Após críticas, Pedro Ferreira reafirma confiança na Associação para a Promoção e Desenvolvimento dos Produtos de Torres Novas. Foto: DR

Depois de a CDU e o Movimento P’la Nossa Terra terem criticado o apoio de 45 mil euros dado pelo município à APDPTN (Associação para a Promoção e Desenvolvimento dos Produtos de Torres Novas) aliado ao facto de a primeira revista lançada por esta associação ter tido Pedro Ferreira (PS) como capa, o presidente da Câmara Municipal reforçou a confiança na recém-criada associação.

“Não se pode tão simplesmente só olhar para os valores e uma revista. Já saiu uma segunda revista, deve estar para sair uma terceira, só falaram na primeira. Ora isto é uma associação de desenvolvimento para Torres Novas, de produtos locais, é o Pedro Ferreira que está como presidente de Câmara e que apareceu na primeira revista, mas se fosse o ‘joaquim da esquina’ – desculpem a expressão – eu acho que merecia na mesma, qualquer presidente de Câmara, na primeira revista para desenvolver Torres Novas, ser uma entrevista ao presidente da Câmara”, disse Pedro Ferreira.

Pedro Ferreira disse ainda que esta ação “dignifica democraticamente o cargo de quem exerce a presidência da Câmara”, não vendo “nada anormal”, e apontando que ninguém falou da segunda revista em que apareceram outras figuras de Torres Novas.

Pedro Ferreira (PS), presidente da Câmara Municipal de Torres Novas.

O presidente da Câmara afirmou também que esta “é uma revista nova, com gente boa, velha, de Torres Novas”, com associados “com provas dadas, ligados a tudo o que é produto rural e regional de Torres Novas, com muita experiência, alguns com grande impacto a nível nacional e internacional”, dizendo que é disse que Torres Novas precisa, de “gente especialista, que saiba desenvolver toda a estratégia e ajudar-nos nessa estratégia de chegar a esta grande aldeia global que é o mundo e que é fácil lá chegar mas que é preciso saber para lá chegar e é preciso gente com experiência para lá chegar”.

A publicação em questão, “Torres Novas Entre Cidades”, publicação da APDPTN que vai já para o seu terceiro número. Foto: Facebook Assoc. Promoção e Desenvolvimento dos Produtos de Torres Novas

“O dinheiro que nós estamos a pagar, não é toma lá 15 mil euros este ano e 30 mil para o ano, só porque tomem lá para sobreviverem, não, tem a ver com deslocações inclusivamente para o estrangeiro, promoção de eventos que irão ser acompanhados por serviços da Câmara, portanto não é um simples subsídio de sobrevivência, e depois os resultados aparecerão porque nós temos essa preocupação, até em termos da legalidade”, disse ainda o autarca.

Estas justificações do líder torrejano surgiram depois das críticas de Mafalda Batista, deputada eleita pelo Movimento P’la Nossa Terra, que começou por dizer que o apoio a este tipo de associações “não deve substituir a função do executivo camarário de promover todos os produtos e serviços do nosso concelho”, referindo depois um “espanto” pelo valor e as condições que a Câmara de Torres Novas “disponibilizou num tão curto espaço de tempo: 45 mil euros para um ano e meio, entregues a uma associação que à data da celebração do protocolo tinha como obra feita e visível a publicação de uma revista ocupada na sua maioria por uma entrevista ao senhor presidente da Câmara, senhor Pedro Ferreira, inclusive a capa”.

Deputada municipal Mafalda Batista (Movimento P’la Nossa Terra).

“Parece-nos manifestamente desajustado e um exagero. Por ser desajustado corre o risco de parecer injusto para outras associações torrejanas, empresariais, culturais, desportivas, que se desmultiplicam em pedidos que nunca são atendidos. Não duvidamos das boas intenções nem da seriedade das mesmas e das pessoas de quem partiu a iniciativa, desejamos-lhes inclusive muita sorte, mas é nosso direito e dever demonstrar o espanto”, disse ainda a deputada, assegurando que os membros do partido vão exercer a função fiscalizadora para a qual foram eleitos.

Também a CDU apontou a mira a este tema através da intervenção de Cristina Tomé, que afirmou inclusive que “estamos pois perante um apoio descarado a um órgão de comunicação social, o que para além de ser ilegal, serve às mil-maravilhas não só ao executivo mas também a um novo órgão de comunicação social totalmente dependente do próprio poder municipal”, tendo em conta o primeiro número da revista “Torres Novas Entre Cidades”, de distribuição gratuita, “com Pedro Ferreira em grande destaque na capa e no interior uma grande entrevista ao presidente da Câmara de Torres Novas”, referiu.

Deputada municipal Cristina Tomé (CDU).

APDPTN (Associação para a Promoção e Desenvolvimento dos Produtos de Torres Novas) nasceu no início de 2022 com o objetivo de promover vários dos produtos que se produzem nas aldeias do concelho, tendo sido deliberado recentemente um apoio municipal de 30 mil euros anuais, ao que acresce uma cedência de instalações, conforme o protocolo aprovado em reunião de executivo de 31 de agosto. Esta proposta foi aprovada por maioria com a abstenção do PSD e voto contra do Movimento P’la Nossa Terra.

Notícia Relacionada

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *