Para assinalar os 50 anos do 25 de Abril, criámos uma secção especial no mediotejo.net, agregando todas as notícias, entrevistas e reportagens que temos vindo a publicar – e onde continuaremos a acrescentar novos conteúdos, ao longo deste ano. Falámos com capitães de Abril (como Correia Bernardo, o capitão que planeou com Salgueiro Maia a conquista da Liberdade a partir de Santarém), militares com papéis marcantes na Revolução (como o fuzileiro David Geraldes, que abriu as celas da prisão de Caxias), presos políticos (como Fernando Flávio Espada, do Sardoal, que foi torturado pela PIDE e condenado a 20 meses de prisão), ex-combatetes da guerra colonial (como Vitorino Bento Santos, de Abrantes, que entre 1961 e 1974 fez cinco comissões em Angola, Guiné e Moçambique) e madrinhas de guerra (como Zaida e Maria da Luz, de Abrantes), assistimos a várias iniciativas culturais (como a peça de teatro da Carruagem 23, no Entroncamento), partilhámos memórias de infância (como as do historiador José Martinho Gaspar, que viveu o 25 de Abril na escola primária da Matagosinha, em Abrantes) e acompanhámos as cerimónias oficiais em vários concelhos (como esta homenagem aos presos políticos, em Torres Novas). São apenas alguns exemplos dos muitos artigos que pode ler no nosso jornal.

Mas uma ocasião especial pede uma iniciativa especial. E por isso decidimos publicar um livro infantil onde, através das palavras de José Martinho Gaspar e das ilustrações de Maike Bispo, procuramos despertar nos mais novos uma reflexão sobre a importância da Liberdade.

Afinal, um dos grandes desafios do jornalismo é precisamente tornar acessível a todos até a informação mais complexa. E uma das formas mais eficazes de consegui-lo é contando uma história, traçando paralelismos com outras situações, criando novos cenários e introduzindo como personagens pessoas concretas que viveram determinada experiência. Além de uma maior compreensão, o processo narrativo abre também um caminho de identificação – “e se fosse comigo?” –, o que pode servir de catalisador para um envolvimento mais ativo na sociedade e, quem sabe, contribuir para a mudança.

Foi com base nessa premissa que nasceu este pequeno livro. Para que, 50 anos depois da Revolução dos Cravos, os mais pequenos consigam perceber (e os mais crescidos nunca esqueçam) como era triste a vida sem Liberdade.

Foi editada uma primeira edição especial em parceria com a Câmara Municipal do Entroncamento, e a segunda edição está a partir da próxima semana à venda em livrarias selecionadas da região.

Liberdade de imprensa e o apoio dos leitores

A liberdade é a pedra basilar para o exercício da imprensa livre e o mediotejo.net foi criado há 9 anos por um grupo de jornalistas que continua a acreditar na importância de um jornalismo fiel à sua matriz de serviço público, independente de poderes políticos e económicos. Não trabalhamos para o patrão X ou Y, nem para agradar a fulano ou sicrano, o nosso único compromisso é com o público. Trabalhamos para garantir o acesso a informação fidedigna, que permita aos cidadãos tomarem decisões livres e informadas – um pressuposto fundamental da vida em democracia.

Contudo, a vida não tem sido fácil para esta equipa, a quem como diretora não me canso de louvar. Todos nesta casa trabalham muito e ganham pouco. Os dias têm sempre horas extraordinárias, a semana pode ir de domingo a domingo e a vida pessoal é demasiadas vezes prejudicada. Tudo em nome de um “bem maior” que, como jornalistas, jurámos cumprir.

Num dia como aquele em que se celebram os 50 anos do 25 de Abril, não poderia deixar de lembrar que a liberdade desta equipa de jornalistas está também nas mãos de quem nos lê. O apoio dos leitores é fundamental para garantirmos a nossa sustentabilidade financeira, encorajando-nos a fazer mais e melhor.

Ousando adaptar a célebre frase do capitão Salgueiro Maia, há 50 anos, diria que “há os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que isto chegou… e temos de acabar com o estado a que isto chegou”. 

Quer leiam o mediotejo.net ou outro jornal, é urgente que os leitores se envolvam e ajudem a salvar o que ainda pode ser salvo do sonho que também renasceu naquela madrugada de Abril de 1974: a existência de uma imprensa livre e de qualidade.

Sou diretora do jornal mediotejo.net, diretora editorial da Médio Tejo Edições e da chancela de livros Perspectiva. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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