A APDPTN (Associação para a Promoção e Desenvolvimento dos Produtos de Torres Novas) vai ser apoiada pela Câmara Municipal de Torres Novas com 30 mil euros anuais, ao que acresce uma cedência de instalações, conforme o protocolo aprovado em reunião de executivo de 31 de agosto, cujo objetivo passa pela promoção dos produtos endógenos e dos seus produtores. A proposta foi aprovada por maioria com a abstenção do PSD e voto contra do Movimento P’la Nossa Terra.
Segundo o protocolo aprovado, o município torrejano compromete-se com a atribuição de um subsídio de 15 mil euros em 2022 e de 30 mil euros em 2023, de forma a “apoiar a organização e divulgação de eventos promovidos pela Associação, bem como a disponibilizar instalações adequadas à atividade da associação para serviços administrativos e logísticos”.
Para Pedro Ferreira (PS), presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, este acordo pretende também que a Câmara não assuma sozinha a promoção dos produtos torrejanos e que estabeleça um “elo direto” com os produtores do concelho, pelo que a média de 2500 euros por mês a atribuir mensalmente se destina a que a associação possa concretizar ações promocionais, inclusivamente no estrangeiro.
“Um elencar de situações que estará melhor nas mãos de uma associação que vibra com Torres Novas, do que nos serviços formais da Câmara e com maior dificuldade, eventualmente, no dia a dia, de poderem acompanhar o evoluir deste processo”, explicou Pedro Ferreira.
“Esperemos – e os votos é – que mostrem um trabalho profícuo e que nós à partida confiamos, até pelas pessoas que envolvem a associação, por no seu seio, inclusivamente, estarem desde o pequeno produtor ao grande produtor (…) portanto achamos que é um caminho importante a trilhar e que nós defendemos que é uma forma interessante de desenvolver sem ser as associações tradicionais, que por vezes fazem mais um trabalho administrativo do que propriamente de promoção e de venda”, disse ainda o autarca.
Segundo o protocolo, a APDPTN terá como obrigações colaborar na organização de eventos e feiras do Município de promoção dos produtos de Torres Novas, desenvolver contactos e a apresentar propostas para novas geminações e parcerias internacionais, organizar até ao final de 2022, em Torres Novas, um evento internacional dedicado aos produtos endógenos, e outro até ao final de 2023.
“Desenvolver ações de divulgação e promoção dos produtos endógenos, criar o gabinete de apoio ao produtor, promover ações de formação profissional, participar tecnicamente nos processos de denominação de origem de produtos locais do concelho de Torres Novas e promover a nível nacional e internacional, o concelho de Torres Novas, através da publicação mensal de uma revista onde se especifica as atividades, os produtos e os produtores”, são outras ações a serem desenvolvidas pela associação, segundo informação da autarquia.
Em relação ao espaço a ser cedido à associação, pretende-se que este seja amplo, de modo a que possa igualmente servir de entreposto para vendas e armazém dos produtores, pelo que está a ser equacionada a cedência de uma parte da antiga fábrica de Fiação e Tecidos, a qual foi recentemente adquirida pela autarquia pelo valor de 700 mil euros.
A oposição, no entanto, demonstrou algumas preocupações. Por parte do Movimento P’la Nossa Terra, Pedro Sardinha (em substituição de António Rodrigues), que votou contra a proposta, disse que embora o movimento apoie “qualquer iniciativa que tenha como objetivo promover os produtores e produtos torrejanos”, considera que o protocolo “não merece o nosso apoio, uma vez que para além de obrigar o município a despesas de divulgação e organização dos eventos promovidos pela associação e à cedência de um espaço físico nas suas instalações para a realização dos serviços administrativos e logísticos da referida associação, obriga ainda o município a um pagamento de 45 mil euros no próximo ano e meio”.
“Acresce ainda que da leitura do protocolo não vislumbramos a que se destina o valor monetário que o município fica obrigado a pagar. Em contrapartida, a referida associação fica obrigada a um conjunto de obrigações vagas, no nosso entender, e dificilmente mensuráveis durante a vigência do protocolo. Entendemos também que por melhores que sejam as intenções desta associação, a mesma até ao momento ainda não revelou ações solidamente reconhecidas pela comunidade torrejana e que justifiquem o esforço orçamental do município no prazo de um ano e meio no valor de 45 mil euros”, disse ainda Pedro Sardinha em declaração de voto.
Já por parte do PSD, Tiago Ferreira disse que embora tenha algumas dúvidas entende que esta é uma “opção política” do executivo, pelo que ia optar pela abstenção na votação, deixando o ” benefício da dúvida para que o trabalho que seja apresentado seja devidamente avaliado, porque aquilo que está em questão é efetivamente a avaliação do trabalho que vai ser concretizado”, disse, afirmando que apesar de concordar com os princípios vigentes no protocolo, se iria abster por uma “questão de salvaguarda”.
No que concerne ao executivo socialista, o vereador Joaquim Cabral considera que este “pode ser um passo importante no sentido de valorizar os produtos, criar valor acrescentado, e contribuir para o dinamismo da atividade económica deste setor”, enquanto Luís Silva, vereador e vice-presidente da autarquia felicitou quem teve a ideia de criar a associação, dizendo que se revia neste projeto.
“Acho que Torres Novas precisa de gente que queira fazer alguma coisa por alguns produtos que vão ficando esquecidos em Torres Novas, e eles querem revitalizar, valorizar o nosso concelho, aquilo que se faz de bem, que se produz em Torres Novas”, disse o autarca.
“Fazemos uma feirinha todos os meses dos nossos produtos da terra, mas é preciso mais do que isso. É preciso fazermos mais coisas, trazermos os nossos produtores, valorizar o pequeno produtor e o grande produtor. Esta associação tem esta qualidade, tem gente que produz pouco mas tem gente que produz muito (…) há aqui um conjunto de pessoas que formam a associação que me dá garantias de que vão ser um contributo, uma alavanca, para os nosso produtores, e portanto nesse sentido têm o meu total voto de confiança por aquilo que tenho visto até agora, mais tarde reavaliaremos e eventualmente podemos mudar de opinião, hoje é esta a minha opinião”, terminou Luís Silva.
A Associação para a Promoção e Desenvolvimento de Produtos de Torres Novas nasceu no início de 2022 com o objetivo de promover vários dos produtos que se produzem nas aldeias do concelho, alguns a cair no esquecimento, e dinamizá-los além fronteiras, como o figo torrejano ou a laranja do Pafarrão, entre muitos outros.
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