Margarida Moleiro, coordenadora da Rede de Museus do Médio Tejo. Foto: mediotejo.net

O número de museus tem aumentado e reforçado a sua presença e importância na região do Médio Tejo, sendo ainda vários os projetos museológicos em vias de concretização. A importância de uma rede para a dinamização e promoção concertada entre os museus do Médio Tejo parece assim ganhar cada vez mais força, pelo que a Rede de Museus do Médio Tejo (RMMT) tem ganho relevância estratégica. Foi este o mote para um primeiro debate nas XVIII Jornadas de História Local, realizadas em Abrantes no dia 10 de dezembro, onde também foram apresentados novos projetos museológicos que vão surgir na região.

Constituída em 2018, através de um protocolo entre a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) e o Instituto Politécnico de Tomar, a RMMT compõe-se por “museus e núcleos museológicos integrados na Rede Portuguesa de Museus, outros museus municipais, entidades museológicas do Estado Português e privadas, bem como projetos museológicos em constituição com manifesto interesse em acompanhar”, visando apoiar, potenciar, promover e criar relações entre estes espaços museológicos.

Margarida Moleiro, coordenadora da Rede de Museus do Médio Tejo, iniciou a temática, começando, na sua apresentação, por realçar a importância de tecer a rede e de não estar só em rede. “Uma grande rede tem de se fazer com muita gente, é um trabalho de muitas mãos e muitas cabeças”, vincou.

O Museu de Arte pré-histórica e do Sagrado no Vale do Tejo, em Mação, é uma das estruturas museológicas que integra a Rede de Museus do Médio Tejo (RMMT). Foto: mediotejo.net

Um dos principais pontos mais preocupantes, no entanto, parecem ser os insuficientes quadros de pessoal, uma vez que as pessoas nos locais são muito poucas e a entrada na rede traz mais uma “sobrecarga” de trabalho, pelo que por vezes foi complicado convencer os técnicos a integrarem o projeto, observou a coordenadora da Rede de Museus.

Ao mediotejo.net, Margarida Moleiro diz que se pretende uma “promoção de coesão territorial, que passa também pela ideia de ter um património cultural que – não sendo igual mas muito diversificado dentro do Médio Tejo – tem um trabalho que é comum e uma preocupação de valorização e dinamização comum”.

ÁUDIO | Margarida Moleiro, coordenadora da Rede de Museus do Médio Tejo:

Nesse sentido a rede tem estado a trabalhar não só na criação de normas de funcionamento e de roteiros, mas também na capacitação das equipas e na qualificação dos espaços, um “trabalho de bastidores” que, na opinião de Margarida Moleiro, parece “essencial” para que acompanhe o trabalho de divulgação.

Segundo a coordenadora da Rede de Museus do Médio Tejo, esta rede também já tem planeada a criação de um vídeo de divulgação e outros materiais mais ao nível da comunicação, de forma a promover este projeto e os elementos que a compõem, visando alcançar mais pessoas. 

Foram depois feitas apresentação sobre os museus de Abrantes, o Museu Pequito Rebelo (Gavião), do Centro de Interpretação da Semana Santa (Sardoal) e do Núcleo Museológico de Ortiga (Mação). 

O Museu Ibérico de Arqueologia e Arte é o novo museu que pode ser encontrado no Centro Histórico de Abrantes. Foto: mediotejo.net

Relativamente aos museus de Abrantes, cuja própria rede museológica, a nível municipal, está em fase final de construção, o vereador do município abrantino, Luís Dias, explicou na sua apresentação que esta rede pretende potenciar a ideia de “tornar Abrantes um destino de referência a nível nacional e internacional”, afirmando que se torna importante conseguir concentrar os espólios, dando o exemplo de Mouriscas onde existem três coleções “dispersas” e que deviam ser agregadas.

