A compostagem doméstica é uma aposta para o aproveitamento dos biorresíduos e diminuição da quantidade de lixo que segue para aterro. Foto: Pixabay

O município do Entroncamento aprovou por unanimidade uma “orientação estratégica” para a recolha de biorresíduos, tendo em conta que até ao final de 2023 os municípios portugueses estão obrigados a implementar um sistema de separação e reciclagem dos biorresíduos, os quais incluem os resíduos verdes (de jardins, por exemplo) e os resíduos alimentares. Numa primeira fase a autarquia entroncamentense pretende assim avançar ao nível da sensibilização e realização de compostagem.

Jorge Faria (PS), presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, explicou que neste âmbito da recolha de biorresíduos abriu recentemente um aviso para candidaturas com valores “muito limitados” através do Fundo Ambiental (mas gerido ao nível das Comunidades Intermunicipais), pelo que o Entroncamento – a par das restantes autarquias do Médio Tejo – deverá contar com um financiamento nesta fase de 20 mil euros.

Tendo em conta este valor e o facto de que as próprias entidades gestoras de resíduos ainda não têm clarificados quais os procedimentos ou metodologias que vão adotar ao nível da recolha de biorresíduos, o município entroncamentense optou assim por iniciar o processo de tratamento de biorresíduos em 2023 essencialmente ao nível da sensibilização e da realização da compostagem, através da entrega de compostores aos munícipes.

O tema da recolha de biorresíduos analisado na reunião camarária de 2 de novembro.

“E obviamente que numa primeira fase esses compostores devem ser apenas para as habitações que têm condições para isso, em princípio para as casa isoladas, vivendas, fazer as ações de sensibilização e, se por ventura as coisas evoluírem, poderemos eventualmente avançar com a aquisição de um veículo para fazer a recolha, reforçar a recolha dos verdes”, explicou Jorge Faria, sendo que os bioresíduos enquadram os verdes, recolha que já é assegurada pela autarquia.

A ideia é depois no segundo ano “passarmos à colocação de contentores individuais e ir percebendo como é que isto vai evoluindo e depois haverão de sair avisos para podermos fazer alguma candidatura nesse sentido e a terceira fase desta estratégia passará pela colocação de contentores coletivos e o alargamento da recolha mais generalizada à cidade”, adiantou ainda o autarca.

Depois de algumas questões elencadas pelo vereador Rui Gonçalves (PSD), que disse que na sua ótica a recolha porta a porta “não tem tido muita adesão por parte das pessoas do município”, Jorge Faria garantiu que a recolha seletiva dos diferenciados “até está a correr bastante bem”, sendo que a ideia tem sido ir alargando este sistema das zonas de menos construção coletiva para as zonas de mais habitação coletiva, pelo que “de acordo com os números que temos, tem aumentado a taxa de recolha de resíduos por essa metodologia”, disse o autarca socialista.

Ilda Joaquim (PS), vice-presidente da autarquia entroncamentense, complementou depois que a recolha seletiva é um “projeto piloto”, com o qual se pretendia perceber a evolução e o contributo do aumento da recolha seletiva para atingir as metas nacionais e o seu contributo para a remoção dos resíduos indiferenciados.

“Será depois da análise dos relatórios sobre este piloto que se irá decidir avançar para o seu alargamento, aumento, outros trabalhos no âmbito da recolha seletiva”, explicou a edil, acrescentando que “(…) o foco também está na promoção da recolha dos biorresíduos porque temos metas a atingir e o Entroncamento enquanto centro urbano está na primeira linha dessas metas”.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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