Foto: mediotejo.net

Amados por uns, odiados por outros, os passadiços de Ortiga foram nos últimos anos novo atrativo e chamariz responsável por milhares de visitas, por miúdos e graúdos, à zona das pesqueiras e lagoas do Tejo, na freguesia de Ortiga, junto à Barragem de Belver. As intempéries de dezembro e o forte caudal de cheia causaram prejuízos e danificaram partes da estrutura, mas é intenção da autarquia repensar a localização do passadiço e aquela rota. Ainda se desconhece quando renascerá a estrutura, mas a rota pedestre continua a poder ser feita em caminho de pé posto e em segurança.

A Rota das Pesqueiras e Lagoas do Tejo nasceu para voltar a comunidade e os turistas para o rio, criando nova dinâmica e melhor aproveitamento da margem daquela freguesia ribeirinha, mas as intempéries, fortes chuvas e o forte caudal de cheia causaram graves danos nas estruturas em madeira, sendo certo que se sabia do potencial risco a que estariam sujeitos os passadiços por se encontrarem em leito de cheia.

Fotos: mediotejo.net

A autarquia não procedeu ainda à recolha do material, que se encontra depositado ao longo da margem para onde a força das águas do rio o arrastou. Vasco Estrela, presidente de Câmara de Mação, refere que está em curso a contratação de empresa para a remoção dos materiais em madeira que serão recolhidos para o estaleiro municipal, onde se irá avaliar o nível de estragos das estruturas e se poderão ser reaproveitadas.

“Independentemente de termos ou não termos apoio [do FEM] é nossa intenção refazer aquilo que foi destruído, provavelmente de forma mais modesta. Mas, pelo menos, sublinhando a importância daquele local

Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação

A Câmara Municipal, à semelhança de outros municípios do país afetados pelo mau tempo em dezembro de 2022, candidatou-se ao Fundo de Emergência Municipal no sentido de conseguir algum financiamento que ajude a fazer face aos custos de requalificação daquele projeto e do recente passadiço que compõe a nova Rota de Ortiga.

“É nossa intenção que os passadiços, seguramente com outra configuração e noutra localização, possam ficar perto daquele local. É esse o nosso objetivo, tendo em consideração aquilo que ocorreu e aprendendo com a lição que a natureza nos deu, fazer ali algo que possa potenciar aquele local de enorme valor”, assumiu o autarca maçaense.

Fotos: mediotejo.net
ÁUDIO | Vasco Estrela, presidente da CM Mação

Apesar de não existir ainda projeto e de ainda não estar ainda em cima da mesa o repensar da localização deste atrativo turístico, o edil assume que será provável que haja diferenças na reconstrução desta rota.

“Provavelmente não passando muito junto às pesqueiras, que perde muito do interesse, se calhar muito em pé posto, ou seja, que não implique em altura. Terá de ser devidamente acautelado com todas estas circunstâncias”, disse.

“Tomaremos decisões depois de confirmar bem o estado daquilo que nós vamos retirar, o que é aproveitável ou não, o que tem de ser feito de novo. E depois, com muita calma e ponderação, tomarmos decisões sem precipitações. Independentemente de termos ou não termos apoio [do FEM] é nossa intenção refazer aquilo que foi destruído, provavelmente de forma mais modesta. Mas, pelo menos, sublinhando a importância daquele local”, acrescentou.

Fotos: mediotejo.net

Naquele local passa um dos percursos pedestres homologados de Mação, em parceria com a Associação Rotas de Mação, no caso a Rota PR4 – Ortiga Sul, e havendo estruturas sãs e caminhos marcados que permitem a circulação e usufruto em segurança, caso do Miradouro da Boavista com vista panorâmica sobre a lezíria de Alvega, no concelho de Abrantes, e o percurso do rio, torna-se urgente a retirada dos materiais danificados.

“Não avançámos antes com este processo de remoção porque não sabíamos como iriam ser os meses de março e abril em termos de chuvas, e para não estarmos a criar mais problemas. O tempo parece ter estabilizado, e portanto é altura de tentarmos lá ir fazer o que tem de ser feito. Com alguma rapidez, porque está a crescer vegetação e isso cria dificuldades na retirada do material”, justificou Vasco Estrela.

Mantém-se “acessível” o PR4 das Rotas de Mação, ainda que a autarquia tenha optado por não publicitar este percurso.

“Não o publicitámos no roteiro de Rotas e Percursos do Médio Tejo de forma propositada, para não mandarmos as pessoas ao engano para uma estrutura que não está no local e onde, provavelmente, o grande ícone daquele PR era aquela infraestrutura, e por esse motivo este ano optamos por não o publicitar. Até houve alguma incompreensão do porquê dessa circunstância…”.

Fotos: mediotejo.net

As Rotas de Mação têm efetuado intervenção com colocação de fitas de balizamento, com vista à segurança dos pedestrianistas. Em nota nas redes institucionais, a associação refere que esta é uma “sinalização provisória” até à intervenção maior que será efetuada pelo Município.

Pretende-se a normalização dos locais de passagem da Rota das Pesqueiras e Lagoas do Tejo, e do PR4 – Rota da Ortiga Sul, com recolocação de sinalética direcional, pontos de interesse e marcas, após intervenções de requalificação no local e desmatação.

Apesar de o passadiço ter sido danificado, continua a ser possível usufruir da biodiversidade e paisagem das Lagoas do Tejo e das pesqueiras, património identitário da freguesia ribeirinha de Ortiga com forte ligação às artes da pesca.

Pesqueira, na margem do rio, integrada na Rota das Pesqueiras e Lagoas do Tejo. Foto: Rotas de Mação

“As pessoas podem continuar a fazer a rota, com total segurança”, assegurou Vasco Estrela.

A construção dos passadiços, num percurso ribeirinho com extensão de cerca de 1.500 metros integrado na Rota das Pesqueiras e Lagoas do Tejo, representou um investimento na ordem dos 300 mil euros, comparticipado por fundos comunitários em 85%, tendo os mesmos sido inaugurados em fevereiro de 2022.

O percurso, junto ao antigo Bairro dos Pescadores de Ortiga, junto à barragem, faz-se ao longo do Tejo, entre passadiços em madeira e trilhos pedestres, sendo o rio Tejo o fio condutor de uma visita com direito a miradouro altaneiro sobre o curso de água, privilegiando o alcance das pesqueiras tradicionais na margem e a ligação às Lagoas do Tejo. Este projeto revitalizou uma área de forte valor cultural, histórico e patrimonial tendo como principal objetivo virar o concelho para o rio e levar as pessoas a conhecer um espaço que antes estava menos acessível.

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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