A manhã deste sábado, 19 de novembro, não poderia ter começado de forma mais triste para os habitantes da zona da Várzea Grande dos Mesiões, em Torres Novas. O ruído das obras nunca se ouve por ali ao fim de semana e, por isso, muitos acorreram às janelas para perceber a origem de barulhos muito intensos.
Uma das residentes agarrou no telemóvel e, às 09h10, gravou as imagens que aqui reproduzimos com a sua autorização (embora prefira não ser identificada), partilhando-as depois no Facebook. A publicação tornou-se viral entre os torrejanos, indignados com a destruição das duas chaminés da histórica empresa António Alves, conhecida como “Alves das lãs”, consideradas património industrial da cidade.
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Na semana passada, quando começaram os trabalhos de terraplanagem e fundações do novo supermercado Intermarché (ao lado da Nersant e da Escola Profissional de Torres Novas), nada fazia prever o que sucedeu esta manhã. Os edifícios da empresa António Alves foram demolidos há dois anos, depois de quase 30 anos ao abandono, mas as suas duas chaminés foram preservadas.
Depois de um polémico processo para alterar o Plano de Pormenor daquela zona (Cancela do Leão), para que fosse possível recuperar uma aérea degradada com 37 hectares, a Câmara Municipal de Torres Novas aprovou o projeto de construção do Intermarché no local – isentando a empresa do pagamento de taxas municipais no valor de 94 mil euros – mas prevendo a preservação das chaminés, integrando-as na zona exterior do supermercado.

Uma solução semelhante existe no jardim envolvente da Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, construída num local onde existiu no século passado uma fábrica de álcool (propriedade do pai da escritora Alice Vieira), tendo sido preservada a sua antiga chaminé e um poço.

“O dono da obra foi contactado de imediato, esclarecendo que motivos de falta de sustentabilidade e eventual perigosidade futura e com pareceres técnicos que irão ser apresentados com urgência na Câmara, terão conduzido à demolição das duas chaminés”, esclareceu a autarquia em comunicado.
“Foi assumido verbalmente pelo próprio que irá, dentro do tecnicamente possível, repor com segurança, a simbologia histórica que ali existia e cumprir com o projeto aprovado”, adianta a mesma nota.
“Os serviços de urbanismo não foram recetores até esta data de qualquer projeto de demolição, conforme é exigido para este tipo de intervenções. O município irá fazer cumprir esta obrigação processual, face ao projeto previamente aprovado e de imediato irá analisar técnica e juridicamente as consequências derivadas desta inesperada e socialmente chocante demolição.”
*Notícia atualizada no domingo, com esclarecimentos da Câmara Municipal de Torres Novas.
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