Bombeiros assinalaram 74 anos de história com olhos postos no futuro e nos desafios que se avizinham. Foto: mediotejo.net

O final do ano foi de mudanças na estrutura dos bombeiros do Entroncamento tendo em conta as saídas de Rodrigo Bertelo (ex-comandante) e João Pitacas (ex-2º comandante), que assumiram posições de chefia nos comandos sub-regionais de Proteção Civil da Lezíria do Tejo e do Médio Tejo, respetivamente, pelo que o comando do corpo de Bombeiros Voluntários do Entroncamento foi entregue a Francisco Barbosa, atual comandante em substituição.

Foto: mediotejo.net

Francisco Barbosa foi aliás o primeiro a usar da palavra, reconhecendo desde logo o trabalho desempenhado pela corporação agora por si comandada, que é reconhecida “por todo o lado por onde passa” e relembrando que esteve envolvida em praticamente todos os incêndios do distrito de Santarém, de Vila Real e Serra da Estrela, bem como em mais de três mil emergências, muitas vezes em intervenções em concelhos vizinhos.

Deixando palavras de agradecimento à Direção pelo “esforço e ginástica” financeira com que se debatem regularmente, Francisco Barbosa agradeceu também à Câmara Municipal do Entroncamento por todo o apoio, principalmente no que toca à criação da Equipas de Intervenção Permanente (EIP), sendo que a próxima, a terceira, vai ser constituída este ano.

O agora comandante de corporação do Entroncamento realçou que estas equipas constituem a base de trabalho diário e de organização do corpo de bombeiros e fez votos para que seja criada uma quarta EIP.

Francisco Barbosa, atual comandante (em substituição) da corporação do Entroncamento. Foto: mediotejo.net

Por sua vez, Carlos Amaro, presidente da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento fez um retrato da situação atual da corporação:

“Padecemos de falta de efetivos, de meios, de recursos materiais e financeiros, mas continuamos empenhados com profissionalismo e formação de excelência. Esta direção, apesar de se apresentar com uma estratégia bem definida, deparou-se com inúmeros constrangimentos: um aumento improvável e desproporcional dos custos operacionais, mas apesar de tudo isso temos conseguido fazer face aos nossos compromissos, quer com os nossos associados quer com a nossa comunidade”, disse o também vereador da Câmara Municipal do Entroncamento.

Carlos Amaro deu depois nota de que a corporação mais do que duplicou os números do socorro prestado, aumentou e melhorou a capacidade, o conforto e a segurança no transporte de doentes, capacitou os operacionais com formações e especializações para prestar esse socorro com eficácia e eficiência, diminuiu os custos operacionais com um forte investimento na eficiência energética, e rentabilizou instalações.

Discurso de Carlos Amaro, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento.

Para além do mais, realçou, estabeleceu várias parcerias e protocolos com empresas e instituições, cumpriu “atempadamente” com as responsabilidades para com os fornecedores, cumpriu com contas certas, aumentou o número de sócios, legalizou instalações, melhorou o parque de viaturas, melhorou as condições de trabalho e conforto dos operacionais, implementou uma secção de cultura e desporto “para promover a proximidade entre os elementos do corpo de bombeiros”, e apoiou causas sociais, tendo integrado jovens especiais no quadro de pessoal em parcerias com o CERE e com outras instituições. 

Afirmando que se vai continuar “na estratégia e nas linhas gerais de atuação que nos trouxeram até aqui, olhando para a frente, enfrentando as dificuldades e agradecendo sempre a todos pelo vosso apoio imensurável”, Carlos Amaro defendeu que é também “tempo de pedir”:

Carlos Amaro, presidente da direção dos bombeiros entroncamentenses e vereador da autarquia. Foto: mediotejo.net

“Pedir mais apoios naquilo que é claramente um subfinanciamento das associações detentoras dos corpos de bombeiros. Pedir mais benefícios para os bombeiros para que possamos atrair e manter quadros permanentes e voluntários. Pedir mais apoios ao investimento na formação, nas instalações, em meios e equipamentos, na segurança dos bombeiros, e no suporte financeiro das instalações, mas acima de tudo o que esta associação e estes bombeiros pedem é o reconhecimento daqueles todos que usam o lema Vida por Vida”, disse o presidente da associação que integra cerca de seis dezenas de operacionais, entre profissionais e voluntários.

No seu discurso, o presidente da associação deixou também uma palavra de apoio ao novo comandante em substituição, Francisco Barbosa.

Questionado pelo mediotejo.net quanto à possibilidade de haver um novo comandante ou de Francisco Barbosa assumir efetivamente o cargo, Carlos Amaro disse que “estas coisas correm os seus trâmites” mas adiantou que ia indicar para comandante – algo que terá de ser aprovado em reunião de direção – o nome de Francisco Barbosa, elemento que “tem sido uma mais valia na organização e na capacitação do nosso corpo de bombeiros”, pelo que “portanto é simplesmente um reconhecimento do excelente trabalho que ele tem feito na senda de todo o comando que temos tido”.

Adelino Gomes, da Federação Distrital dos Bombeiros de Santarém, afirmou que “mesmo sendo críticos e não concordando com as novas estruturas sub-regionais que aumentaram o erário público de 18 para 23 centros, dizer-vos também que mesmo assim os distritos do distrito e os bombeiros do Entroncamento estarão sempre disponíveis para ajudar as suas populações, para ajudar estas novas estruturas, assim elas entendam que são importantes também trabalhar com os seus bombeiros”, acrescentando que da Federação terão sempre a lealdade, o diálogo e disponibilidade para trabalhar em conjunto.

Guilherme Isidro, secretário do conselho executivo da Liga dos Bombeiros Portugueses, e comandante da corporação de Ourém, apelou por um quadro claro no financiamento das corporações e à união das associações e bombeiros, que não podem funcionar e por si só localmente, deixando várias palavras de agradecimento à corporação entroncamentense e aos seus profissionais, tal como fez Elísio Oliveira, Comandante Regional de Emergência e Proteção Civil de Lisboa e Vale do Tejo.

A encerrar, Jorge Faria, presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, começou por afirmar que era um dia “especial”, dirigindo uma primeira palavra aos associados, dirigentes e operacionais da corporação de bombeiros entroncamentense.

O autarca reafirmou a disponibilidade da autarquia em continuar a colaborar ativamente para melhorar e engrandecer a associação, num trabalho continuado, sublinhando a constituição de uma terceira Equipa de Intervenção Permanente, que irá permitir o cumprimento de missões que estão confiadas aos bombeiros.

Na sessão solene foram vários os operacionais reconhecidos. Foto: mediotejo.net

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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