Cidade do Entroncamento. Foto ilustrativa: DR

O município do Entroncamento pretende construir oito blocos para habitação social de modo a alojar 120 famílias, 86 das quais provenientes do Bairro Frederico Ulrich, e mais 34 famílias que efetuaram pedidos de habitação, pretensão contra a qual o PSD se insurge, defendendo que devem ser feitos previamente estudos sociológicos e urbanísticos.

Em consonância com o voto contra efetuado na reunião camarária de 6 de julho acerca da aprovação do projeto de loteamento para a construção de um loteamento municipal, composto por oito prédios, o PSD do Entroncamento opõe-se contra esta ação do executivo socialista que considera ser “uma vergonha”, conforme é referido em comunicado enviado ao nosso jornal.

“Opomo-nos veementemente à construção dos oito blocos de habitação social para este efeito, sem que seja efetuado um estudo sério do ponto de vista sociológico e urbanístico que enquadre tecnicamente todos os aspetos relevantes e designadamente os relacionados com os realojamentos”, refere a vereação do Partido Social Democrata, defendendo que estes atos devem ser suportados por fundamentos técnicos.

Isto “sobretudo numa cidade onde coabitam várias etnias e comunidades de 53 nacionalidades e onde o tema da insegurança está diretamente associado a esta problemática e ao deficiente, ou mesmo inexistente, trabalho de integração social”, lê-se no documento.

“Somos absolutamente contra o desmantelamento de guetos para criar outros de maior dimensão, em número de realojados e número de habitações”, defendem os vereadores do PSD que questionam ainda sobre o futuro do Bairro Frederico Ulrich, se é um bairro histórico para requalificar ou se vai ser “mais um gueto para deixar ocupar por mais famílias que, entretanto, se desloquem para o Entroncamento?”

Os eleitos do PSD consideram que o espaço em questão teria um aproveitamento “muito melhor” caso fosse reabilitado e utilizado para habitação em que os jovens entroncamentenses fossem os destinatários e que “assim, viam um esforço do município para a sua fixação e renovação com qualidade da respetiva população”.

O PSD do Entroncamento sustenta ainda que para a multiculturalidade ser favorável esta tem de ser trabalhada juntamente com o de profissionais e que esta “não se compadece com as opções bacocas de quem só quer, politicamente, deixar obra feita”, afirmando que está em causa muito dinheiro público.

“Sermos governados assim, sem alternativas, e, sobretudo, tendo em conta o enquadramento dos tristes tempos de insegurança e também de falta de esperança, para todos os que vivemos na cidade, bem como para os mais jovens, é simplesmente uma vergonha!”, pode ainda ler-se no documento.

Relembre-se que o ponto relativo a este assunto foi aprovado na reunião de Câmara de 6 de julho pela maioria composta pelo PS e pelo vereador independente Luís Forinho, tendo o PSD votado contra, com declaração de voto.

Na sequência do processo que o município está a procurar desenvolver no âmbito da estratégia local de habitação, a autarquia deu assim um primeiro passo, ao aprovar o projeto de loteamento, para avançar com a construção de um loteamento municipal composto por oito prédios, o que vai permitir albergar 120 famílias em novas construções.

Previamente, Jorge Faria (PS), presidente da autarquia, assumiu que este programa poderá alcançar taxas de financiamento “muito positivas” em termos do Plano de Recuperação e Resiliência: acima de 90%, a fundo perdido, referiu o autarca a propósito da homologação da Estratégia Local de Habitação por parte do secretário de Estado da Administração Local e da secretária de Estado da Habitação do acordo de cooperação entre a Câmara Municipal e o IHRU – Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana.

Para tal financiamento ser concretizado, todos os projetos terão de estar concluídos e executados física e financeiramente até ao primeiro trimestre de 2026.

“O acesso do apoio à habitação do programa 1.º Direito faz-se através do IHRU. No entanto, o facto de termos a ELH aprovada vai-nos permitir desenvolver projetos para aceder ao PRR. A aprovação da ELH permite-nos estas hipóteses”, disse ainda o edil.

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Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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