segundo o autarca barquinhense, uma das principais vantagens deste projeto para um novo aeroporto em Santarém prende-se com o facto de se tratar de um investimento privado, sem custos para o Estado português, e não depender de fundos comunitários nem de nenhuma contemplação no Plano Nacional de Investimentos.

No projeto apresentado, segundo referiu Fernando Freire, o novo aeroporto ficará a 30 minutos em tempo útil da capital (estação do Oriente) através do meio ferroviário, ficando o aeroporto localizado a 2.5 quilómetros da nova ferrovia a criar, com os custos de ligação à linha do norte a serem assumidos pelos promotores do projeto, sendo que os mesmos “apenas” pedem ao Governo central melhorias no lado sul da linha do norte, entre o Entroncamento e Lisboa, melhorias estas que estão previstas no Plano Nacional de Investimentos.

O eventual aeroporto em Tancos é um processo “completamente díspar” da possibilidade da construção de um aeroporto em Santarém, segundo Fernando Freire. Foto: DR

Segundo os dados adiantados pelo líder do município barquinhense, esta eventual estrutura aeroportuária contará com uma área de ocupação de 19 km² (incluindo terminais de carga), adiantando o autarca que o projeto contempla uma primeira fase, em que será criada uma pista, uma fase 3 já com duas pistas e uma fase 5 com três pistas, sendo que para a primeira fase prevê-se acolher aeronaves do tipo A350 e A380, as quais “no fundo são já aeronaves de grande porte que não tem nada a ver com aeroportos regionais, são já aeroportos internacionais”.

“Este projeto abrange 50 sedes de município a menos de meia hora, segundo os estudos que apresentaram”, disse Fernando Freire, sublinhando a “relevância significativa” deste projeto para Fátima, nomeadamente em termos do mercado turístico. A concretizar-se, este projeto poderá abranger seis distritos e oito comunidades intermunicipais.

Para o autarca, a maior dúvida sobre este projeto prende-se com o facto de terem de existir expropriações nos terrenos em causa, onde se encontram alguns imóveis.

Fernando Freire clarificou depois que Tancos “sempre foi um processo completamente díspar disto” e que nunca foi uma “oposição quer à questão do Montijo ou Alcochete”. Tancos é “diferente”, porque pretende-se que seja um projeto misto, para passageiros e mercadorias, algo que já foi assumido entre o município de Vila Nova da Barquinha e duas entidades privadas – as quais o presidente da autarquia disse não poder revelar.

“Vamos caminhando e, do que tenho conhecimento, os promotores continuam interessados neste negócio”, concluiu o autarca, mencionando ainda que “é importante perceber que na região de Espanha há 9 aeroportos regionais a funcionar”.

Por sua vez, o deputado António Nabo Martins (PS), que é presidente executivo da APAT (Associação dos Transitários de Portugal), afirmou que o aeroporto de Santarém avançará “sim ou sim”, quer exista um acordo com o Governo ou não. “Daquilo que nós vamos sabendo, é uma decisão que já está tomada” pelo promotor do projeto, restando saber apenas “a que velocidade ele avançará”.

ÁUDIO | António Nabo Martins (PS), deputado municipal de Vila Nova da Barquinha e presidente executivo da APAT (Associação dos Transitários de Portugal)

O eleito socialista evidenciou ainda, de forma a “complementar” a questão de Tancos, que “é muito difícil no entendimento dos nossos governantes compatibilizar aquilo que é a área militar e a área civil”, afirmando que é verdadeiro que em Espanha isso acontece mas que em Portugal não existe “grande entusiasmo” para que se possam compatibilizar as duas áreas no mesmo aeroporto.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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1 Comentário

  1. Esta mania de querer transformar qualquer aeródromo militar em estrutura civil… estes autarcas não aprendem que o que acontece sempre é que não dá em nada.
    Porque não criam a sua infra-estrutura do zero? Ah! Já sei, porque sabem que aquilo NUNCA será rentável.
    Um aeroporto em Tancos, é como o aeroporto em Beja… um desperdício de recursos… o aeroporto lá está, em Beja, e ninguém pondera sequer que seja um “Lisboa II”.
    No fundo, no fundo, o único aeródromo militar onde fazia sequer o mínimo sentido ponderar para transformar em Lisboa II seria a Base aérea N.º 1 em Pêro Pinheiro (lá para os lados de Sintra), já tem toda a infra-estrutura nos arredores, é só gastar uma fortuna no aeroporto em si e em pequenas ligações à A16, à linha ferroviária de Sintra, e para calar os autarcas da beira litoral, ligação à linha do Oeste (que teria de sofrer obras para ser realmente utilizável pelas populações servidas).
    Um dos argumentos para não usar a Base aérea N.º 1 é o nevoeiro, mas como hoje em dia os aviões comerciais não voam à vista, mas sim com a electrónica é um argumento que já não faz sentido.
    Na Base aérea N.º1 tinha ainda a vantagem de viverem ali na região centenas de milhares de pessoas e ser um destino turístico verdadeiro com boa probabilidade de atrair pessoas por si mesma, além é claro de estar na mesma próximo da capital o que será do agrado das empresas transportadoras e de empresas de transporte de baixo custo (se a diferença nas tarifas a pagar for significativa para menos).
    Dito isto aparentemente esta localização não está sequer na lista de possibilidades, se estudaram a possibilidade já a descartaram há muito.

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