As duas chaminés mantinham-se de pé no terreno já limpo de entulhos, no final de outubro. Foram demolidas a 19 de novembro, um sábado. Créditos: DR

“Vai haver um embargo à obra.” O anúncio foi feito esta tarde pelo Presidente da Câmara de Torres Novas durante a reunião camarária, depois de já anteriormente ter prometido que iriam haver consequências pela demolição, no passado sábado, e para choque de muitos torrejanos, das duas chaminés da empresa António Alves, consideradas património industrial da cidade.

Pedro Ferreira (PS), classificou a situação como uma “triste telenovela”, referindo que o que o incomodou mais foi o facto de a empresa não ter tido o cuidado de dizer que as chaminés estavam em risco – e que se assim tivesse ocorrido, o município teria dito para abandonarem de imediato o local até uma fiscalização técnica.

“Vai haver um embargo à obra, vai ter que haver uma coima, um processo de contraordenação sobre o que aconteceu, e depois, o processo ao parar, certamente que a empresa empreendedora terá de procurar junto da Câmara apresentar uma alternativa. Haverá situações financeiras envolvidas, de coimas, mas para já, e não posso dizer mais do que isto, vou assinar – logo que acabe a reunião –, o embargo [da obra]”.

O líder do município torrejano fez ainda saber que, juridicamente, tudo o que aconteceu está a ser “apreciado ao pormenor”.

“Era impensável, e eu acho que não houve visão da parte da empresa que está a fazer aquela obra. Já o disse particularmente e digo publicamente: não conheceram o coração dos torrejanos, não perceberam a história dos torrejanos, é impensável o que fizeram. Merecem penalização, merecem. Queremos aquela obra a crescer, queremos. Mas queremos saber é como – e temos de nos interrogar como é que a queremos ver completa –, porque é uma grande obra, cria muitos postos de trabalho, também não somos parvos nem cegos para não ver isso, mas queremos que haja regras e tem de haver penalizações”, disse Pedro Ferreira, afirmando que está de “olho aberto” para essa penalização.

Manifestamente desiludido na sua intervenção, o eleito socialista afirmou ainda que aguardava “com algum orgulho” aquela obra por levar uma superfície de média ou grande dimensão para uma zona “que também precisava de reabilitação urbanística”, acrescentando que a maioria dos torrejanos, “para não dizer a totalidade”, desejava que isso assim tivesse acontecido, sem este problema que se veio a verificar.

Também Luís Silva (PS), vereador com o pelouro do urbanismo, disse ter tratado dos trâmites necessários – já foi preparada a informação e já fez um despacho para seguir para a contraordenação e para que o presidente dê a obra de embargo. Segundo o também vice-presidente, agora ou são repostas as chaminés, ou então apresentam um projeto de alterações, que “terá de ser analisado e avaliado”.

O vereador António Rodrigues (Movimento P’la Nossa Terra) subscreveu o que foi dito pelos dois autarcas socialistas, afirmando que o que se passou foi algo que nunca pensou que acontecesse. Saudando a posição tomada pelo executivo, o edil disse ainda não ver qualquer alternativa que não passe por repor as chaminés e que acredita que “vai haver o bom senso para que o mal feito seja reposto, se não na totalidade pelo menos na sua parcialidade”.

“As pessoas podem ser donas do terreno, podem ser donas da propriedade, mas não são donas da nossa memória”, disse ainda António Rodrigues.

Por parte do PSD, o vereador Tiago Ferreira também concordou com as posições tomadas, dizendo que ficou “estupefacto” com o sucedido, mas demonstrou algumas dúvidas sobre a forma processual como se vai resolver o assunto e que sejam reconstruídas as chaminés.

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Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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