O diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Álvaro Santos Almeida, esteve de visita às três unidades hospitalares da ULS Médio Tejo, num momento em que crescem as preocupações locais com a eventual reorganização de serviços de saúde na região, que poderão ditar o encerramento da maternidade de Abrantes e da urgência pediátrica de Torres Novas.
Em nota informativa publicada na sexta-feira na página online da ULS Médio Tejo, é dado a saber que o diretor executivo do SNS, professor Álvaro Santos Almeida, realizou no dia 26 de setembro uma visita aos três hospitais da ULS – Torres Novas, Abrantes e Tomar –, com o objetivo de” acompanhar a atividade assistencial, conhecer os projetos em curso e avaliar os desafios estratégicos” da região.
Sem indicar questões sobre os eventuais encerramentos de serviços ou as notícias que têm vindo a público sobre os efeitos da eventual reorganização nos serviços atualmente prestados, a ULS Médio Tejo indica que a deslocação incluiu passagens pelos principais serviços de cada hospital.
No Hospital de Torres Novas, o responsável visitou as áreas de Nefrologia e Pediatria, onde teve oportunidade de dialogar com as equipas e conhecer os projetos em desenvolvimento, com destaque para as parcerias regionais na área da Nefrologia.
Já no Hospital de Abrantes, a visita centrou-se na Maternidade, Urgência, Consulta Externa e Gastroenterologia, permitindo conhecer as recentes requalificações e ouvir os profissionais sobre os desafios da resposta diária aos utentes.
A jornada terminou no Hospital de Tomar, onde os serviços de Psiquiatria e Medicina Física e Reabilitação evidenciaram a importância de uma abordagem integrada entre saúde mental e recuperação funcional.




Segundo a ULS Médio Tejo, a presença de Álvaro Santos Almeida “reforçou a articulação institucional entre a Direção Executiva do SNS e a ULS, valorizando o empenho dos profissionais e reafirmando o compromisso de garantir cuidados de saúde de qualidade, humanizados e próximos das populações”.
A visita do Diretor Executivo do SNS ao Médio Tejo serviu para reconhecer o trabalho desenvolvido pelos profissionais de saúde e reforçar a ligação institucional com a direção nacional, mas decorreu num contexto de tensão e incerteza quanto ao futuro de serviços essenciais da região.
Enquanto o Governo analisa propostas de reorganização do sistema, utentes, autarcas e forças políticas pedem garantias de manutenção dos serviços e de valorização do SNS no território.
Reorganização em estudo a nível nacional
O jornal Expresso revelou a 26 de setembro que um plano de reorganização dos cuidados agudos a grávidas no SNS, elaborado pela Comissão Nacional da Saúde da Mulher, prevê a mobilidade de equipas em pelo menos 12 maternidades e o encerramento de uma urgência pediátrica.
De acordo com o coordenador do grupo de peritos, Alberto Caldas Afonso, o caso do Médio Tejo é paradigmático: “A Obstetrícia está em Abrantes e a Pediatria e a Neonatologia em Torres Novas. Isto não faz sentido e não pode continuar”.

Preocupação crescente com possível encerramento de serviços
A visita do Diretor Executivo decorreu num momento marcado por preocupação social e política na região, após notícias que apontam para uma reorganização dos serviços de saúde com implicações diretas na maternidade do Hospital de Abrantes e na urgência pediátrica de Torres Novas.
A Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo manifestou-se contra o eventual encerramento destas valências, considerando tal hipótese “um retrocesso inaceitável” e defendendo o reforço de recursos humanos e a manutenção das cinco urgências hospitalares da região em funcionamento permanente.
Também a CDU promoveu uma ação de protesto em Abrantes, onde Graça Alves, candidata à União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede, apelou à mobilização da população “para que a maternidade de Abrantes continue a funcionar sete dias por semana, 24 horas por dia”. A dirigente comunista sublinhou que “não se justifica uma parturiente ter de ir para Santarém quando em Abrantes existe uma das melhores maternidades do país”.

Em resposta às preocupações locais, os deputados socialistas Hugo Costa e Marcos Perestrello, eleitos pelo distrito de Santarém, apresentaram um requerimento à ministra da Saúde, questionando se o Governo tem conhecimento de algum plano que preveja a desativação da maternidade de Abrantes ou da urgência pediátrica de Torres Novas.
A importância estratégica da ULS Médio Tejo
A ULS Médio Tejo presta cuidados diretos a cerca de 169 mil utentes dos concelhos de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Tomar, Torres Novas, Vila Nova da Barquinha e Vila de Rei, nos distritos de Santarém e Castelo Branco.
A estrutura integra três hospitais, separados por cerca de 30 quilómetros, e 35 unidades funcionais de cuidados de saúde primários, desempenhando um papel essencial na prestação de cuidados de proximidade à população do interior centro do país.
