DGEG anuncia leilão de 300 MW de potência renovável no Pego. Foto: mediotejo.net

A Endesa obteve a melhor pontuação do júri, entre as seis propostas entregues, para a reconversão da Central Termoelétrica do Pego, em Abrantes, segundo o relatório preliminar publicado esta sexta-feira no site da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), no final da reunião de avaliação, que decorreu durante a tarde.

Na segunda posição ficou a Tejo Energia SA (anterior concessionária da Central Termoelétrica e proprietária das instalações), com 3,27. No relatório é indicada uma penalização no critério M8, relativo aos postos de carregamento de veículos elétricos: “A instalação de postos não abertos ao público em geral não confere a atribuição desta majoração”.

 A Greenvolt ficou em terceiro lugar, o consórcio da Brookfield Ltd & Bondalti SA na quarta posição, seguindo-se a Voltalia SA , ficando a EDP Renováveis em último lugar.

Em comunicado, a Endesa diz não ter “dúvidas sobre a solidez do projeto apresentado”, que compreende “não só a instalação de uma importante capacidade de produção renovável, mas também um plano socioeconómico de criação de valor partilhado na região”.

Para a empresa, o projeto de transição justa enquadra-se no “compromisso da Endesa com o crescimento das energias renováveis e com uma descarbonização justa e equitativa”.

Recorde-se que a Endesa apresentou uma candidatura autónoma a este concurso embora oficialmente faça também ainda parte da Tejo Energia, consórcio que geriu a Central Termoelétrica nos últimos 28 anos e que tem a TrustEnergy como acionista majoritário, com 54% do capital, e a Endesa como acionista minoritário, com 46 por cento. Contudo, como confirmou no verão passado o presidente da Endesa em entrevista ao nosso jornal, a dissolução desta sociedade está a avançar nos tribunais. O desentendimento entre os accionistas deveu-se à estratégia a adoptar na reconversão da Central, com a TrustEnergy a querer fazer uma transição com biomassa, o que não fazia sentido para a Endesa. 

Apesar de a Tejo Energia ainda manter a Endesa como accionista, foi decisão da maioria dos accionistas entrar neste concurso público – cuja legalidade sempre contestaram, inclusive judicialmente. A Tejo Energia interpôs uma providência cautelar contra o Ministério do Ambiente e Ação Climática em setembro do ano passado no Tribunal Administrativo de Leiria, mas, ao que o mediotejo.net apurou, ainda não recebeu resposta.

A Central do Pego deixou de funcionar a carvão a 30 de novembro de 2021. Créditos: mediotejo.net

Recorde-se que no caderno de encargos priveligiavam-se propostas que se distinguissem ao nível da criação de valor económico para a região, que criassem o maior número de postos de trabalho ou partilhassem eletricidade renovável produzida com o Município de Abrantes, entre outros factores. As empresas concorrentes terão de ter também a sua sede no concelho.

O projeto da Endesa prevê uma aposta na energia fotovoltaica e eólica, incluindo também um projeto de carregamento de baterias e pontos de produção de hidrogénio verde.

O projeto da Tejo Energia centra-se na produção de eletricidade a partir de biomassa, numa primeira fase, sendo complementado com energia solar fotovoltaica e eólica.

O concurso para a exploração deste valioso ponto de injeção na rede elétrica nacional vai avançar agora para audiência de interessados, permitindo a todos participantes contestar a avaliação do júri. Este apresentará depois um relatório final com a decisão definitiva sobre o vencedor do concurso, até 21 de fevereiro.

*Com Lusa

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Sou diretora do jornal mediotejo.net, diretora editorial da Médio Tejo Edições e da chancela de livros Perspectiva. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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