Foi com um grupo heterogéneo e entusiasta da natureza e da avifauna que se partiu à descoberta do Paul do Boquilobo, através de um passeio interpretativo organizado pelo município de Torres Novas em conjunto com a associação 30POR1Linha, que pretendeu assinalar o Dia Mundial das Zonas Húmidas. Contando com miúdos e graúdos, adeptos da fotografia ou curiosos da fauna local, o passeio levou os participantes numa viagem de cerca de três horas ao longo desta reserva natural, onde o chilrear das aves era uma constante e onde um conjunto de passos equivalia a uma nova espécie para descobrir.
O passeio, no dia 5 de fevereiro, contou com cerca de seis quilómetros de extensão e com o rio Almonda como companhia, mas o que certamente mais marcou os participantes foi a possibilidade de ver piscos-de-peito-ruivo, chapins-rabilongo e chapins-azul, melros, garças e muitas outras aves naquele que é o seu habitat, através do uso de binóculos ou da passagem pelos observatórios instalados estrategicamente em alguns locais do percurso.

Joaquim Cabral, vereador com o pelouro do Turismo e Património Natural, presente no passeio – bem como o vereador João Trindade – refere que estas atividades são de grande importância uma vez que “valorizam a própria reserva do Paul do Boquilobo, tornam-na mais conhecida, e permitem que as pessoas cheguem até elas”, destacando neste caso o facto de não se tratar de uma simples caminhada, mas sim de um passeio interpretativo, com guias a darem explicações sobre a biodiversidade do local, naquele que consiste num “modo também da população em geral e quem visita Torres Novas adquira conhecimentos”.

E os conhecimentos decerto não ficavam por adquirir a quem a isso se predispusesse. Quem conseguisse localizar um determinado animal não ficava sem saber de que espécie se tratava, uma vez que os caminhantes contavam com o apoio técnico de João Pires e Filipa Coelho, da associação Trinta Por Uma Linha, que iam dando conta de quais eram as espécies, alguns dos seus comportamentos, e outras curiosidades sobre a fauna, a flora e a própria vivência do local.

No final do passeio interpretativo, os organizadores deram-nos um balanço da atividade: “acho que correu bem, tivemos participantes de todas as faixas etárias o que é muito positivo, e nós enquanto associação gostamos muito disso, não gostamos de limitar (…) gostamos que as nossas atividades sejam abertas do 0 aos 100, como nós costumamos dizer, e hoje foi exemplo disso, tivemos crianças, tivemos jovens, tivemos adultos, e acho que a maioria foi contente. Quem já conhecia o Paul ficou a conhecer um bocadinho melhor e quem não conhecia acho que foi com uma boa imagem”, disse Filipa Coelho.
João Pires complementou dizendo que foi realmente positivo, tanto pela adesão das pessoas como pelo próprio passeio em si: “acho que conseguimos passar a mensagem e colocar um bocadinho o bichinho nas pessoas nesta questão de olhar para a natureza com outros olhos”, referiu.

O único senão foi realmente a falta de água no paul – sinal da forte seca que se faz sentir no país e na região – que impossibilitou que a reserva estivesse alagada e com um grande espelho de água, o que, se fosse o caso, faria com que as aves estivessem mais perto: “hoje não aconteceu isso, não há assim tanta água, mas mesmo assim foi positivo”, diz Filipa Coelho.
“Mesmo sendo muita gente aqui do concelho que participou, muitas pessoas ainda não conheciam a reserva, ou conheciam mas ainda não tinham feito o percurso, ou tinham feito o percurso mas não tinham visto as aves que vimos hoje. E assim já ficaram a conhecer alguma da biodiversidade existente aqui na reserva”. Filipa espera assim que este facto talvez leve a que os participantes ganhem curiosidade e passem a palavra, algo muito importante para “todos sermos conhecedores e guardiões da natureza”.

É recomendado a quem queira percorrer a zona num grupo superior a dez pessoas que contactem previamente a reserva. Outras normas da reserva é que o trilho seja percorrido em silêncio e com a menor perturbação possível, que não se saia do percurso assinalado, que não se recolham plantas ou animais, que se deixe o trilho limpo e que se respeite a sinalização existente.
Se alguém quiser levar um amigo patudo para o passeio, este só é autorizado se for com trela. É ainda deixado o alerta para o facto de o trilho ao longo do rio alagar com facilidade.
Criada em 1980 para “salvaguardar uma área permanentemente alagada com grande densidade de vegetação aquática, constituindo um importantíssimo local de nidificação da fauna aquática e de grande valor para a fauna paleártica invernante”, desde 1981 que a Reserva Natural do Paul do Boquilobo é considerada como Reserva da Biosfera, sendo que foi a primeira área portuguesa a integrar a Rede Mundial de Reservas da Biosfera.
Em 1996 foi considerada uma Zona Húmida de Importância Internacional e está também classificada como uma Zona de Proteção Especial desde 1999.

Para o ano de 2022 estão previstos um conjunto de passeios interpretativos que pretendem dar a conhecer o património natural e cultural do concelho de Torres Novas, algo importante para que tanto residentes como turistas possam conhecer o concelho e para que este possa ser projetado, conforme referiu Joaquim Cabral.
O vereador relembrou ainda que o concelho “é muito rico em termos de natureza e de áreas protegidas”, pelo que tem três áreas protegidas, a da Reserva Natural do Paul do Boquilobo, o Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios e o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.
Próximos passeios interpretativos no património natural e cultural de Torres Novas:
- Moinhos da Pena | 20 de março | Início da Primavera e Dia Mundial da Árvore
- Área protegida do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros | 16 de abril | Dia Internacional dos Monumentos e Sítios
- Observação de Aves na Cidade | 8 de maio
- Fórnea de Fungalvaz | 21 de maio | Rede Natura 2000
- Cidade de Torres Novas | 9 de julho | 37.º aniversário da elevação de Torres Novas a Cidade
- Observação de Aves na Cidade | 18 de setembro
- Monumento Natural das Pegadas dos Dinossáurios | 25 de setembro | Dia Mundial do Turismo
- Castelo | 9 de outubro | Dia Nacional dos Castelos
- Museu Agrícola de Riachos | 20 de novembro | Festival Gastronómico das Couves com Feijões
