Nascente do Almonda. Foto: mediotejo.net

O presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, Pedro Ferreira (PS), garantiu na última reunião de Assembleia Municipal que o projeto da Renova para a nascente do rio Almonda, e que foi alegadamente aprovado pela APA, não é mais do que um caminho, mas que a empresa torrejana pretende apresentar um projeto de cariz cultural e turístico, bem como “devolver” à população o mal que foi feito no passado.

O tema – já conhecido e debatido entre a generalidade da comunidade torrejana – voltou a ser assunto na última Assembleia Municipal, depois de o deputado Rui Alves Vieira (BE) ter questionado se o presidente da Câmara tinha conhecimento do projeto da Renova aprovado pela APA para a nascente do Almonda, conforme havia sido afirmado no programa televisivo A Prova dos Factos, da RTP.

“Importa saber se tem o presidente da Câmara conhecimento desse projeto. É porque das três uma: ou não há projeto e por isso impõe-se que a Câmara assuma em definitivo a liderança politica desse processo. Ou há projeto e a Câmara não sabe, o que é grave. Ou há projeto e a Câmara sabe e mantém os seus munícipes distantes desse processo, o que me parece que é ainda mais grave. Portanto agradecemos que o senhor presidente da Câmara se pronuncie sobre este tema”, questionou Alves Vieira na sua intervenção. 

Sobre a nascente do rio Almonda, “que nos deve orgulhar”, Pedro Ferreira, líder do município começou por lamentar “que o programa se limitasse nas entrevistas a meia dúzia de minutos”, esclarecendo depois que o projeto aprovado pela APA referenciado no programa “é o caminho, não é mais do que o caminho”, afirmou, asseverando ainda a sua posição: “tenho a certeza do que estou a dizer, antes da entrevista para a televisão contactei com os técnicos da APA e deram-me essa informação”.

Pedro Ferreira deu também nota de que a fábrica em causa tem a intenção, a qual já lhe foi transmitida, de apresentar um projeto para aquele espaço à Câmara, entidade responsável por um eventual licenciamento.

O projeto envolve a fábrica e a visitação e acesso a esse edifício, pelo que é pretendido que as visitas tenham “um cariz cultural e artístico”, adiantou o autarca, que disse ainda que a Renova quer que haja a participação do município, não financeiramente, mas para servir de “elo de ligação” para a promoção turística e cultural daquele espaço.

Já em 2020, a Renova disse ao nosso jornal que a intenção não era a de explorar a nascente comercialmente, mas antes transformar a zona num “santuário” arqueológico, que não permitirá a ida a banhos por parte dos visitantes.

“Sei alguns pormenores que não vou comentar enquanto não me forem apresentados oficialmente, mas que têm a ver até com a arqueologia da parte da gruta do Almonda e do muito que lá tem sido encontrado”, disse Pedro Ferreira sobre o projeto, acrescentando que se pretende melhorar o caminho de acesso à nascente até onde for possível, mas que existe uma “complexidade” e uma “legislação” que “tem de ser bem aclarada”.

“Este é um assunto obviamente que não deixaremos de acompanhar, porque é uma zona de alto enriquecimento turístico, saudável, e sobretudo faz parte  do coração de qualquer torrejano ou torrejana e que devemos ter um cuidado especial ao olhar”, notou o edil.

Em jeito de conclusão, Pedro Ferreira disse ainda que os atuais proprietários “querem devolver” à população da freguesia da Zibreira e ao concelho de Tores Novas o que foi mal feito no passado, quando não havia a legislação que existe hoje, tendo as fábricas sido instaladas no sítio em que foram.

As restrições ao acesso à zona da nascente do Rio Almonda já foi alvo de amplas críticas por parte do BE e também da CDU, que salientam que a nascente e o rio são bens públicos, mas a maioria dos terrenos em redor da nascente são de facto propriedade privada da Renova, adquiridos nos anos 30.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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