Assembleia de Freguesia de Santiago de Montalegre, em Sardoal, reuniu em setembro de 2022 para debater o tema. Foto arquivo: mediotejo.net

A Comissão Política Concelhia do PS de Sardoal explica que “esta participação ocorreu nesta altura, após a publicação formal por parte da Polícia Judiciária, confirmando a existência desta investigação assim como da recolha de diversa informação que se fez juntar à referida participação”.

O PS de Sardoal reafirmou, no mesmo comunicado, que “para além de toda a responsabilidade criminal que venha a ser apurada nesta investigação, importa que seja igualmente apurada a responsabilidade relativa ao exercício dos cargos políticos por parte dos restantes elementos do executivo nos mandatos abrangidos pelo período da investigação, designadamente 2017 a 2022, sendo evidente a sua negligência ao ponto de não acautelar a preservação do património da Junta de Freguesia, designadamente a totalidade do seu património financeiro”.

Pedo Duque. Créditos: PS

OIÇA AQUI A ENTREVISTA ao presidente da Comissão Política Concelhia do PS de Sardoal, Pedro Duque

ÁUDIO: PEDRO DUQUE, PRESIDENTE DA COMISSÃO POLÍTICA CONCELHIA DO PS DE SARDOAL

Recorda-se que em dezembro de 2022, a Polícia Judiciária (PJ) deteve dois homens por estarem “fortemente indiciados pelos crimes de peculato e de falsificação”, tendo lesado a junta de freguesia de Santiago de Montalegre, no concelho de Sardoal, em valores na ordem dos 135 mil euros ao longo de vários anos. Os mandados de detenção foram dirigidos a um empresário e ao antigo secretário daquela junta de freguesia.

Em comunicado, a PJ, através do Departamento de Investigação Criminal de Leiria, revelou que a ação decorreu “no seguimento de denúncia recebida em setembro” de 2022, efetuada pela presidente da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre, e da “investigação entretanto desenvolvida”.

Em declarações ao mediotejo.net, a presidente da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre, Dora Santos (PSD), confirmou ter sido ela a fazer a participação da suspeita de desvio de dinheiro.

“A factualidade relatada indicava a apropriação por um dos arguidos, entre 2017 a 2022, no exercício da função de secretário da junta, de valores ainda não cabalmente apurados, superiores a 135 mil euros”, adiantou a PJ.

Ainda segundo a PJ, o antigo secretário da Junta de Freguesia, “fazendo seu o dinheiro público, através de movimentos com cartão bancário, transferências ou por falsificação de cheques da junta, aplicava parte dos valores em benefício de outrem, pessoa das suas relações privilegiadas e coarguido, também detido”.

Na nota, a PJ referiu igualmente que, “quando detetados, e de forma a afastar as suas responsabilidades, os arguidos, em coautoria, fizeram crer aos atuais responsáveis políticos locais que os dinheiros da junta haviam sido utilizados em aplicações rentáveis, falsificando documentos bancários”.

Dois dias depois da detenção, o ex-secretário da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre e um empresário, foram libertados e aguardam agora o desenrolar do inquérito em liberdade condicionada.

Logo em outubro de 2022, Pedro Carreira pediu a renúncia do mandato invocando “razões pessoais” e terá garantido ao Executivo da Junta que iria devolver o dinheiro alegadamente desviado. Os eleitos do PS apresentaram uma moção de censura ao executivo PSD, acusando-os de “uma tentativa inaceitável de ocultação dos factos” e exigiram a convocação de novas eleições autárquicas.

O PS de Sardoal já havia manifestado querer “responsabilidade política dos eleitos do PSD em caso de peculato”, tendo anunciado que iria apresentar participação formal junto das entidades tutelares, como é o caso da Inspeção Geral de Finanças.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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