Foto: Tejo Ambiente

A empresa intermunicipal Tejo Ambiente apresentou um desempenho económico relativo ao primeiro semestre de 2022 pior que o de 2021, naquele que foi um resultado negativo de 1,6 milhões de euros em relação aos 1,2 milhões do semestre homólogo, conforme foi dado a conhecer na última reunião camarária de Tomar, na qual esteve em análise a informação económico-financeira da Tejo Ambiente referente ao primeiro semestre do ano corrente.

“As rendibilidades das vendas e dos capitais próprios são negativos e pioram em relação ao primeiro semestre do ano anterior, o que significa que a empresa está a perder valor. Este relatório deveria contemplar a evolução face ao orçamento – e que decorre da lei – mas é omisso, em relação a isso. Portanto estamos aqui com um quadro um pouco negativo relativamente à evolução da Tejo Ambiente”, começou por refletir a vereadora Lurdes Fernandes (PSD).

Anabela Freitas (PS), presidente da Câmara Municipal de Tomar, ressalvou que a Tejo Ambiente esteve sete meses em atividade com o EVEF (Estudo Viabilidade Económica e Financeira) anterior, o qual está refletido aqui nas contas apresentadas.

“E portanto ainda não lhe sei dizer como é que está a ser o desempenho da Tejo Ambiente com o novo EVEF”, disse a autarca, adiantando que irá ser feito um ponto de situação da evolução da empresa – onde será já refletida a atividade com o novo EVEF – em reunião com o conselho de administração.

O vereador Luís Francisco (PSD), também se mostrou preocupado com este quadro, afirmando que além do resultado piorar, “efetivamente há aqui um investimento grande, mas também há um endividamento que sobe, e portanto a autonomia financeira piora substancialmente se o endividamento cresce, portanto a empresa está mais dependente de terceiros e portanto mais frágil e com menor capacidade de recorrer a maiores endividamentos”.

Em resposta, Anabela Freitas disse que o preço de compra às entidades em alta subiram, e que a Tejo Ambiente teve assim de pagar a água, o saneamento e os resíduos sólidos ao preço que as entidades em alta o colocaram, acrescentando que o número de clientes da empresa está/vai aumentar tendo em conta que entretanto foram concluídas várias obras e que vão decorrer ligações à rede.

“Há um conjunto significativo de investimentos que estão a decorrer, dos quais para suportar a componente nacional foram contraídos empréstimos bancários, e portanto também aí a questão dos juros e aquilo que é a dependência da banca é elevada, para fazer face àquilo que são a componente nacional dos financiamentos”, afirmou a líder do município nabantino.

“À data que estamos a analisar foi feito o investimento mas não havia a entrada de novos clientes e portanto há aqui um delay [atraso] nestas coisas, agora a perspetiva quando aprovámos o EVEF era de corrigir estas situações, porque elas já estavam identificadas até naquilo que levou à revisão do próprio EVEF, portanto espero que efetivamente as medidas tomadas estejam a corrigir, mas neste momento não lhe sei responder a essa questão”, acrescentou ainda.

Depois de Lurdes Fernandes ter igualmente pedido uma palavra sobre o que estava previsto em termos de renovação de condutas e outros investimentos similares, Anabela Freitas explicou que no concelho de Tomar aquilo que está referenciado é um investimento de oito milhões de euros para renovar 258 quilómetros de conduta, ou seja, todos os quilómetros que eram abastecidos pela Mendacha, o que engloba 4400 alojamentos.

“E portanto é isto que nós identificámos, se houver financiamento. Se não houver financiamento temos que ver o plano B, sendo que uma das coisas que pode estar em cima da mesa é o recurso ao Banco Europeu de Investimento (BEI), se é que a Tejo Ambiente o pode fazer”, algo que tem de ser analisado, explicou a eleita socialista.

“Podemos falar dos temas mais eficientes de telegestão, telemetria, de tudo, mas se as condutas estão podres não há sistema que valha”, acrescentou ainda Anabela Freitas.

Também em matéria de saneamento estão já identificados “alguns investimentos”, sendo que a ordem de prioridade estará relacionada com o número de habitações a servir, ou seja, quanto maior for o número de habitações a servir, maior será a prioridade do investimento.

Tendo o ponto sido apenas para conhecimento, a informação foi remetida para Assembleia Municipal.

Relembre-se que a Assembleia Municipal de Tomar aprovou uma Moção de Censura à Tejo Ambiente na sua sessão de 26 de setembro de 2022:

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

Entre na conversa

1 Comentário

  1. Talvez por isso e pela sequência de anos com prejuízos, a Tejo Ambiente tentou, em meados deste ano, impor aos consumidores mais uma taxa, alegadamente de saneamento. Fazendo umas contas simples: cerca de metade da população de Tomar vive fora da zona urbana (+/- 18000 pessoas), dois terços delas sem saneamento básico e a quem seriam saqueados, em média, 150€/ano o que representaria um encaixe para a TA, de quase dois milhões de euros. Roubo descarado a quem, na sua maioria pensionistas de baixos rendimentos, já se priva de bens essenciais, como comida e medicamentos.
    Se a Tejo Ambiente está insolvente, fechem-na, em vez de pagar vencimentos aos administradores e de adquirir frota de carros novos, como aconteceu recentemente.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *