Estádio Municipal António Fortes "Totói", em Tomar. Foto: mediotejo.net

O assunto foi levado à reunião de Câmara de 9 de janeiro pelo vereador Tiago Carrão (PSD), o qual questionou quanto à conclusão do projeto, a qual estava prevista para o verão passado, e tendo em conta que no orçamento municipal está inserida uma verba de cerca de 64 mil euros para o projeto.

Foi então que Hugo Cristóvão explicou que o projeto da requalificação do Estádio Municipal António Fortes está numa fase “muito avançada” já há “bastante tempo”, mas que o mesmo foi suspenso devido a uma “surpresa”, a descoberta de que o Estádio nunca teve uma licença. “É como se oficialmente nunca tivesse existido”, disse o também vice-presidente da autarquia.

Referindo que essa situação não é nova e que se passa com outras estruturas, Hugo Cristóvão detalhou que no caso do Estádio existe um problema acrescido que se prende com o facto de este estar numa zona que é formalmente ameaçada por cheia, pelo que tudo o que ali se faça requer desde logo parecer de algumas entidades, em particular da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

“O facto de não haver uma licença anteriormente atribuída cria-nos aqui dificuldade na sua requalificação. Ou seja, na verdade não é uma requalificação, é como se ao dia de hoje ali fossemos construir um equipamento novo”, disse o edil, que acrescentou que a situação não seria tão problemática se existisse lá um edifício.

“Mas atualmente não existe lá edifício nenhum. O que existe são uns balneários em contentores pré-fabricados, portanto não é um edifício são uns equipamentos provisórios, e umas bancadas também elas pré-fabricadas, provisórias, foi assim que lá foram colocadas. Ou seja, se hoje fossemos demolir as bancadas e no momento seguinte começasse a construção, isto seria mais ou menos, ainda que com algum trabalho, obviamente, mas seria mais ou menos pacífico ou se existisse a tal licença atribuída. Não existe nem uma coisa nem outra”, disse o eleito socialista.

“E portanto nós estamos agora de tentar trabalhar junto das entidades mas também ver o que é que termos de instrumentos de gestão do território é possível fazer para conseguir, sendo que não é nada fácil. E tenho que ser totalmente honesto, ao dia de hoje, não sei se vai ser possível conseguir que nos volte a ser autorizada a construção naquele local. A lei da água é muito complexa e exigente e portanto ao dia de hoje não podemos garantir isso. Estamos a tentar trabalhar nisso”, afirmou ainda o vereador.

O projeto encontra-se assim suspenso até a autarquia ter a certeza se é ou não possível avançar com a construção naquele local, algo que se não acontecer obrigará à construção num outro sítio, algo que “obviamente será ainda mais complexo porque não há neste momento terrenos disponíveis”, disse Hugo Cristóvão.

Atualmente, está-se a tentar “justificar perante as entidades aquilo que todos sabemos: que de facto o Estádio existiu ali durante décadas e infelizmente nunca foi tratado daquilo que devia ser tratado para a sua formalização ou no momento da sua demolição não foi cuidado que essa demolição não tivesse prejuízos no momento seguintes quando se voltasse a lá querer construir”, concluiu.

A autarquia tomarense pretendia requalificar o Estádio Municipal de Tomar, visando efetuar melhoramentos nos balneários, criar um ginásio para os atletas e uma sala de preparação física, bem como alargar a bancada existente:

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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