Professor José Baptista Gouveia homenageado no Encontro Ibérico do Azeite. Créditos: CMA

A história dos azeites começa após José Baptista Gouveia concluir a sua licenciatura em Engenharia Agronómica no Instituto Superior de Agronomia (ISA), em 1975, precisamente há 50 anos. Iniciou então uma vida de entrega a bem da olivicultura nacional e do azeite.

Embora tenha iniciado a sua atividade no setor dos vinhos, cedo se dedicou ao azeite que acabou por constituir o domínio do seu interesse científico.

Foi estagiar para Torres Vedras em vitivinicultura e nos vinhos pensava fazer a sua carreia mas conta durante o Encontro Ibérico do Azeite, em Mouriscas, ter sido “chutado” para os azeites, coisa que na altura lhe “pareceu mal”. No entanto, abraçou um setor que estava esquecido a nível nacional e mundial.

“Naquela altura era absolutamente esquecido e a análise de azeite era rudimentar”, assegura. Existia o Boletim da Junta Nacional do Azeite que “publicava os resultados das análises efetuadas ao azeite e o único parâmetro de avaliação da qualidade do azeite nacional era a determinação do grau de acidez. Apenas 1,5% do azeite nacional era considerado virgem extra”, acrescenta.

Professor José Baptista Gouveia homenageado no Encontro Ibérico do Azeite. Créditos: CMA

Mas o cenário tinha de mudar e mudou através do COI – Conselho Oleícola Internacional, com um grupo constituído por pessoas de vários países, desde a Itália à Tunísia, do qual José Baptista Gouveia fez parte, que “começou a falar da análise sensorial de azeite”.

Durante três anos estudaram uma metodologia de análise sensorial porque “não havia nada”, garante o professor. O COI aprovou a metodologia de análise sensorial e a União Europeia aprovou no ano seguinte.

Afirmou ter existido “uma grande evolução dos métodos de análise química dos azeites e têm sido sempre aperfeiçoados”. E lembrou que, já doutorado, esteve na génese das denominações de origem protegida (DOP) em conjunto com Francisco Caldeira.

Na homenagem, as primeiras palavras sobre o professor Gouveia foram do jornalista e crítico gastronómico Edgardo Pacheco, que sublinhou preferir o termo “elogio”, embora no final da sua intervenção tenha considerado “fazer falta” uma homenagem a nível nacional.

“Este País merece homenagear quem trabalha na agricultura, quem produz bens alimentares e quem nos dá prazer”, sublinhou.

Um homem “a quem o País muito deve, não só pela sua competência técnica mas por espalhar carinho e amor e receber isso de volta”, notou.

Professor José Baptista Gouveia homenageado no Encontro Ibérico do Azeite. Edgardo Pacheco. Créditos: CMA

Traçou o perfil de José Baptista Gouveia como sendo “um estudioso, um divulgador e um grande pedagogo na Academia. Um visionário ao criar os cursos de análise sensorial” no LET – Laboratório de Estudos Técnicos, vulgo “Laboratórios de Azeites”.

Porém, para o jornalista “a dimensão mais importante do professor é ser um criador de laços”.

Edgardo Pacheco, que já provava vinho e queijo quando iniciou na prova de azeites, diz ter aprendido “a provar melhor o vinho” e “a provar melhor tudo” excepto tomate, alimento excluído da dieta do professor. “Os cursos foram muito importantes”, referiu, lamentando que não sejam regulares.

“Continuamos a viver num País que tem uma grande incultura sobre o azeite. O País deu saltos tremendos do ponto de vista da produção, da qualidade e da produtividade, o azeite representa mais do que o vinho em Portugal e todavia vivemos num País com muita ignorância sobre o azeite, com muito desconhecimento da cultura do azeite, em que os chefs são verdadeiramente desconhecedores da cultura do azeite. Vivemos num País em que as escolas hoteleiras não têm um único módulo de ensino do azeite”, constatou.

Professor José Baptista Gouveia homenageado no Encontro Ibérico do Azeite. Créditos: CMA

Por isso, defendeu que o trabalho iniciado por José Baptista Gouveia deve “continuar” não apenas “de análise de produção mas nas questões de literacia e de análise sensorial de azeite”.

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A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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