Central Termoelétrica do Pego. Foto: mediotejo.net

A Endesa foi a empresa escolhida, entre as seis propostas a concurso, para a reconversão da Central Termoelétrica do Pego, em Abrantes, ficando assim com a licença de exploração deste ponto de injeção na rede elétrica nacional.

Na ata final do júri, a Endesa ficou classificada em primeiro lugar, com 3.42 pontos, a Tejo Energia em segundo lugar, com 3.20 pontos, a Voltalia em terceiro lugar, com 2.20 pontos, a Brookfield & Bondalti em quarto lugar, com 2.01 pontos, e a EDP Renováveis em quinto e último lugar, com 1.47 pontos. A proposta da Greenvolt foi excluída.

A Endesa, que é sócio minoritária do consórcio que explorou a Central do Pego nos últimos 28 anos, apresentou-se sozinha ao concurso público aberto pelo Ministério do Ambiente em setembro do ano passado, em concorrência com a Tejo Energia (a que ainda pertence, apesar de existir um processo de dissolução em tribunal), e os seus anteriores parceiros da TrustEnergy – que já manifestaram o seu “desacordo” com a decisão hoje anunciada.

O projeto da elétrica espanhola, que implicará um investimento de 600 milhões de euros, “combina a hibridização de fontes renováveis e o seu armazenamento naquela que será a maior bateria da Europa, com iniciativas de desenvolvimento social e económico”, avança a empresa, em comunicado.

“Com esta adjudicação, a Endesa reforça o seu compromisso com a Transição Justa e, fundamentalmente, com as comunidades com as quais trabalhamos há três décadas na região de Abrantes, e com as quais vamos agora construir o futuro para as próximas três ou mais décadas”, diz Nuno Ribeiro da Silva, diretor-geral da empresa espanhola em Portugal.

Nuno Ribeiro da Silva, diretor-geral da Endesa. Fotografia: mediotejo.net

O resultado do concurso foi divulgado às empresas candidatas ao final da tarde de sexta-feira, tendo a Endesa anunciado que “recebeu um direito de ligação à Rede Elétrica de Serviço Público (RESP) de 224 MVA para instalar 365 MWp de energia solar, 264 MW de energia eólica com armazenamento integrado de 168,6 MW e um eletrolisador de 500 kW para a produção de hidrogénio verde”. 

A hibridização destas tecnologias, explica a Endesa, “permitirá otimizar a produção e obter um elevado fator de carga, colocando Portugal na vanguarda da Europa relativamente ao desenvolvimento e utilização destas energias”, permitindo “a obtenção de quase 6.000 horas de produção, superior ao funcionamento de qualquer central térmica convencional”.

Segundo avança a empresa, o sucesso da sua proposta deveu-se “sobretudo aos projetos de desenvolvimento social e económico para a região”, uma vez que se compromete com “a criação de 75 postos de trabalho, 12.000 horas de formação e apoio às PME para que integrem os seus projetos na região”.

Além do desenvolvimento de fontes de energias renováveis, a Endesa apresentou “um plano no qual envolveu todos os agentes locais”, e que foi “partindo do estudo e da análise das suas necessidades” que elaborou “um plano específico para o crescimento económico e social para a região de Abrantes”.

“A Endesa não só continua a apostar em Portugal, como sempre fez, mas estamos a fazê-lo com um projeto ao qual dedicámos muito esforço e afeto, trabalhando para desenvolver um modelo de desenvolvimento renovável inovador em que as comunidades locais tenham um papel importante”, afirmou o diretor-geral de Geração da Endesa, Rafael González, que se referiu ao projeto vencedor como “o modelo” renovável do futuro: “Não temos dúvidas de que esta proposta marcará um antes e um depois no setor.”

Endesa promete mais emprego, formação profissional e novas oportunidades para pequenas empresas da região

A proposta da Endesa, empresa elétrica líder em Espanha e a segunda em Portugal, inclui um ambicioso projeto de formação e de desenvolvimento social e económico para a região de Abrantes.

Foi criado “um plano de formação de mais de 12.000 horas, que permitirá a reciclagem profissional de mais de 2.000 pessoas, abrindo também a possibilidade de futuros empregos para os desempregados da região”, avança a empresa.

“Este plano de formação inclui cursos que vão desde a construção e instalação de centrais solares, à operação e manutenção de centrais renováveis. Adicionalmente, inclui atividades do setor primário, uma vez que estas vão passar a fazer parte da atividade de todas as instalações da Endesa, que vão integrar agricultura, pecuária ou apicultura entre os painéis”.

Além disso, “estão ainda incluídos cursos de competências transversais, em funções administrativas e ferramentas digitais”. Estas iniciativas destinam-se sobretudo aos habitantes da região de Abrantes que se encontrem em situação de desemprego, sendo dada prioridade de acesso a estes cursos aos trabalhadores da Central.

Esta formação, diz a empresa, “é essencial na abordagem aos novos projetos de energias renováveis ​​da Endesa no Pego, pois será necessária mão-de-obra qualificada”.

A Endesa compromete-se a criar “75 postos de trabalho diretos permanentes”, recorrendo prioritariamente a mão-de-obra de antigos trabalhadores da Central do Pego.

A região de Abrantes será ainda convertida “num espaço para a biodiversidade, onde os projetos tecnológicos serão hibridizados com os setores primário e secundário, uma aposta da Endesa na qual a empresa tem trabalhado há vários anos noutras instalações e que têm demonstrado a sua viabilidade”, refere o comunicado enviado à imprensa.

“Esta Criação de Valor Partilhado, ou CSV (Creating Shared Value), com que a Endesa trabalha em todos os seus projetos, visa maximizar o seu valor para a comunidade envolvente”, através de iniciativas e de um processo participativo com os agentes locais.

“O que torna o projeto da Endesa no Pego único é precisamente o envolvimento das PME locais que vão desenvolver o seu modelo de negócio na região, com projetos específicos”, refere a empresa. A Endesa diz contar já com “cartas de interesse” de oito parceiros para o desenvolvimento da sua atividade na zona de Abrantes.

*C/Lusa.

Patrícia Fonseca

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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