O vereador do PSD, Vítor Moura, participou esta terça-feira na reunião pública da Câmara de Abrantes na qualidade de presidente do Centro de Recuperação e Integração (CRIA) para expor preocupações da instituição e cobrar respostas da autarquia a temas pendentes, nomeadamente ao nível dos transportes, apoios financeiros e necessidade de novas residências autónomas. O presidente do município garantiu o compromisso da autarquia com a instituição, tendo sublinhado o “valor inestimável” da mesma e recordado os apoios atribuídos nos últimos anos.
Vítor Moura começou por explicar que a presença na reunião na qualidade de dirigente associativo se deveu à ausência de resposta por parte da Câmara Municipal aos seis e-mails enviados pela direção do CRIA. “No último desses seis e-mails, escrevemos logo no início que seria a nossa última insistência. Mas esse nosso propósito não serviu de nada, tal como os outros não serviram, e, portanto, não nos resta outra coisa senão vir aqui tornar público o que se está a passar”, afirmou.
O presidente do CRIA salientou ainda que existem vários assuntos pendentes de resposta antes do final do mandato do atual executivo municipal, coincidindo também com o fim do mandato da atual direção da instituição.
Entre os problemas elencados, destacou o estado do passeio público junto à entrada das instalações do CRIA, “que há 30 anos só tem lancil e não tem pavimento”. Vítor Moura questionou os serviços técnicos da Câmara se alguma vez aprovariam uma obra com estas características, considerando a situação “uma anomalia que nunca foi reparada”.

Outro tema levantado foi o aumento das faturas dos Serviços Municipalizados. Segundo o dirigente, “até novembro de 2021, o valor médio mensal era de 160 euros. Depois da entrada da atual direção, passou para 1.040 euros, ou seja, seis vezes e meia mais”, garantindo que a documentação está disponível para consulta.
Sobre transportes, Vítor Moura criticou o facto de os jovens do CRIA terem ficado excluídos da medida de transporte gratuito para todos os jovens até 23 anos, decidida pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.
“Se algum jovem merecia alguma discriminação positiva, seriam os do CRIA, porque são portadores de deficiência”, disse.
O presidente explicou que a instituição não pede transporte gratuito, mas sim o apoio da autarquia na aquisição de um novo mini-autocarro, uma vez que o atual tem mais de 20 anos. “Fica muitíssimo mais barato à Câmara do que assumir motoristas, manutenção e acompanhantes”, argumentou.
Vítor Moura terminou a sua intervenção pedindo o apoio da autarquia para criar residências autónomas inclusivas para os utentes que necessitam de internamento. “Temos só em Abrantes 35 jovens em lista de espera. Precisamos no mínimo de três residências, porque cada uma só pode ter quatro ou cinco jovens. Precisamos de respostas objetivas”, concluiu.
Na sequência da intervenção do presidente do CRIA na reunião do executivo municipal de Abrantes, o presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos (PS), respondeu às questões levantadas, garantindo que a autarquia tem acompanhado de perto as necessidades da instituição e que nunca deixará de a apoiar.
“Jamais me passará pela cabeça que alguém possa utilizar esta instituição como arma política. O CRIA é uma instituição de um valor inestimável, de um trabalho incrível pela memória do Engenheiro José Bioucas. Não se deve sequer pensar que possa ser usada para política partidária”, afirmou.

Sobre o tema dos transportes, Valamatos explicou que a gratuitidade para jovens até aos 23 anos é uma medida da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), entidade gestora do sistema de transportes.
“Todos os utentes do CRIA que utilizam os transportes públicos têm transporte gratuito. Outra coisa são os transportes privados das IPSS, que ainda não conseguimos lá chegar, até porque é uma responsabilidade da Segurança Social”, esclareceu.
Relativamente às residências autónomas inclusivas, o autarca revelou que a Câmara está a acompanhar o processo junto da Segurança Social e que está disponível para apoiar os projetos quando houver definição da estratégia. “Sabemos que o CRIA precisa destas estruturas (…). Nós temos vindo a apoiar todos e vamos apoiar o CRIA”, afirmou.
“Nós entendemos que esta residência autónoma independente é muito importante para a comunidade, gerida, obviamente a partir do CRIA e nós em tempo oportuno, logo que haja projetos, logo que haja definição da estratégia, nós estaremos a apoiar”, acrescentou.
Manuel Jorge Valamatos apresentou ainda números relativos aos apoios municipais ao CRIA, sublinhando que têm aumentado significativamente nos últimos anos.
“Nos últimos dez anos transferimos mais de um milhão de euros (…) Em 2014 a Câmara transferiu para o CRIA 41 mil euros (…), em 2024 foram 193 mil euros e, para 2025, estão previstos 202 mil euros”, disse, acrescentando que este crescimento tem acompanhado os projetos e necessidades da instituição.
O presidente da autarquia recordou também que já foram entregues duas carrinhas ao CRIA no âmbito do programa FINAbrantes.
“Nós aqui deste lado também apoiamos com o melhor que temos e o melhor que podemos e estamos atentos, quer à questão dos transportes, quer à questão das residências autónomas independentes”, concluiu.
