As comemorações oficiais dos 50 anos do 25 de Abril prolongam-se até final deste ano, quando se assinalam 50 anos sobre as primeiras eleições autárquicas em liberdade. Nos últimos dois anos, o mediotejo.net foi publicando artigos de investigação, reportagens e entrevistas com individualidades da nossa região que foram protagonistas deste período fundador da democracia portuguesa, num Especial 50 anos do 25 de Abril. Hoje destacamos 5 desses trabalhos. Como um dia disse o diretor do Washington Post, “os jornalistas escrevem o primeiro esboço dos livros de História” – e nós esperamos desta forma contribuir também para que os acontecimentos entre 1974 e 1976 não sejam esquecidos e fiquem fixados para o futuro da forma mais fidedigna possível.
1.
À terceira foi de vez; as ‘Abriladas’ para depor Salazar, com Marques Godinho preso na primeira falha
Esta reportagem foi distinguida com o 2º lugar no Prémio de Jornalismo atribuído pela Comissão Executiva das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, promovido com a ANIR – Associação Nacional de Imprensa Regional.

Fez carreira militar em Abrantes, cidade onde casou, tendo residido em Rossio ao Sul do Tejo. Créditos: mediotejo.net/DR
A 25 de Abril celebramos a liberdade chegada em 1974 – mas, curiosamente, invertendo os últimos números, o ano de 1947 também foi de ‘Abrilada’… só que correu mal. A ditadura do Estado Novo não foi complacente com os opositores ao Regime e um dos detidos foi o general Marques Godinho, nascido em Galveias, Ponte de Sor, que morreu na prisão, tendo em sua posse documentos que denunciariam as “simpatias nazis” do então ministro da Defesa, Santos Costa. A viúva, de uma fidalga família de Abrantes, exigiu esclarecimentos sobre a morte do marido ao governo de Salazar, contratando à altura o advogado Adriano Moreira – acabaram todos presos também, e nada se esclareceu. Recordamos a vida desse homem, que tentou depor a ditadura 30 anos antes do 25 de Abril.
2.
Correia Bernardo, o capitão que planeou com Salgueiro Maia a conquista da Liberdade a partir de Santarém

Foi de Santarém que Salgueiro Maia partiu às três da madrugada de 25 de Abril de 1974 para “mudar o estado” a que tínhamos chegado. Joaquim Correia Bernardo foi o capitão que planeou a participação da Escola Prática de Cavalaria na revolução e que criou um “Plano B” para o caso da missão não ser bem sucedida em Lisboa: Santarém seria a cidade da resistência contra o regime. Fomos ouvir a História na voz do homem que integrou o Movimento dos Capitães desde o primeiro momento.
3.
As portas de Caxias que Abril abriu, pelas mãos do fuzileiro David Geraldes

Depois do dia inicial inteiro e limpo, quando alguém batia à porta já só esperavam o carteiro. Mas até ao 25 de Abril de 1974, temiam que fossem agentes da PIDE, a polícia política que perseguia, prendia, torturava e até matava os opositores ao regime. Após o longo dia da Revolução, o seguinte parecia interminável. Era já quase meia-noite quando o então tenente David Geraldes anunciou ao País a libertação dos 78 presos políticos que permaneciam no Forte de Caxias. O engenheiro agrónomo – que viria a ser Diretor Regional de Agricultura do Ribatejo e Oeste e Secretário de Estado da Agricultura – recorda agora ao mediotejo.net a experiência que, diz, teve “o privilégio de viver”.
4.
Carlos Matos Gomes: “Não é preciso outro 25 de Abril porque não é preciso nenhum salvador”

Carlos Matos Gomes nasceu em 24 de julho de 1946 em Vila Nova da Barquinha e estudou no Colégio Nun’Alvares, em Tomar – aí conheceu Salgueiro Maia, de quem ficou grande amigo, e com quem viria a protagonizar um dos mais importantes episódios da história contemporânea do nosso país. O mediotejo.net entrevistou um dos mais conceituados militares e historiadores da guerra colonial, e um Capitão de Abril que continua a sonhar com uma sociedade mais justa.
5.
De Abrantes ao Tarrafal, uma memória resgatada por João Pina 75 anos depois

O fotógrafo João Pina encontrou em caixas antigas do seu bisavô aqueles que são os únicos registos conhecidos de prisioneiros políticos portugueses no Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde. Aquelas fotografias, como viria a descobrir, contavam muito mais do que a história da prisão do seu avô Guilherme da Costa Carvalho, destacado membro do Partido Comunista na clandestinidade, e que acabaria por ser preso em Abrantes – uma história que agora é revelada em livro, para que nunca seja esquecida.

