Desde 2003 que o Centro de Estudos de História Local de Abrantes (CEHLA) organiza ininterruptamente as Jornadas de História Local, exceção feita em 2020, devido à pandemia. Este ano, o Edifício Pirâmide, em Abrantes, acolheu, no dia 10 de dezembro, aquele que foi o retorno da iniciativa, para uma 18.ª edição especialmente dedicada à museologia. Dentro dum programa vasto, decorreu também a apresentação pública do n.º 38 da revista semestral “Zahara”.
Depois daquele que foi um ano de interregno, as Jornadas de História Local superaram inclusive as expectativas, referiu ao nosso jornal José Martinho Gaspar, coordenador do CEHLA e diretor da revista Zahara, uma vez que se pensou que as pessoas desligassem um pouco do projeto. Mas o facto é que a casa esteve bastante composta com pessoas bastante interessadas e participativas, “que é o fundamental”, disse José Martinho Gaspar.
A temática dos museus marcou a tónica do programa e foi inclusive responsável pelo pontapé de saída, com uma primeira comunicação a cargo de Margarida Moleiro, coordenadora da Rede de Museus do Médio Tejo, que enquadrou o papel que esta rede tem desempenhado, bem como os desafios que enfrenta.

Os museus e a museologia foram trazidos para a ordem do dia, tal como explicou José Martinho Gaspar, uma vez que estão a surgir vários museus e núcleos museológicos na região, tais como o museu Pequito Rebelo do Gavião, ou o Centro de Interpretação da Semana Santa em Sardoal mas também de museus que são já uma realidade, como é o caso do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes (MIAA), recentemente inaugurado ou do Núcleo Museológico de Ortiga.
ÁUDIO | José Martinho Gaspar sobre as XVIII Jornadas de História Local:
Até porque um dos objetivos da iniciativa “Jornadas da História Local” é também servir de montra do que se “vai fazendo por aí”, disse José Alves Jana numa das suas intervenções. Durante a manhã foram ainda apresentados os novos livros lançados dentro da área da história e do património pelos autores que estavam presentes, como Lurdes Vicente (A Casa da Minha Avó), Joaquim Candeias da Silva e José Martinho Gaspar (Liceu de Abrantes: 50 anos de uma escola para todos) ou João António (A Angustia das Azeitonas).
Antes do almoço e da continuação dos trabalhos durante a tarde, foi então apresentado o n.º 38 da “Zahara”, revista publicada semestralmente, que nunca falhou nenhum número e que se debruça sobre temas históricos, antropológicos, sociológicos e etnográficos de uma região de sete concelhos (Abrantes, Constância, Gavião, Mação, Sardoal, Vila de rei e Vila Nova da Barquinha), desde que numa perspetiva de passado.

Todos os artigos cujos autores estavam presentes foram brevemente apresentados, convidando a uma leitura atenta na posterioridade.
Vasco Marques, vereador do município de Mação, exibiu o artigo que fez em conjunto com Lurdes Vicente sobre o Centro Recreativo e Cultural de Queixoperra, pretendendo também homenagear as associações que se têm esforçado para contrariar a morte lenta das aldeias, conforme referiu o autarca maçaense.
Dentro ainda do associativismo, Joana Margarida Carvalho falou sobre o boletim informativo “O Riomoinhense”, uma publicação de Rio de Moinhos, onde são os jovens que escrevem artigos sobre as gentes da aldeia, fazem a publicação e a vendem porta a porta.

Manuel Traquina discorreu sobre o núcleo museológico do Souto, criado por si próprio e que está instalado numa escola primária, onde estão expostos uma série de utensílios referente à antiga escola, e à vida da população. O autor afirmou ter mais objetos para expor solicitando mais espaço às entidades municipais.
Mas são mais ainda os temas a descobrir nesta nova edição da revista Zahara, que conta com uma tiragem de 500 exemplares e que detém o preço de 5€ – valor que se mantém desde a sua primeira edição, em 2003, tal como relembrou o seu diretor.
Naquele que foi um programa “recheado de motivos de interesse”, conforme referiu o coordenador do CEHLA, durante a tarde foi ainda feita uma apresentação por António Acciaioli Campos (Rádio Amália), que foi premiado pela APOM (Associação Portuguesa de Museologia) com o prémio trabalho jornalístico da Associação Portuguesa de Museologia.
Já o padre Francisco Valente falou sobre um inventário dos bens da igreja, enquanto Charlotte Weiss e Cristian Reis, conservadoras e restauradoras, falaram sobre este tema inerente às suas profissões. Leonel Mourato, falou sobre as Rotas de Mação e a defesa do património que elas fazem.
O programa terminou com uma visita ao Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes.

Boa tarde,
gostaria de perguntar se é possível comprar edições antigas da revista Zahara. A minha esposa aperece numa edição de 2006 e eu gostava de comprar para guardar.
Obrigado
Boa tarde. para o objetivo que pretende pode contactar o diretor da revista Zahara pelo email: jmartinhogaspar@gmail.com