“Não comprámos só por comprar”, assegurou Pedro Ferreira (PS), presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, na sessão da assinatura do contrato, ocasião em que deu conta da estratégia pensada para aquele espaço que abrange um total de 31 000 m2, a qual também já havia sido apresentada na reunião de Câmara de 2 de março 2022, quando foi deliberada a decisão de aquisição.

O projeto ainda vai ser apresentado em reunião de Câmara e vai estar sujeito a ideias que “possam entretanto cruzar-se com estas ou melhorar estas, que era o ideal”, mas “a estratégia julgo que não vai fugir muito porque está muito pró-criativa, está com muitas ideias, é um espaço enorme que dá para ter todas as ideias e mais algumas”, disse Pedro Ferreira.
A estratégia para já delineada prevê a criação de 17 espaços diferentes para aquele complexo, nomeadamente um Núcleo de Interpretação da Companhia Nacional de Fiação e Tecidos de Torres Novas, um Centro de Alojamento Temporário, uma Escola de Formação da Cruz Vermelha, Blocos Empresariais StartUp Torres Novas (prolongamento da incubadora de ideias e que permitirá responder a projeto de maior dimensão), Ateliers e Oficinas, um Museu de Arqueologia Industrial, uma Creche Pública, uma área para restauração e comércio e um Centro de Alto Rendimento de Judo e Ginástica.
Espaços empresariais, um espaço multiusos coberto, uma clínica de saúde (provavelmente de cariz privado), Blocos de Saúde (para albergar um conjunto de valências no campo da saúde, por solicitação do ACES Médio Tejo, bem como por previsão de distribuição de equipamentos de âmbito regional antecipada pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo), um Núcleo da Central Hidroelétrica, um Espaço de Lazer Fluvial com a requalificação de 400 metros da margem do rio Almonda ou um parque infantil são outros dos espaços pensados para aquele complexo.
O projeto prevê ainda a criação de um parque de estacionamento (53 lugares de estacionamento para viaturas ligeiras, seis dos quais exclusivos para carregamento de viaturas elétricas) e de um espaço para funcionar como receção/portaria.
“Estamos a falar de desafios que sozinha a Câmara nunca conseguirá fazer, portanto são trajetos que queremos fazer, queremos percorrer, queremos dialogar, reunir, provocar, promover, e tirar partido o mais possível, porque estamos na altura para isso, das fontes de financiamento”, afirmou Pedro Ferreira, que considera também que as parcerias com as IPSS (Instituições Particular de Solidariedade Social) do concelho vão ser fundamentais, bem como com outras entidades, como a Nersant (Associação Empresarial da Região de Santarém), exemplificou.
O autarca disse ainda que seria bom mas que é quase impossível concretizar todos estes 17 projetos neste mandato, mas que “isto é um desafio para esta Câmara, e para as próximas Câmaras será sempre um desafio para aquela zona lindíssima, que pretendemos sem muros, que as pessoas, sobretudo os torrejanos mas depois também muitos visitantes, muitos turistas, aproveitem aquela zona lindíssima”, referiu.
Confirmando que o jardim de infância, que se encontra a funcionar no local assim permanecerá, Pedro Ferreira disse que o pretendido é que haja precisamente privados lá instalados, “que não considerem aquilo só como um equipamento único camarário para atividades camarárias, queremos que seja polivalente e que seja uma grande respostas a nível regional, e porque não dizer, a nível nacional”.
ÁUDIO | PEDRO FERREIRA, PRESIDENTE CM TORRES NOVAS:
Demonstrando dúvidas de que alguma vez algum privado adquirisse aquele espaço, Pedro Ferreira (PS), presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, afirmou na sessão da assinatura do contrato que a aquisição do espaço da velha fábrica era com certeza um gesto de “extrema importância” para o concelho e para as suas gentes, pelo que “valeu a pena”, todo o processo negociado entre a Câmara e o Novo Banco.
“Também temos uma obrigação de assegurar a memória coletiva daquele património industrial, aliás é um desafio que a própria Europa e o mundo, incentivam os Governos a preservar a memória coletiva da parte industrial, da grande revolução industrial que houve a nível mundial”, afirmou o autarca.
Sofia Ramos, procuradora do Novo Banco, disse que não são habituais as deslocações para assinatura de contratos, “mas percebendo a relevância e importância deste ato, e depois de ouvir o projeto, as ideias que têm, dizer que realmente é um projeto ambicioso, polivalente, mas muito bem pensado (…) foi uma situação de luta, segundo aquilo que já percebi, mas foi possível chegar a este ponto, e chegados a este ponto estou certa que daqui para a frente temos tudo para formalizar este contrato definitivo e arrancar com esses projetos”, disse.

Depois de 166 anos de laboração, a antiga Companhia Nacional de Fiação e Tecidos de Torres Novas encerrou a 29 de julho 2011, pelo que o Novo Banco (na altura ainda Banco Espírito Santo) tinha ficado com aquele “tóxico” para resolver.
Depois de os valores inicialmente falados de cinco e seis milhões terem sido reduzidos para três milhões, várias reuniões e persistência conduziram ao acordo para um valor final de 700 mil euros, pelo já foi assinada a transferência de 255.720€, sendo que dentro de três meses, após visto do tribunal de contas e fruto de um empréstimo que a Câmara contraiu, será concluído o negócio.




Irá ser dada uma nova vida a um dos muitos edificios fabris abandonados no nosso país.
Os novos projectos irão dinamizar em muito a cidade.