Paulo Macedo e a sua equipa, no entanto, preferem ser cautelosos e esperar realmente pela confirmação da aprovação, tendo em conta que atualmente as candidaturas encontram-se como diferidas no site governamental dedicado aos CTE. No total, no Médio Tejo, apenas quatro candidaturas foram diferidas, nesta 1ª fase: duas em Alcanena, uma em Abrantes e uma outra em Tomar.
O agrupamento tomarense vai assim passar a ter um Centro Tecnológico Especializado na área da Informática, sendo que o mesmo não envolve a criação de novos cursos profissionais, mantendo-se o curso já existente de Técnico de Informática – Sistemas.
Conforme explicou Paulo Macedo ao mediotejo.net, a escola sede do agrupamento – Escola Secundária Jácome Ratton – recebeu obras e uma estruturação em 2012, tendo sido na altura criada uma ala nova na escola, pelo que é no segundo piso dessa ala que se encontram os laboratórios de informática, o que corresponde a cinco salas.
O objetivo desta candidatura – que viu aprovado um financiamento total de 588.262,95€ – visa apetrechar essas salas com novos equipamentos “adaptados à realidade atual”, tendo em conta a antiguidade dos equipamentos atuais, “de forma a podermos dar a melhor oferta não só aos alunos do agrupamento como à comunidade.
O diretor do agrupamento nabantino esclareceu ainda que houve um corte de 15 mil euros na candidatura, no que era referente ao equipamento de ar condicionado, pelo que na prática o projeto foi deferido com 97,51% do financiamento solicitado.
A ideia é começar este reequipamento assim que seja obtida a aprovação final desta candidatura, e se possível ainda este ano começar a proceder à aquisição e à alteração do que existe nas salas atuais, disse Paulo Macedo, embora seja “lógico que não é uma coisa que se esgota durante o ano 2023, ainda deve transitar para 2024, mas logo que possamos começamos”.
“Isto não é uma candidatura só feita por nós, na prática obriga – e há compromissos com o próprio Ministério de Educação e outras entidades que vão ser formalizadas, porque isto envolve fundos bastante avultados do Plano de Recuperação e Resiliência, portanto não acredito que seja uma coisa rápida, ainda leva o seu tempo, mas se pudermos começar já em 2023, assim faremos”, afiançou.

A candidatura foi feita pelo agrupamento mas teve muitos apoios, frisou ainda Paulo Macedo, até porque a candidatura pressupõe o estabelecimento de protocolos com algumas entidades, nomeadamente algumas Câmaras Municipais (não só a de Tomar mas algumas vizinhas), Institutos Politécnicos (que não só o de Tomar), a própria Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, e outras entidades, como empresas com quem foram estabelecidos protocolos para a candidatura.
“Partindo do pressuposto que está tudo correto a nível de decisão final e que vamos ter efetivamente o nosso Centro Tecnológico – e eu acredito que sim – acho que é de dar relevância a termos aqui no concelho de Tomar esta candidatura aprovada, porque isto não é só para o Agrupamento dos Templários, é para o próprio concelho e para a própria região, porque o Centro Tecnológico não é única e exclusivamente para uma escola, é para uma comunidade que o serve”, disse o diretor do agrupamento tomarense.
Na opinião de Paulo Macedo, “um investimento tão avultado não pode estar só reservado a uma escola e não pensar que outros concelhos vizinhos, com quem nós estabelecemos os protocolos não possam também usufruir deste equipamento e da melhoria que vamos ter”, como é o caso de Ferreira do Zêzere e Vila Nova da Barquinha, a título de exemplo.
“E estamos aqui a falar de um conjunto de concelhos com quem iremos trabalhar no futuro e penso que é importante para o agrupamento os próprios concelhos, e efetivamente também valoriza bastante o curso profissional de informática”, afirmou ainda.
O diretor do agrupamento avançou ainda que quando houver efetivamente a confirmação da aprovação da candidatura, será feita uma conferência de imprensa para anunciar a mesma.
Concurso para primeiros centros tecnológicos especializados recebeu mais de 300 candidaturas
O concurso para a instalação dos primeiros centros tecnológicos especializados nas escolas profissionais recebeu mais de 300 candidaturas para 108 vagas, segundo o secretário de Estado da Educação.
Segundo António Leite, do total de 365 novos centros tecnológicos que serão criados no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, o concurso para os primeiros 108 recebeu 311 candidaturas.
“Isto denota um extraordinário esforço dos professores, das escolas e das autarquias que deram o seu apoio às candidaturas”, sublinhou o secretário de Estado, referindo que “há candidaturas em número quase suficiente para a totalidade do que está previsto em todas as comunidades intermunicipais e áreas metropolitanas”.
O balanço foi feito em meados de outubro, durante o debate parlamentar sobre politica setorial, em resposta á deputada socialista Rosa Venâncio, que elogiou a aposta do Governo no ensino profissional, reafirmada na proposta de Orçamento do Estado para 2023 (OE2023).
“Torna-se relevante a valorização da rede e o aumento da atratividade das formações nos domínios de especialização que requerem mão de obra muito qualificada”, afirmou a deputada, considerando que o país deve sentir orgulho do percurso jeito na valorização desta via de ensino.
A propósito dos centros tecnológicos especializados, António Leite acrescentou que o segundo concurso, que deverá acontecer este ano, quando serão também instalados os primeiros centros, “será um enorme sucesso” e permitirá “melhorar significativamente a capacidade das respostas”.
O secretário de Estado disse ainda que os resultados do primeiro concurso vão permitir, por outro lado, “retirar conclusões de eventuais necessidades de aperfeiçoamento” quanto ao número de centros e à sua distribuição por tipologia e por território.
c/LUSA
