A questão do acesso à nascente do rio Almonda, local que a empresa Renova reivindica como sua propriedade, voltou a estar em discussão na reunião de executivo de Torres Novas. Pedro Ferreira (PS), presidente da Câmara Municipal, garantiu que o processo nunca parou e que se aguarda por alguns pareceres de entidades externas e pela apresentação por parte da Renova do projeto que a empresa tem em vista para o interior da fábrica.
Foi Hugo Paz, que disse estar a representar um coletivo de pessoas, quem levou à reunião camarária de 23 de novembro o assunto do melhoramento do acesso à nascente do rio Almonda perguntando quais os desenvolvimentos desde que foi entregue uma petição à Assembleia Municipal – e aprovada (apenas com uma abstenção) por este órgão – na qual era recomendado que “o município devia liderar o processo de renovação daquela zona envolvente da nascente, de várias maneiras, nomeadamente com um acesso livre à nascente, com a negociação da remoção da vedação metálica, criando um espaço agradável e seguro para todos os seus visitantes, o melhoramento das estradas públicas até à zona da nascente, e o diálogo com os proprietários dos edifícios em ruínas ali na zona da nascente”.
Em resposta, Pedro Ferreira, presidente da Câmara, começou por garantir que o processo nunca parou e que têm sido desenvolvidos trabalhos em conjunto com a Junta de Freguesia de Zibreira no que toca à identificação dos proprietários do caminho mais tradicional – embora indesejável no sentido de o querermos ver de outra maneira – até à nascente, ao lado da rede que lá existe.
O autarca frisou ainda que os contactos com a administração da Renova não pararam no sentido de se perceber qual é o projeto que a empresa tem para o interior da fábrica, previamente dialogado com a Câmara, que incluía visitas turísticas educacionais, ambientais, “tudo o que possamos imaginar num trajeto histórico, cultural, ambiental, e que poderá ser – quero acreditar que possa vir a ser – interessante a nível municipal, nacional e internacional”, disse Pedro Ferreira.
Sobre a questão do acesso à nascente do Almonda o líder do município torrejano afirmou que se está à espera de pareceres, e mencionou um segundo ofício enviado para o ministro do Ambiente para este se pronunciar sobre a questão da água natural usada pela fábrica da Renova, pelo que “estamos dependentes também de algumas respostas. O projeto nunca parou, nunca irá parar pelo menos enquanto eu for presidente da Câmara, mas espero que com a maior brevidade possível possa com consistência, com o esclarecimento devido (…)”, afirmou o autarca socialista.
“Nesta fase estamos num trabalho (…) que não tem a ver propriamente com uma acessibilidade mesmo direta à gruta da nascente mas que tem a ver com um sistema de visitação que será sempre viável e sempre aproveitável, é nesse sentido que nós estamos a trabalhar com maior urgência neste momento, com a Junta de Freguesia da Zibreira no sentido de melhorar o que não está bem naquele percurso – que só por si está mau, podia estar muito melhor – mais aprazível e com melhores condições”, sintetizou o eleito socialista.
“Outra coisa que está a ser vista (…) é a questão da rede que lá existe a separar e que segundo a fábrica e é isso que está a ser também apreciado, segundo a administração da Renova já existe há muitos anos (…) todos sabemos que pessoas conscientes como vocês são e nós somos as coisas têm de ser bem esclarecidas para não comprometerem erradamente coisas que são importantes para todos nós. Fazer mas fazermos com os pés bem assentes no chão”, disse ainda o autarca.

Hugo Paz fez de novo uso da palavra, afirmando que “acreditamos que do lado da sociedade civil o trabalho está feito, ou seja, falta aqui trabalho político e falta na nossa opinião uma liderança, ou seja não percebemos quem é que está aqui a tomar a iniciativa, se é a Renova, se é o município, deve ser tudo em conjunto”, pedindo mais alguns esclarecimentos.
“Entre pareceres e pareceres a situação continua na mesma e gostávamos de ter uma nascente e um rio para todos”, disse ainda o munícipe.
Pedro Ferreira garantiu então que está a ser feito um percurso comum para se procurar e encontrar a melhor solução, solução essa para a qual todos estão “despertos para saber qual é e o que é que a lei prevê nesse campo”.
Já o vereador António Rodrigues (Movimento P’la Nossa Terra) disse que tal como ele e outros quando eram jovens tinham a liberdade de usufruir do rio, esse é também o direito dos munícipes agora.
“Eu quero que fique muito claro que estou do vosso lado, concordo convosco, já disse isso mais do que uma vez, já o disse aqui na reunião de Câmara, e mais do que estar do vosso lado (…) se eu tivesse ali naquela cadeira já há muito tempo que tinha sido feito um despacho a dar ordens para tirar de lá aquela rede e era a partir daí que tudo se discutia”, afirmou o edil.
Nesta altura Tiago Ferreira, vereador eleito pelo PSD, saludando a intervenção e a questão cívica abordada, não concordou com António Rodrigues, referindo que é preciso ser-se “realista” e que “é muito fácil de falar e ser populista”, tendo em conta que há questões de segurança relacionadas com o tema.
“No dia em que fizermos o despacho se morre uma criança naquela represa eu pergunto de quem é a responsabilidade e portanto há aqui questões que são muito mais profundas do que nós estamos a falar, e portanto é preciso ser ponderado”, disse o edil afeto ao PSD.
“E eu sou o primeiro a defender que é preciso efetivamente devolver a nascente à população, é preciso que a Renova ponha aquele espaço ao serviço mas é preciso ter alguns condicionantes, e isto não invalida que não devesse já haver da parte da Câmara uma decisão e qual era a decisão daquilo que se vai fazer”, afirmou ainda Tiago Ferreira, que reforçou a necessidade de segurança naquele local que não é só a nascente do rio Almonda mas também uma barragem de contenção de água e que não é local para banhos públicos.
António Rodrigues afirmou ainda que de populista tinha pouco e reconheceu a importância económica e social da Renova para o concelho e região, mas que isso não lhe dá o direito de ocupar um espaço que é público.
