Esta reportagem foi distinguida com o 2º lugar no Prémio de Jornalismo atribuído pela Comissão Executiva das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, promovido com a ANIR – Associação Nacional de Imprensa Regional.

Marques Godinho foi um dos presos políticos de 1947, por tentativa de “golpe de Estado”, para depor a ditadura de Salazar.
Fez carreira militar em Abrantes, cidade onde casou, tendo residido em Rossio ao Sul do Tejo. Créditos: mediotejo.net/DR

A 25 de Abril celebramos a liberdade chegada em 1974 – mas, curiosamente, invertendo os últimos números, o ano de 1947 também foi de ‘Abrilada’… só que correu mal. A ditadura do Estado Novo não foi complacente com os opositores ao Regime e um dos detidos foi o general Marques Godinho, nascido em Galveias, Ponte de Sor, que morreu na prisão, tendo em sua posse documentos que denunciariam as “simpatias nazis” do então ministro da Defesa, Santos Costa. A viúva, de uma fidalga família de Abrantes, exigiu esclarecimentos sobre a morte do marido ao governo de Salazar, contratando à altura o advogado Adriano Moreira – acabaram todos presos também, e nada se esclareceu. Recordamos a vida desse homem, que tentou depor a ditadura 30 anos antes do 25 de Abril.

Joaquim Correia Bernardo foi um elemento fundamental no Movimento dos Capitães de Abril. Foto: António Monteiro

Foi de Santarém que Salgueiro Maia partiu às três da madrugada de 25 de Abril de 1974 para “mudar o estado” a que tínhamos chegado. Joaquim Correia Bernardo foi o capitão que planeou a participação da Escola Prática de Cavalaria na revolução e que criou um “Plano B” para o caso da missão não ser bem sucedida em Lisboa: Santarém seria a cidade da resistência contra o regime. Fomos ouvir a História na voz do homem que integrou o Movimento dos Capitães desde o primeiro momento. 

O tenente fuzileiro David Geraldes abraça o preso Mário Abrantes, à saída da prisão de Caxias, a 26 de abril de 1974. No lado esquerdo da fotografia, outros dois presos que o militar conhecia: Amado da Silva e João Pedro Santos Silva. Os quatro tinham estudado juntos no Instituto Superior de Agronomia. Créditos: DR

Depois do dia inicial inteiro e limpo, quando alguém batia à porta já só esperavam o carteiro. Mas até ao 25 de Abril de 1974, temiam que fossem agentes da PIDE, a polícia política que perseguia, prendia, torturava e até matava os opositores ao regime. Após o longo dia da Revolução, o seguinte parecia interminável. Era já quase meia-noite quando o então tenente David Geraldes anunciou ao País a libertação dos 78 presos políticos que permaneciam no Forte de Caxias. O engenheiro agrónomo – que viria a ser Diretor Regional de Agricultura do Ribatejo e Oeste e Secretário de Estado da Agricultura – recorda agora ao mediotejo.net a experiência que, diz, teve “o privilégio de viver”.

Natural de Vila Nova da Barquinha, Carlos Matos Gomes foi um dos Capitães de Abril. Créditos: DR

Carlos Matos Gomes nasceu em 24 de julho de 1946 em Vila Nova da Barquinha e estudou no Colégio Nun’Alvares, em Tomar – aí conheceu Salgueiro Maia, de quem ficou grande amigo, e com quem viria a protagonizar um dos mais importantes episódios da história contemporânea do nosso país. O mediotejo.net entrevistou um dos mais conceituados militares e historiadores da guerra colonial, e um Capitão de Abril que continua a sonhar com uma sociedade mais justa.

Um grupo de presos políticos portugueses posa para um retrato no interior do campo de concentração do Tarrafal, em 1949. A fotografia foi tirada por Luiz Alves de Carvalho durante uma visita ao filho Guilherme da Costa Carvalho, com o intuito de entregar as imagens às famílias dos restantes prisioneiros. Créditos: João Pina | “Tarrafal”, Tinta da China

Sou diretora do jornal mediotejo.net, diretora editorial da Médio Tejo Edições e da chancela de livros Perspectiva. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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