Têm sido desmantelados acampamentos de famílias de etnia cigana há décadas estabelecidos no Flecheiro, em Tomar. A Câmara Municipal tem procedido a estratégia para a sua deslocalização, desocupando esta zona com intuito de a requalificar e devolver à fruição da comunidade em geral, uma vez que fica numa das principais entradas na cidade. Foto: DR

O vereador Tiago Carrão (PSD) não escondeu a preocupação com o desenvolvimento dos trabalhos na zona do Flecheiro, em Tomar, e questionou a presidente do executivo sobre o realojamento dos moradores. Anabela Freitas (PS) disse que o visto do Tribunal de Contas já chegou e que a obra vai ser consignada muito breve. As barracas estão quase todas demolidas e há quatro agregados familiares por realojar.

O vereador da oposição começou por questionar Anabela Freitas (PS) sobre quais os próximos passos a serem dados e manifestou uma “preocupação muito grande com o prazo de execução da obra, tendo em conta o financiamento”. A presidente da Câmara afirmou que o visto do Tribunal de Contas já chegou e que a Câmara Municipal espera “consignar a obra no final desta semana”.

“Depois da consignação da obra, então aí é que o empreiteiro pode começar a montar estaleiro. Por isso é que eu referi que durante o mês de março estamos em condições de iniciar a obra”, explicou Anabela Freitas.

Intervenção de Tiago Carrão na reunião da Câmara Municipal de Tomar, a partir de 01:16:36

Sobre o realojamento das famílias que habitam na zona alvo da intervenção, Hugo Cristóvão deu a saber, durante a sessão, que no local ainda permanecem quatro agregados familiares.

“Visualmente estão lá mais barracas, mas na verdade já estão vazias. Nestas últimas já não tivemos aquela preocupação de ir a correr demolir assim que ficaram vazias, porque já não existia essa necessidade”, referiu.

“Desses quatro, dois sairão brevemente e outros dois, da ponta sul (…), ainda não temos uma solução definitiva ou melhor, a solução definitiva será difícil de executar a tempo do início das obras”, acrescentou o vereador da autarquia tomarense.

Em permanente contacto com os serviços do município, Hugo Cristóvão afirma estar a ser ponderada uma “solução alternativa, que é como quem diz, provisória para esses dois agregados familiares”.

O plano da obra vai permitir um maior prazo de ponderação para a situação, uma vez que está estipulado o início dos trabalhos de intervenção na zona norte e, apenas mais tarde, a intervenção na zona sul, onde se encontram os restantes agregados.

“Não nos parece muito possível que a solução definitiva para esses dois agregados esteja conseguida até ser necessária a sua retirada, pelo que estamos a trabalhar numa solução provisória para esses agregados”, notou Hugo Cristóvão.

Em janeiro do presente ano, a presidente da autarquia já havia manifestado a preocupação com a execução da obra de reabilitação da zona do Flecheiro, tendo em conta o passar do tempo. Trata-se de um empreendimento de três milhões de euros (dois dos quais financiados por fundos europeus e um milhão pelo município), com um prazo de execução de obra de nove meses que tem de ser concluído até ao final do ano.

A questão foi levantada pelo vereador Tiago Carrão (PSD), tendo o mesmo descrito a empreitada como “uma obra que está praticamente em contrarrelógio”, sendo que a mesma tem de estar concluída este ano e que o seu prazo de conclusão é apontado para nove meses. Ou seja “a margem é mesmo muito curta”, clarificou o edil.

Afirmando que a autarquia demorou um mês a responder aos pedidos de esclarecimento do Tribunal de Contas que chegaram no dia 9 de dezembro, o vereador do Partido Social Democrata questionou se não teria havido a possibilidade de ter sido feito um esforço e ter sido encurtado esse tempo de resposta. Anabela Freitas não escondeu a sua preocupação, afirmando que já estava preocupada no dia 9 de dezembro.

“Eu já estou a pensar mentalmente qual é que vai ser a argumentação que terei de usar para tentar que haja possivelmente uma prorrogação para poder encerrar a operação física e financeira, porque quando se encerra a operação física depois ainda há um espaço de tempo até ao encerramento da operação financeira, por causa das revisões de cálculos de preços e portanto já estou aqui a pensar num argumento”, afirmou a autarca.

A líder do município tomarense disse que os serviços estavam “mais do que alertados” e concedeu que deveriam ter trabalhado mais rapidamente.

Foto: DR

Em causa está o projeto de requalificação das margens do Nabão, neste caso inserido na área do Plano de Pormenor do Flecheiro, numa intervenção de cerca de 4 km com objetivo de redução do efeito de cheia e modelação do terreno, dando lugar a um espaço verde de usufruto da população.

A candidatura do projeto foi construída no sentido de se criar uma grande bacia de escoamento de águas, tendo em conta a possibilidade de cheia, sendo essa a justificação para o grande movimento de terras que se vai dar na zona, sendo que o vereador e vice-presidente Hugo Cristóvão já havia explicado que aquela zona plana do Flecheiro vai descer “bastante” em níveis, até chegar à cota do rio, e criar ali uma enorme bolsa de águas.

Embora não esteja contemplado no projeto, é possível que mais tarde – uma vez que há zonas pensadas para esse fim – possa vir a ser construído um parque infantil ou outro equipamento.

Jéssica Filipe

Atualmente a frequentar o Mestrado em Jornalismo na Universidade da Beira Interior. Apaixonada pelas letras e pela escrita, cedo descobri no Jornalismo a minha grande paixão.

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