Em menos de dois anos Pedro Frazão chegou à cúpula do partido de André Ventura e tornou-se no primeiro deputado do Chega a ser eleito pelo distrito de Santarém. Créditos: DR

Numa noite eleitoral que viria a ser histórica para o partido Chega, que conseguiu subir de 1 para 12 deputados no Parlamento, o veterinário Pedro Frazão, cabeça de lista pelo distrito de Santarém, foi o primeiro a ser eleito a nível nacional – mesmo antes de André Ventura, o líder do partido, com quem estava na noite de domingo, no Marriott Hotel, em Lisboa, a acompanhar a contagem dos votos.

O momento foi festejado por ambos com “um grande abraço”, diria mais tarde Pedro Frazão às televisões. No Twitter, onde tem presença assídua, escreveu: “Tenho muita honra em ter sido o primeiro deputado do partido Chega a ser eleito. Tendo assente a principal mensagem da minha campanha nos valores e nas tradições do Ribatejo, numa mensagem conservadora corajosa, a minha eleição vem comprovar que temos o coração no sítio certo!”

O seu coração começou a bater mais forte pelo Chega há dois anos, quando André Ventura foi eleito para a Assembleia da República. Nunca se tinha envolvido na política mas nessa altura sentiu que havia finalmente alguém que representava os seus valores e ideais.

Num perfil publicado na revista Sábado no ano passado, contou que decidiu então enviar propostas legislativas sobre o setor agropecuário, que conhece bem, para o gabinete de Ventura. Depressa passou a ser uma espécie de consultor do partido nessa área e no congresso de Évora, em 2020, foi convidado para ser vogal da direção. Hoje é vice-presidente do partido e um dos homens mais próximos de André Ventura.

Nas eleições Autárquicas de 26 de setembro de 2021 conquistou um lugar na vereação da Câmara Municipal de Santarém e, desde essa altura, o partido confirmou que tinha no Ribatejo uma base forte para crescer.

Com o chumbo do Orçamento de Estado, em outubro, e a marcação de novas eleições Legislativas, o distrito de Santarém entrou de imediato nas prioridades de campanha do Chega. Para eleger um deputado neste círculo é necessário ter até cinco vezes mais votos do que em Lisboa. Dependendo da percentagem conquistada pelo partido mais votado, a eleição pode ficar garantida com valores entre os 5 e os 10%, quando em Lisboa com 1,7% já é possível eleger um representante.

Como o PS conseguiu subir dos 4 deputados eleitos em 2019 para 5 deputados, e o PSD segurou os seus 3 lugares, sobrava um mandato dos 9 atribuídos pelo círculo de Santarém. A partir de certa altura, quando o PS subiu acima dos 38% (acabaria com 41,19% dos votos no distrito), só um valor superior a 10% poderia garantir a eleição de um representante de outro partido, além do 2º mais votado (o PSD). A CDU ficou nos 5,43%, o Bloco de Esquerda nos 4,59%. O Chega teve 10,91% dos votos.

Dos 21 concelhos do distrito, o Chega foi a terceira força mais votada em 20 – só em Alpiarça ficou em quarto lugar, atrás do PS, CDU e PSD.

No top 5 dos concelhos onde obteve mais votos, o 2º, 3º e 5º lugar pertencem ao Médio Tejo: em Benavente obteve 15,65% dos votos, em Vila Nova da Barquinha 14,85%, seguindo-se Constância, com 14,77%, Salvaterra de Magos com 14,29%, e o Entroncamento, com 13,42%.

Apresentação de Pedro Frazão no Twitter

Pedro Frazão nasceu em Lisboa a 27 de abril de 1975, no hospital militar da Lapa (o pai era militar), mas cresceu em Cacilhas, na margem Sul, o que, como disse à Sábado, “foi uma vacina prática anticomunista e antissocialista”.

É um fervoroso católico, supranumerário do Opus Dei, e tem 8 filhos do seu casamento com uma médica dentista.

Pedro Frazão com a sua esposa e 7 dos seus 8 filhos. Créditos: Twitter Pedro Frazão

Até há poucos meses, são raras as notícias que referem o seu nome. Saltou para o foco mediático com a entrada na vereação de Santarém (uma das estreias do Chega nos executivos autárquicos) e, logo depois, devido a uma troca de galhardetes com a deputada Joacine Katar Moreira, na sequência do chumbo do Orçamento do Estado.

De visita ao Parlamento, a convite de André Ventura, fotografou-se à porta do gabinete da deputada eleita (e depois desvinculada) pelo Livre, onde estava afixada a frase “Descolonizar este lugar”, tapando com os dedos duas letras. Foi essa imagem que publicou no Twitter, escrevendo: “Senhora Deputada, prepare-se para desco**nizar a Assembleia da República! Se a porta ficar estragada pelo autocolante espero que lhe enviem a fatura do arranjo. Ciau, querida.”

Joacine Katar Moreira disse então que iria apresentar queixa do dirigente do Chega “em todas as organizações civis e judiciais”, considerando que tinha sido feito “um ataque misógino” direcionado para si “e para todas as mulheres”.

Pedro Frazão explicou à imprensa que a sua publicação pretendia ser apenas “humorística”. Ao Observador concretizou: “Não sou pseudo-moralista e não podia deixar de responder, usando de algum humor, a uma deputada que passou dois anos com um discurso de ódio contra Portugal e contra o Partido Chega”, tendo publicado “várias imagens atentatórias a tudo o que é português e a grandes portugueses da história deste país”, disse, referindo-se a uma imagem que Joacine Katar Moreira partilhou nas redes sociais, com o Padrão dos Descobrimentos a “levantar voo”.

Apesar da eleição para a Assembleia da República, Pedro Frazão quer manter a vereação na Câmara Municipal de Santarém, assumida há três meses, e conciliar a intervenção na política local com as funções a nível nacional. Num inquérito realizado pelo mediotejo.net aos 15 cabeças de lista candidatos a estas Legislativas pelo distrito, adiantou quais os temas a que se compromete a dar especial atenção: Indústria/Comércio, Mundo Rural e Saúde.

*Notícia alterada às 23h50 para incluir dados sobre os 5 concelhos onde obteve maior percentagem de votos e corrigir a informação sobre as funções de Pedro Frazão na vereação da Câmara Municipal de Santarém, que este pretende manter, ao contrário do que havíamos publicado.

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Sou diretora do jornal mediotejo.net, diretora editorial da Médio Tejo Edições e da chancela de livros Perspectiva. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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