Hélder Silva nos 35 anos dos Bombeiros de Caxarias, em maio de 2018. Foto arquivo: mediotejo.net

Hélder Silva, antigo comandante dos bombeiros de Caxarias e que já desempenhou as funções de 2.º Comandante Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Santarém, assumiu o Comando Sub-Regional de Proteção Civil da Lezíria do Tejo, com sede em Almeirim. A seu lado, como 2.º Comandante, está Rodrigo Bertelo, ex-comandante corpo de Bombeiros Voluntários do Entroncamento. Este novo modelo do sistema de Proteção Civil, onde os CDOS vão ser substituídos por comandos sub-regionais, entra em funcionamento esta quarta-feira, dia 4 de janeiro.

Além das funções desempenhadas no CDOS de Santarém, Hélder Silva comandou também os bombeiros de Caxarias entre 2015 e 2018. Licenciado em Informática, o novo comandante do Comando Sub-Regional de Proteção Civil da Lezíria Tejo possui uma pós-graduação em Incêndios Florestais e um Curso Avançado de Gestão e Liderança, além de vasta formação e experiência na área da proteção e do socorro.

Ao longo da sua carreira como Bombeiro foi agraciado com várias condecorações, tendo também pertencido aos quadros da REFER (Caminhos de Ferro Portugueses), onde desempenhou funções no Departamento de Acessibilidade, Telemática e Tecnologias de Informação.

Rodrigo Bertelo é o 2.º Comandante do Comando Sub-Regional de Proteção Civil da Lezíria Tejo.

Já o segundo lugar na hierarquia é assim ocupado por Rodrigo Bertelo, que deixa o comando dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento, onde exerceu funções desde 2012 (figurando como comandante desde 2017), tendo durante o seu percurso profissional exercido também funções na Câmara Municipal do Entroncamento enquanto técnico superior de educação e como coordenador do serviço municipal de proteção civil.

Com 42 anos, Rodrigo Bertelo é licenciado em ensino básico do primeiro ciclo e pós graduado em gestão municipal de proteção civil, tendo iniciado em 1994 o seu percurso de Bombeiro no Entroncamento. É também formador na Escola Nacional de Bombeiros na área de socorrismo e de matérias perigosas, além de ter sido formador externo da escola superior de educação de Torres novas, assistente convidado no Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e formador de SBV-DAE (Suporte Básico de Vida e Desfibrilhação Automática Externa).

Em relação ao Comando Sub-Regional de Proteção Civil do Médio Tejo, instalado em Praia do Ribatejo (Vila Nova da Barquinha), confirma-se que este vai ser comandado por David Lobato enquanto João Pitacas desempenhará as funções de segundo comandante da estrutura. Ou seja, os ex 1º e 2º comandantes da ANEPC de Santarém ocuparam os respetivos cargos no novo Comando Sub-Regional de Proteção Civil do Médio Tejo.

A CIM da Lezíria do Tejo integra os concelhos de Almeirim, onde fica situada a sede do Comando Sub-Regional, Alpiarça, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Golegã, Rio Maior, Salvaterra de Magos, e Santarém, todos do distrito de Santarém, e Azambuja, do distrito de Lisboa.

A CIM do Médio Tejo abrange, desde o dia 24 de dezembro de 2022, os municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas, e Vila Nova da Barquinha, todos no distrito de Santarém. Vila de Rei e Sertã passam a integrar a CIM Beira Baixa. A sede do Comando Sub-Regional do Médio Tejo fica instalada em Praia do Ribatejo/Vila Nova da Barquinha.

Comandos distritais de operações e socorro acabam hoje para dar lugar a modelo sub-regional

Uma das maiores mudanças do sistema de Proteção Civil vai acontecer hoje com o fim dos 18 comandos distritais de operações e socorro (CDOS), que vão ser substituídos por 24 comandos sub-regionais.

A mudança do sistema de Proteção Civil de uma estrutura distrital para um modelo sub-regional estava prevista acontecer em 01 de janeiro, mas a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) determinou o adiamento desta transição face ao agravamento das condições meteorológicas.

O fim dos 18 CDOS e a criação de 24 comandos sub-regionais de emergência e proteção civil estavam previstos na lei orgânica da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, que entrou em vigor em abril de 2019.

Na altura, ficou decidido que a nova estrutura regional e sub-regional entraria em funcionamento de forma faseada, estando já em funções os comandos regionais do Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, enquanto os 24 comandos sub-regionais de emergência e proteção civil, cuja circunscrição territorial corresponde ao território de cada comunidade intermunicipal, iniciariam funções em 01 de janeiro.

Numa entrevista recente à Lusa, a secretária de Estado da Proteção Civil considerou que esta nova forma de trabalhar ou este “novo esqueleto” da Proteção Civil vai permitir um sistema “mais próximo dos territórios e das pessoas”, bem como das autarquias.

Patrícia Gaspar explicou que aquilo que é agora feito nos CDOS é “exatamente o mesmo que vai ser feito nos novos comandos sub-regionais”.

Para a governante, esta mudança vai concretizar-se “sem roturas e sem constrangimentos”, sobretudo no patamar operacional, tendo em conta que existiu um trabalho preparatório feito pela ANEPC.

A secretária de Estado afirmou também que a população não vai aperceber-se desta alteração, continuando o socorro a ser prestado “exatamente da mesma forma”.

No entanto, admitiu que apesar de ser “uma mudança de continuidade” vão existir “algumas diferenças”, nomeadamente nos concelhos cujas comunidades intermunicipais englobam diferentes distritos, além de “uma série de ajustes” que foram feitos.

Os novos comandantes e segundo comandantes das 24 novas estruturas são agora nomeados em regime de substituição e a ANEPC vai abrir depois um concurso público.

A Liga dos Bombeiros Portugueses já se manifestou “frontalmente contra” esta alteração e considerou que não se revê neste novo modelo de organização territorial, alegando que o sistema tem uma organização distrital e não sub-regional.

No entanto, a secretária de Estado garantiu que as corporações de bombeiros não vão sentir qualquer alteração com o novo modelo, esclarecendo que vão continuar a ter a atual área de atuação e a desempenhar as mesmas funções.

Segundo despacho que estabelece as condições de funcionamento destas novas estruturas de emergência e proteção civil, o Comando Regional do Norte vai abranger os comandos sub-regionais do Alto Minho, do Alto Tâmega e Barroso, da Área Metropolitana do Porto, do Ave, do Cávado, do Douro, do Tâmega e Sousa e das Terras de Trás-os-Montes e o Comando Regional do Centro vai incluir os comandos sub-regionais da Beira Baixa, das Beiras e Serra da Estrela, da Região de Aveiro, da Região de Coimbra, da Região de Leiria e de Viseu Dão Lafões.

Por sua vez, o Comando Regional de Lisboa e Vale do Tejo vai abranger os comandos sub-regionais da Grande Lisboa, da Lezíria do Tejo, do Médio Tejo, do Oeste e da Península de Setúbal, o comando regional do Alentejo vai incluiu os comandos sub-regionais do Alentejo Central, do Alentejo Litoral, do Alto Alentejo e do Baixo Alentejo e o comando regional do Algarve compreende o comando sub-regional do Algarve.

c/LUSA

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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