A Rede de Museus de Abrantes é composta pelo Panteão dos Almeida, o Museu Metalúrgica Duarte Ferreira (Tramagal), o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (inaugurado recentemente), o Quartel da Arte Contemporânea e o Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida, ainda em execução.

Além da conclusão deste museu, o vereador Luís Dias deu ainda conta de outras metas do município neste âmbito como a ampliação do Museu Metalúrgica Duarte Ferreira, a reabilitação da Igreja de São João, a musealização de uma Casa Típica no Pego, ou a criação do Centro Interpretativo do Mundo Rural, em Bemposta. 

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Graciosa Espadinha Chambel, vereadora do executivo municipal de Gavião, e Ana Luísa Lucas, apresentaram depois aquele que vai ser o Museu Pequito Rebelo, em Gavião, que vai expor diversos carros de atrelar. Conforme deram conta, o constante restauro detém uma grande importância, pelo que as peças em exposição vão estar em constante rotação, de forma a que algumas estejam em fase de manutenção e restauro.

Conforme foi indicado, a Câmara Municipal de Gavião já lançou um concurso para a contratação de um técnico de restauro, mas este ficou deserto, pelo que já lançou um novo concurso para este posto de trabalho, cuja necessidade é cada vez mais premente para que se possam colocar os carros à disposição de serem visitados. 

Miguel Borges, presidente da Câmara de Sardoal, falou sobre o projeto do Centro de Interpretação da Semana Santa. Foto: mediotejo.net

Foi Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal de Sardoal, quem apresentou aquele que será o Centro de Interpretação da Semana Santa, cujo objetivo é possibilitar experienciar a Semana Santa todo o ano. O que se pretende, conforme explicou o autarca, é que quem visite o Sardoal noutras alturas, possa perceber essa vivência.

Sendo que “Sardoal Terra de Fé”, um território pequeno, dispõe de seis capelas e três igrejas, esses recursos devem ser explorados, pelo que se pretende aproveitar algumas “migalhas” daquele que é o turismo religioso que passa por Fátima 6 milhões. O projeto inclui a recuperação de património religioso como o caso da Igreja Matriz de Sardoal.

Já o Núcleo Museológico de Ortiga, que pretende preservar o património da freguesia de Ortiga e daquilo que foi modo de vida de muitos ortiguenses, naquela que pretende ser também uma homenagem aos homens e mulheres que “viveram” no rio e do rio, conforme explicou João Filipe, da equipa da coordenação deste núcleo, prende assim reconhecer a importância económica e social representada pelo rio e pela pesca neste território maçaense. 

Atualmente o grupo de trabalho da Rede de Museus do Médio Tejo – que já realizou três encontros em 2019 (presencial), 2020 (digital) e 2021 (formato híbrido) – é constituída por:

Museu Municipal Lopo de Almeida (Abrantes)

Museu da Metalúrgica Duarte Ferreira (Abrantes)

Museu da Boneca (Alcanena)

Museu de Aguarela Roque Gameiro (Alcanena)

Museu dos Rios e das Artes Marítimas (Constância)

Museu de Arte Pré-histórica e do Sagrado no Vale do Tejo (Mação)

Museu Nacional Ferroviário (Entroncamento)

Museu Municipal de Ourém

Consolata Museu Arte Sacra e Etnologia (Ourém)

Centro Museológico Artelinho (Sardoal)

NUMOAS – Núcleo Museológico e Oficinas de Artesanato da Sertã

Núcleo de Arte Contemporânea de Tomar

Centro de Estudos em Fotografia de Tomar

Museu Municipal Carlos Reis (Torres Novas)

Museu Agrícola de Riachos (Torres Novas)

Museu de Geodesia (Vila de Rei)

Museu Municipal de Vila de Rei

Museu do Fogo e da Resina (Vila de Rei)

Centro de Interpretação Templário de Almourol (Vila Nova da Barquinha)

Parque de Escultura Contemporânea Almourol (Vila Nova da Barquinha)

Fonte: Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, em mediotejo.pt

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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