Ana Cláudia Cohen, diretora do Agrupamento de Escolas de Alcanena. Foto arquivo: mediotejo.net

“Um grande orgulho” é como Ana Cláudia Cohen, diretora do Agrupamento de Escolas de Alcanena, descreve ao nosso jornal o facto das duas candidaturas para a criação de dois Centros Tecnológicos Especializados (CTE), feitas “em tempo record”, terem sido aprovadas. No total, no Médio Tejo, apenas quatro candidaturas foram aprovadas, nesta 1ª fase: duas em Alcanena, uma em Abrantes e uma outra em Tomar.

O agrupamento alcanenense vai assim passar a ter um CTE na área Industrial e outro na área Digital, a começar progressivamente já no próximo ano letivo de 2023/2024.

As candidaturas, para Ana Cláudia Cohen, tiveram a vantagem de ser um “olhar para o futuro” naquilo que “queremos que o ensino profissional seja, tendo em consideração não só o desenvolvimento que se perspetiva dos projetos do município para o próprio concelho, mas também na região e nomeadamente daqueles projetos interconcelhios, que aqui são protocolados com diversos municípios aqui à volta”.

Ana Cláudia Cohen, diretora do Agrupamento de Escolas de Alcanena.

Foi tendo como base esse desenvolvimento socioeconómico, que o Conselho Consultivo para a educação e formação profissional auscultou o tecido empresarial, os grandes empregadores da região, a Câmara Municipal de Alcanena e o seu presidente, Rui Anastácio, bem como outras forças vivas do município, e fez “a seleção dos custos que achamos que dá resposta a essa necessidade e que terá um grande índice de empregabilidade e desenvolvimento pessoal e profissional dos nossos alunos. É aí que podem ajudar a transformar não só Alcanena mas a região”, explicou a diretora do Agrupamento de Escolas de Alcanena.

Nas candidaturas aprovadas para os dois centros tecnológicos Centros Tecnológicos Especializados (uma de um pouco mais de um milhão de euros e o outra na ordem dos 700 mil euros) a construção não era elegível, mas antes a reabilitação, pelo que se vai proceder à reabilitação dos espaços das antigas oficinas da Escola Secundária de Alcanena, sendo que alguma da formação vai também ser dada no Centro Tecnológico das Indústrias do Couro (CTIC).

Os cursos a ministrar vão passar por design de moda, design industrial, restauração e bar, cozinha e pastelaria, técnicos de vendas e de logística, frisando Ana Cláudia Cohen que os mesmos vão decorrer com “tecnologia de ponta”, o que vai permitir uma “grande imersão” dos alunos para que estes possam vivenciar, ainda que em simulação, os ambientes de trabalho, nomeadamente e a título de exemplo através da cozinha, bar e restaurante que vão ser construídos, a título de exemplo.

A diretora do agrupamento alcanenense, ainda que de forma progressiva, espera conseguir abrir os diversos cursos (à medida que for sendo disponibilizado o financiamento), sendo que o Agrupamento vai encetar uma campanha de marketing para divulgação da oferta formativa. O início progressivo está marcado para o próximo ano letivo, de 2023/2024, sendo que a execução financeira e física tem de estar concluída até dezembro de 2024.

Na implementação deste projeto, o Agrupamento de Escolas de Alcanena conta com muitas parcerias, nomeadamente ao nível do ensino superior, para que os alunos possam, caso assim o entendem, continuar a desenvolver os seus estudos nas respetivas áreas, bem como com o tecido empresarial, tanto ao nível do ramo da hotelaria como da logística, como com as empresas de curtumes.

“Espero que realmente Alcanena dê efetivamente o pontapé de saída para uma outra forma de encarar o ensino profissional e que estes alunos efetivamente consigam encontrar o seu rumo, se motivem, e continuem a crescer e a fazer crescer o município e a região”, entende Ana Cláudia Cohen.

Concurso para primeiros centros tecnológicos especializados recebeu mais de 300 candidaturas

O concurso para a instalação dos primeiros centros tecnológicos especializados nas escolas profissionais recebeu mais de 300 candidaturas para 108 vagas, segundo o secretário de Estado da Educação.

Segundo António Leite, do total de 365 novos centros tecnológicos que serão criados no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, o concurso para os primeiros 108 recebeu 311 candidaturas.

“Isto denota um extraordinário esforço dos professores, das escolas e das autarquias que deram o seu apoio às candidaturas”, sublinhou o secretário de Estado, referindo que “há candidaturas em número quase suficiente para a totalidade do que está previsto em todas as comunidades intermunicipais e áreas metropolitanas”.

O balanço foi feito em meados de outubro, durante o debate parlamentar sobre politica setorial, em resposta á deputada socialista Rosa Venâncio, que elogiou a aposta do Governo no ensino profissional, reafirmada na proposta de Orçamento do Estado para 2023 (OE2023).

“Torna-se relevante a valorização da rede e o aumento da atratividade das formações nos domínios de especialização que requerem mão de obra muito qualificada”, afirmou a deputada, considerando que o país deve sentir orgulho do percurso jeito na valorização desta via de ensino.

A propósito dos centros tecnológicos especializados, António Leite acrescentou que o segundo concurso, que deverá acontecer este ano, quando serão também instalados os primeiros centros, “será um enorme sucesso” e permitirá “melhorar significativamente a capacidade das respostas”.

O secretário de Estado disse ainda que os resultados do primeiro concurso vão permitir, por outro lado, “retirar conclusões de eventuais necessidades de aperfeiçoamento” quanto ao número de centros e à sua distribuição por tipologia e por território.

c/LUSA

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *