Filipe Silva, 48 anos, desapareceu no dia 30 de dezembro. A população de Alcorochel e as autoridades policiais estão a desenvolver esforços para encontrarem o homem e uma explicação para a ocorrência. Foto: mediotejo.net

A Polícia Judiciária (PJ) de Leiria confirmou hoje ao mediotejo.net que o corpo encontrado por um popular na manhã de terça-feira no Entroncamento, numa vala junto ao um campo de cultivo perto do parque de contentores do terminal ferroviário, não é de Filipe Silva, um homem de 48 anos que desapareceu em Alcorochel no dia 30 de dezembro, não existindo qualquer ligação entre os dois casos.

Conforme o nosso jornal apurou junto da PSP, autoridade que foi chamada primeiramente ao local, trata-se de uma mulher de 78 anos, já identificada, tendo o processo passado imediatamente para a jurisdição da PJ. “Não tem qualquer relação com este caso [de Filipe Silva]. E, em princípio, não temos indicadores da existência de crime. Fomos para o terreno em função desse acontecimento. Mas não tem qualquer relação. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, efetivamente”, assegurou ao mediotejo.net o diretor da Polícia Judiciária de Leiria, Avelino Lima.

No terreno desde segunda-feira, 16 de janeiro, está uma equipa da secção de homicídios da PJ, em busca de pistas que possam vir a explicar este desaparecimento. Estão a ser realizadas perícias para reconstituir as últimas horas em que Filipe foi visto na aldeia de Alcorochel e zonas limítrofes.

“Ontem [terça-feira] foram efetuados muito contactos, verificados todos os elementos que nos tinham sido reportados e muitos outros que vamos recebendo constantemente. Todos os indicadores avançados, foram ‘checados’. Trabalhamos numa lógica de investigação criminal e estamos na fase de confirmação de toda a informação que tem sido transmitida”, explicou ao nosso jornal o diretor da PJ.

Recorde-se que Filipe Silva desapareceu no dia 30 de dezembro, faz hoje [quarta-feira] 19 dias. Sandra Almeida viu o marido pela última vez nessa manhã, em casa, antes de sair para deixar os filhos na escola. Posteriormente, segundo relatos de populares, o homem, de 48 anos, terá sido avistado junto a uma casa devoluta, no centro da aldeia, dentro de um carro preto que não seria o seu e, depois, há quem assegure tê-lo visto a pé nas proximidades.

Nos dias seguintes algumas pessoas indicaram a sua presença em Torres Novas e no Entroncamento, mas essas pistas não vieram a confirmar-se como certas. Entretanto, surgiu um novo indício – que Filipe pode ter estado ao final da tarde do dia 30 num café a poucos quilómetros de sua casa.

Mulher de Filipe Siva ouvida pela PJ e pelo Ministério Público

A denúncia do desaparecimento de Filipe Silva foi feita no dia 31 de dezembro à GNR de Torres Novas, 24 horas depois de sair de casa. Mais de 15 dias depois, o processo passou para a alçada da PJ de Leiria.

Sandra Almeida, mulher de Filipe Silva, foi chamada pelo Ministério Público e ouvida pela PJ durante toda a manhã desta quarta-feira, na qualidade de testemunha, para formalizar o seu depoimento.

As diligências continuam e segundo a PJ confirmou ao mediotejo.net, todos os cenários estão em aberto: “Não existem, de momento, indícios de crime. A investigação procura pistas que levem à localização do senhor e averigua-se algum possível ilícito. Mas, volto a dizer, neste momento não existem indícios, ou expectativas sequer nesse sentido. É uma investigação dirigida a localizar uma pessoa que está desaparecida e a recolher, em simultâneo, qualquer indicador que nos possa levar a uma determinação do seu desaparecimento no que reporta e importa às causas… se é voluntário, se não é voluntário, se houve intervenção externa, criminosa ou não.”

“Continuamos a trabalhar em todas as frentes e as diligências continuam. O processo está em aberto e enquanto não forem encontradas justificações, faremos tudo o que se impõe fazer. Continuamos a trabalhar e esperamos brevemente ter notícias, seja para que lado for”, afirmou o diretor da PJ de Leiria, que não colocou de lado a hipótese de um desaparecimento voluntário.

“Infelizmente, não seria a primeira vez que as pessoas desaparecem por vontade própria. Se isso acontecer, a família será informada de que foi localizado, mas que solicita o anonimato sobre a sua localização. E isso tem que ser respeitado, porque ele é adulto e está na posse das suas faculdades. Portanto, não há nenhuma forma impositiva de violar o direito dele ao anonimato. A família é informada, na lógica de cessar, eventualmente, esta pesquisa da pessoa. Mas, será respeitada a vontade do cidadão, isso é ponto assente”, vincou.

Enquanto não surgem respostas, adensa-se o mistério sobre o desaparecimento de Filipe Silva. A família mantém a esperança de um desfecho positivo e reitera o pedido para ser informada sobre todas as pistas que possam surgir, mantendo a ideia de que Filipe não terá ido embora por vontade própria.

Filipe Moita Silva, de 48 anos, com 1,77m e 85 quilos, foi visto pela última vez vestindo uma camisola azul escura, calças de fato de treino pretas, kispo comprido preto com forro vermelho e ténis pretos com sola em branco.

Qualquer informação sobre o seu desaparecimento deve ser comunicada à PSP ou à GNR de Torres Novas, presencialmente ou através dos telefones 249 413 860 / 249 839 340.

Carla Paixão

Natural de Torres Novas, licenciada em jornalismo, apaixonada pelas palavras e pela escrita, encontrou na profissão que abraçou mais do que um ofício, uma forma de estar na vida, um estado de espírito e uma missão. Gosta de ouvir e de contar histórias e cumpre-se sempre que as linhas que escreve contribuem para dar voz a quem não a tem. Por natureza, gosta de fazer perguntas e de questionar certezas absolutas. Quanto ao projeto mais importante da sua vida, não tem dúvidas, são os dois filhos, a quem espera deixar como legado os valores da verdade, da justiça e da liberdade.

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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