A comissão alertou hoje que o encerramento daqueles serviços seria “um retrocesso inaceitável” e reivindica o reforço dos recursos humanos e a valorização profissional dos trabalhadores do SNS, sublinhando a necessidade de manter o funcionamento permanente das cinco urgências hospitalares do Médio Tejo.
Em declarações aos jornalistas, em Abrantes, o porta-voz da comissão, Manuel José Soares, recordou que em 2006 e 2014 a população já tinha conseguido travar intenções semelhantes e garantiu que, desta vez, a mobilização será novamente decisiva.
“Temos de defender as populações, o seu bem-estar e o acesso a cuidados de saúde, valorizando o SNS e a região”, afirmou, tendo apelado à mobilização dos trabalhadores do SNS, dirigentes, autarquias, organizações sociais e deputados para um “trabalho coordenado” no sentido de “valorizar o SNS e a qualidade de vida” no Médio Tejo.

ÁUDIO | MANUEL JOSÉ SOARES, PORTA-VOZ UTENTES DA SAÚDE MÉDIO TEJO:
Entre as medidas imediatas, a CUSMT vai promover um abaixo-assinado — já em curso com centenas de adesões —, colocar o tema na agenda da reunião marcada com o Conselho de Administração da ULS Médio Tejo a 14 de outubro, solicitar uma reunião à ministra da Saúde e envolver os novos órgãos autárquicos após a sua tomada de posse.
Estão também previstas iniciativas públicas para apresentar as assinaturas recolhidas.
Hoje, em Abrantes, a CUSMT defendeu ainda o alargamento da urgência pediátrica a Abrantes e Tomar e o investimento em cuidados de proximidade.
“O que está bem é para multiplicar, o que está mal é para corrigir”, afirmou Manuel José Soares, insistindo que “a coesão territorial e o equilíbrio regional não podem ser apenas palavras, mas práticas efetivas para garantir cuidados de saúde de qualidade e proximidade” às populações.

O jornal Expresso noticiou a 26 de setembro que a proposta de reorganização dos cuidados agudos a grávidas no Serviço Nacional de Saúde prevê a mobilidade de equipas de pelo menos 12 maternidades e a redução do modelo de urgência regional na Grande Lisboa.
O documento, entregue naquela semana ao Governo pela Comissão Nacional da Saúde da Mulher, prevê ainda o encerramento de uma urgência pediátrica e a redução do modelo de Urgência regional na Grande Lisboa.
O coordenador do grupo de peritos, Alberto Caldas Afonso, adiantou também ao Expresso que o reforço das escalas nas maternidades mais deficitárias vai começar pela península de Setúbal, como já tinha sido divulgado, e será alargado a outras unidades do país fora da região de Lisboa e igualmente deficitárias.
Na Unidade Local de Saúde do Médio Tejo, que inclui os hospitais de Abrantes e Torres Novas, os peritos querem fazer mais do que ‘mexer’ as equipas.
“No Médio Tejo, a obstetrícia está em Abrantes e a pediatria e a neonatologia em Torres Novas. Isto não faz sentido e não pode continuar”, disse Caldas Afonso.
A comissão de utentes disse hoje que, além de um abaixo-assinado dirigido ao Ministério da Saúde, onde será exigido o funcionamento permanente da maternidade de Abrantes e da urgência pediátrica de Torres Novas, vai realizar uma série de ações de informação e mobilização, reforçando a defesa dos dois serviços considerados “essenciais” para a população da região.
Em paralelo, está a decorrer online uma petição pública, com o título “Contra o fecho da Maternidade de Abrantes e urgência pediátrica de Torres Novas”. A petição, criada no sábado, tinha hoje, ao final da tarde, 2.453 assinaturas.
A ULS Médio Tejo dá resposta direta a cerca de 169.270 utentes de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Tomar, Torres Novas, Vila Nova da Barquinha e Vila de Rei, concelhos dos distritos de Santarém e Castelo Branco.
Com 35 unidades funcionais de cuidados de saúde primários, a estrutura possui ainda três hospitais – em Abrantes, Tomar e Torres Novas -, separados entre si por cerca de 30 quilómetros.
c/LUSA

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