O presidente do Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA), Vítor Moura, interveio na reunião da Câmara Municipal de Abrantes, que aconteceu na segunda-feira, afirmando que o presidente da autarquia colocou em causa o seu bom nome e pedindo esclarecimentos sobre omissões e falta de diálogo por parte do executivo.
Recorde-se que o dirigente da instituição já havia marcado presença na reunião anterior para expor preocupações da instituição e cobrar respostas da autarquia a temas pendentes, nomeadamente ao nível dos transportes, apoios financeiros e necessidade de novas residências autónomas. Na altura, o presidente do município garantiu o compromisso da autarquia com a instituição, tendo sublinhado o “valor inestimável” da mesma e recordado os apoios atribuídos nos últimos anos.
Nesta segunda-feira, o dirigente esteve acompanhado pela secretária Paula Ferrão e pelo tesoureiro Luís Agudo, tendo voltado a denunciar várias tentativas de contacto, pedidos de reunião não atendidos e atraso na resposta a questões fundamentais para o funcionamento da instituição.
Segundo o dirigente, ao longo do último ano a direção do CRIA solicitou reuniões à autarquia abrantina para tratar de temas como o transporte de utentes e a criação de residências inclusivas, mas os pedidos terão ficado sem resposta efetiva.

Na reunião anterior, Manuel Jorge Valamatos afirmou que “jamais me passará pela cabeça que alguém possa utilizar esta instituição como arma política. O CRIA é uma instituição de um valor inestimável, de um trabalho incrível pela memória do Engenheiro José Bioucas. Não se deve sequer pensar que possa ser usada para política partidária”.
Não tendo a oportunidade de voltar a intervir, Moura explicou que a situação motivou a sua intervenção na segunda-feira e que não se trata de um aproveitamento político do cargo de presidente do CRIA.
Na sessão, Vítor Moura afirmou ainda que o presidente da Câmara tem, em várias ocasiões, colocado em causa o seu bom nome, recordando que já terá sido acusado de “aldrabar as pessoas” e de usar o cargo para “fazer política partidária”. Disse ainda que, se lhe tivesse sido permitido reagir na altura, teria resolvido a questão “em dois minutos”, mas que, por lhe ter sido negada a palavra, decidiu intervir novamente.
O responsável questionou a forma como foram geridas verbas relativas a anos anteriores, apontando que os pedidos de acertos de contas referentes a 2017 só chegaram durante o seu mandato, apesar de dizerem respeito a direções anteriores.

Considerou ainda que os valores divulgados pela Câmara sobre as transferências feitas para o CRIA foram apresentados de forma incompleta, sublinhando que grande parte das verbas corresponde a programas sociais, transferências da Segurança Social ou protocolos de cooperação, e não a apoio direto à instituição.
Vítor Moura referiu também que, apesar de ter enviado sucessivos pedidos de reunião, nunca obteve respostas escritas por parte da Câmara. Chegou a recordar uma reunião previamente agendada que foi cancelada “na véspera” e nunca reagendada, o que, no seu entender, levou a que os assuntos chegassem às vésperas de eleições sem resolução.
“Onde estão essas respostas por escrito que evitavam que eu viesse aqui em véspera de eleições?”, questionou.
O presidente do município abrantino, Manuel Jorge Valamatos, respondeu à intervenção do presidente do CRIA, Vítor Moura, procurando separar as questões pessoais da dimensão institucional.
O autarca começou por reiterar a importância do Centro de Recuperação e Integração de Abrantes no contexto da comunidade.
“É uma instituição absolutamente extraordinária. Tem profissionais de excelência e utentes que precisam do nosso cuidado e da nossa atenção. Continuo a agradecer à direção do CRIA todo o trabalho que fazem em prol da manutenção desta instituição tão relevante para a nossa comunidade”, sublinhou.

“Jamais hoje, no passado ou no futuro, o senhor tem a sua integridade física posta em causa por minha causa. Fique descansado, porque eu não tenho esse tipo de abordagens, nem de apontamentos”, afirmou.
O autarca lamentou ainda que, no seu entender, se estejam a confundir questões pessoais, políticas e institucionais.
Para concluir, Valamatos reforçou a ideia de que o CRIA não deve ser instrumentalizado em disputas políticas. “Acho que o CRIA não merece, em situação alguma, ser utilizado politicamente ou para outros fins. É uma instituição valiosíssima e importantíssima, que vale muito mais do que qualquer um de nós”, concluiu.

O texto parece estar truncado, pois o parágrafo começado por “Jamais hoje” não vem no seguimento de algo a propósito. Merecia classificação. Fica a sugestão.