Visita oficial aos stands do Festival do Maranho. Foto: mediotejo.net

No arranque do Festival de Gastronomia do Maranho, que decorre na Alameda da Carvalha de 14 a 17 de julho, fomos ouvir os produtores deste enchido tradicional, que este ano recebeu a certificação de indicação geográfica protegida pela Comissão Europeia.

Em entrevista ao mediotejo.net (ver vídeo), o produtor António Simões, dos Talhos Simões, garante que as vendas têm aumentado “graças à divulgação que tem sido feita”. O empresário, que pertence à Direção da APROSER – Associação de Produtores do Concelho da Sertã, destaca as iniciativas de divulgação do Maranho como de outros produtos endógenos da região.

O Festival e as ações de promoção desenvolvidas ao longo do ano “têm dado outra dimensão” ao Maranho e a outros produtos, entre os quais António Simões refere o “bucho recheado, o cabrito, os enchidos e até os peixes das albufeiras”.

Num ano em que foi atribuído ao Maranho da Sertã o Certificado de Indicação Geográfica Protegida pela Comissão Europeia, este produto ganha uma projeção acrescida que, como referiu o Presidente da Câmara, extravasa as fronteiras do concelho e até do país.

Ao longo dos últimos anos, os produtores e autarcas lutaram pela certificação. “Finalmente tivemos esse êxito, mas agora há que ter noção da responsabilidade, temos de cumprir as regras para que tudo corra bem. Vamos tentar fazer o nosso melhor”, garante António Simões.

Por motivos de agenda de última hora, a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, não presidiu à abertura do Festival de Gastronomia do Maranho, no dia 14 de julho. “Em princípio, se não houver nenhuma situação anómala no país, estará na Sertã no sábado, dia 16 de julho, às 19 horas, momento que será entregue ao município da Sertã o certificado de Indicação Geográfica Protegida por parte da Comissão Europeia relativo ao Maranho”, anunciou o Presidente da Câmara no seu discurso, na inauguração do certame.

“Apoiar a economia ligada à terra”

Mas as primeiras palavras de Carlos Miranda foram para as populações afetadas pelos incêndios que devastam o país e para os bombeiros que os combatem, sobretudo para os da Sertã e de Cernache do Bonjardim, que têm participado em operações de combate a incêndios na região. Manifestou a sua solidariedade para com os presidentes de câmara e outros autarcas “que lutam ao lado das populações para minorar os efeitos deste flagelo que anualmente nos assola”.

Intervenção do Presidente da Câmara da Sertã, Carlos Miranda

A este propósito, o Presidente da Câmara fez uma reflexão relacionando os incêndios e as alterações climáticas, mas também como “resultado da profunda mudança social e económica em Portugal ao longo das últimas décadas, mudança essa que não foi acompanhada pela necessária transformação do território no sentido de o proteger contra o fogo”.

Num palco montado no meio da chamada Praça das Freguesias, em que cada uma ocupa um stand, Carlos Miranda referiu problemas como “o abandono dos campos, a desertificação e a intensificação do pinhal e do eucaliptal”. “A paisagem humanizada e diversificada transformou-se numa mancha contínua de mato, pinhal e eucaliptal, cenário ideal para os grandes incêndios”, apontou.

Como solução, defendeu “uma nova visão do território” e a necessidade de “dinamizar a economia ligada à terra, tornar a terra e a floresta atrativa do ponto de vista económico”.

Fazendo a ponte para o Festival, o autarca considerou ser aquele evento “uma forma de apoiar a economia ligada à terra”, até porque o Maranho “é um produto com profundas raízes no território, é um ativo económico”.

Carlos Miranda destacou o papel e a importância do Maranho na economia local e a pertinência do Festival como forma de valorizar e divulgar não só o maranho como toda a gastronomia da Sertã.

 Por fim referiu-se à conquista da certificação do Maranho, o trabalho desenvolvido para se conseguir esse desiderato e à necessidade de se incentivar a produção de gado caprino e todos os recursos associados à gastronomia

Festival como agente dinamizador do turismo

Antes interveio o Presidente da Assembleia Municipal da Sertã que falou também sobre o “flagelo dos incêndios”, manifestando a sua solidariedade com os cidadãos afetados e deixando um agradecimento aos bombeiros que “de forma abnegada combatem as chamas em condições climatéricas adversas”.

José Pedro Leitão Ferreira classificou o Festival do Maranho como “um evento fundamental para a economia local não apenas pelo contributo que imprime à divulgação e preservação da gastronomia regional, com especial enfase no maranho da Sertã, mas também como agente dinamizador do turismo e do concelho da Sertã”.

Intervenção do Presidente da Assembleia Municipal da Sertã, José Pedro Leitão Ferreira 

Na sua opinião, este tipo de certames “funciona como uma montra para o que de melhor se faz e se produz no concelho da Sertã, dando a conhecer a força e o vigor de algumas das empresas locais com o objetivo de, ao longo do ano, se vir a obter um retorno para a economia local gerando riqueza e emprego nestes territórios do interior”.

O autarca referiu-se ainda ao evento como “um dos principais cartões de visita da vila”, lembrando outras iniciativas para promover a gastronomia e os produtos autóctones, bem como o trabalho desenvolvido com vista à certificação.

Do seu discurso destaque também para o diagnóstico que apresentou aos problemas estruturais que afetam não só a Sertã como a região. Neste ponto defendeu políticas de coesão territorial para que se inverta o ciclo de quebra demográfica e medidas de revitalização do Pinhal Interior e um maior investimento na reabilitação das acessibilidades.

Diretor Regional destaca vantagens da certificação

Na série de discursos durante a sessão inaugural da 10ª edição do Festival do Maranho, o último a intervir foi o Diretor Regional de Agricultura e Pescas do Centro.

Fernando Martins falou da “honrosa distinção” do Maranho com o Certificado de Indicação Geográfica Protegida e o “poderosíssimo instrumento de marketing” que tal representa.

Intervenção do Diretor Regional de Agricultura e Pescas do Centro, Fernando Martins

Destacou as vantagens da certificação como selo de garantia de um produto único na Europa que, desta forma, passa a ter mais visibilidade.

Após a sessão de abertura, promotores e convidados, entre os quais estavam deputados, autarcas, dirigentes e representantes de diversas entidades, percorreram um a um os 110 stands que até domingo enchem a Alameda da Carvalha.

Isto enquanto, pelos ares, os aviões de combate a incêndio estavam a sobrevoar num vai e vem entre a albufeira de Castelo do Bode e os incêndios que lavravam na região.

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José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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