CDU exige medidas para garantir funcionamento de maternidade em Abrantes. Foto: mediotejo.net

Durante uma ação de campanha junto ao Hospital de Abrantes, que contou com a presença de diversos candidatos a câmaras municipais do Médio Tejo acompanhados de dezenas de apoiantes, utentes, e candidatos às freguesias destes quatro concelhos, foi distribuído também um comunicado em que a CDU reafirma o seu “repúdio perante a gravíssima situação dos blocos de partos e urgências de obstetrícia” no Serviço Nacional de Saúde, com especial destaque para os hospitais de Abrantes e Santarém.

A coligação PCP/PEV considera que se trata de “um desastre há muito anunciado”, atribuindo responsabilidades aos sucessivos governos do PS e do PSD/CDS-PP, acusando-os de promoverem “um atentado à saúde materno-infantil”.

Em declarações ao mediotejo.net, a candidata da CDU à União de Freguesias (UF) de Abrantes e Alferrarede, Graça Alves, disse que o objectivo da manifestação foi alertar e mobilizar a população para que a maternidade do hospital de Abrantes se mantenha a funcionar sete dias por semana, 24 horas por dia, tendo manifestado forte preocupação com as notícias que apontam para o eventual fecho da maternidade, até agora não desmentidas pelo Ministério da Saúde.

“Não se justifica uma parturiente ter de ir para Santarém quando em Abrantes existe uma maternidade que foi considerada uma das melhores do país há poucos anos”, afirmou. A candidata alertou que o encerramento desta valência, a par de notícias que indicam também risco para a urgência pediátrica de Torres Novas, representaria “um retrocesso enorme para toda a região em termos de cuidados de saúde”.

A CDU lembra ainda que o Hospital de Abrantes serve não apenas este concelho, mas também municípios vizinhos como Constância, Sardoal e Mação, entre outros, cujas populações seriam ainda mais penalizadas pelas distâncias. Para Graça Alves, a retirada de serviços hospitalares do interior contribuiria para “acelerar a desertificação” e enfraquecer o acesso das populações a cuidados essenciais.

CDU exige medidas para garantir funcionamento de maternidade em Abrantes. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | GRAÇA ALVES, CANDIDATA DA CDU À UF ABRANTES E ALFERRAREDE:

A candidata participou numa ação pública da CDU destinada a alertar e mobilizar a população para defender a permanência da maternidade em Abrantes e travar a perda de valências hospitalares na região, numa tarde onde foi distribuído um folheto reivindicativo às pessoas que por ali circulavam.

No documento que era distribuído junto ao hospital de Abrantes, a CDU denuncia a instabilidade e os sucessivos encerramentos das urgências de maternidade como reflexo da falta de investimento e da carência de profissionais de saúde, alertando para os riscos acrescidos para grávidas e recém-nascidos.

“Há parturientes que são obrigadas a deslocar-se para Caldas da Rainha, Leiria ou mesmo Lisboa”, alertou, considerando “inaceitável” a concentração dos serviços de maternidade numa única unidade hospitalar.

Para Graça Alves, esta opção “não resolve o problema” e “agrava as dificuldades dos utentes”.

Além das urgências de maternidade, a candidata comunista apontou falhas nos cuidados primários no concelho, nomeadamente a escassez de médicos de família e outros profissionais de saúde, que afeta particularmente as freguesias rurais e que se reflecte também na afluência às urgências hospitalares.

Para a área da saúde, a CDU propõe um plano de valorização das carreiras dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), “com melhores remunerações”, “horários de trabalho mais equilibrados” e condições que permitam a fixação de médicos e enfermeiros no concelho.

Graça Alves defendeu também políticas complementares, como o acesso à habitação a preços acessíveis, como fator decisivo para atrair e fixar profissionais de saúde na região.

À entrada do hospital de Abrantes usaram da palavra diversos candidatos da CDU às Câmaras e Juntas de Freguesia dos concelhos de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação, numa ação de luta e protesto que envolveu cerca de uma centena de pessoas.

A Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT), que também marcou presença junto ao hospital de Abrantes, já havia manifestado a sua forte oposição ao plano em estudo que inclui o possível encerramento da maternidade de Abrantes e da urgência pediátrica de Torres Novas.

A comissão alertou que o encerramento dos serviços seria “um retrocesso inaceitável” e reivindicou o reforço dos recursos humanos, a valorização profissional dos trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a manutenção em funcionamento permanente das cinco urgências hospitalares do Médio Tejo.

“Temos de defender as populações, o seu bem-estar e o acesso a cuidados de saúde, valorizando o SNS e a região”, afirmou Manuel José Soares, apelando à “mobilização” de trabalhadores, dirigentes, autarquias, organizações sociais e deputados para um “trabalho coordenado”.

Entre as medidas imediatas, a CUSMT vai promover um abaixo-assinado — já em curso e com centenas de adesões —, colocar o tema na agenda da reunião marcada com o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Médio Tejo a 14 de outubro, solicitar uma reunião à ministra da Saúde e envolver os novos órgãos autárquicos após a sua tomada de posse.

Estão também previstas iniciativas públicas para apresentar as assinaturas recolhidas.

O que está bem é para multiplicar, o que está mal é para corrigir”, afirmou Manuel Soares, insistindo em que “a coesão territorial e o equilíbrio regional não podem ser apenas palavras, mas práticas efetivas para garantir cuidados de saúde de qualidade e proximidade”.

O jornal Expresso noticiou a 26 de setembro que a proposta de reorganização dos cuidados agudos a grávidas no SNS prevê a mobilidade de equipas de pelo menos 12 maternidades e a redução do modelo de urgência regional na Grande Lisboa.

O documento, entregue ao Governo pela Comissão Nacional da Saúde da Mulher, prevê ainda o encerramento de uma urgência pediátrica e a redução do modelo de urgência regional na Grande Lisboa.

O coordenador do grupo de peritos, Alberto Caldas Afonso, adiantou também ao Expresso que o reforço das escalas nas maternidades mais deficitárias vai começar pela península de Setúbal, como já tinha sido divulgado, e será alargado a outras unidades do país fora da região de Lisboa e igualmente deficitárias.

Na ULS do Médio Tejo, que inclui os hospitais de Abrantes, Tomar e Torres Novas, os peritos querem fazer mais do que mexer nas equipas.

“No Médio Tejo, a Obstetrícia está em Abrantes e a Pediatria e a Neonatologia em Torres Novas. Isto não faz sentido e não pode continuar”, disse Caldas Afonso.

Neste sentido, também os deputados socialistas eleitos pelo distrito de Santarém questionaram esta semana a ministra da Saúde sobre a possibilidade, que rejeitam, de encerramento da maternidade do Hospital de Abrantes e do serviço de urgência pediátrica de Torres Novas.

Em requerimento subscrito por Hugo Costa e Marcos Perestrello, os socialistas querem saber se o Governo tem conhecimento de algum plano de reorganização dos cuidados de saúde agudos destinados a grávidas que contemple a desativação daqueles serviços na Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo, no âmbito de “recentes notícias públicas e não desmentidas” sobre um plano de reorganização do SNS.

A ULS Médio Tejo dá resposta direta a cerca de 169.270 utentes de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Tomar, Torres Novas, Vila Nova da Barquinha e Vila de Rei, concelhos dos distritos de Santarém e Castelo Branco.

Com 35 unidades funcionais de cuidados de saúde primários, a estrutura possui ainda três hospitais – em Abrantes, Tomar e Torres Novas -, separados entre si por cerca de 30 quilómetros.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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